Exercício Poético

Luna & Amigos

Varal nº  48  - Ano I

 

 

 

Nas gotas da chuva
que encheram um oceano
somos demasiado pequeno
A deriva, devaneio
na marcha de um relógio
pensamentos
pulso do tempo

Plínio Sgarbi

 

 

Em qual abismo estaria
pronto a desabar ?
Naquele que na vida construí ?
Ah! Meu deus ! Ainda a me esperar ...
Tão fundo, tão negro !
Hoje , o meu amor por ti ... me faz saltar ...
Nos braços daquela que um dia esqueci !

José Geraldo Martinez

 

 

Dá-me tuas mãos e leva-me contigo,
não importa a profundeza do mar e do abismo,
ou se as águas são turvas como as minhas cismas
quando me sufocam as ondas do desejo
que me alucinam, me provocam, me fascinam.
Dá-me tuas mãos e afundaremos juntos
seja no inferno, purgatório ou paraíso.

Leda Galvão

 

 

Mais que amor nos chamava o transcendente ser
Dois mundos num mundo, unir o aqui e o além

Bem bem alto no espaço soam nossos gritos

Clemência meu Deus jamais separeis
A escolha que fiz no fundo do meu ser

Mais  que vida Vos peço o dom de escolher
A que hei de amar- me dar- pertencer!

Maria Petronilho

 

 

Sonhando, viajo, minhas formas se transformam,
ora, em sereia adormecida
sobre rochas, ou doce poeta,
embalada pelo canto de uma queda d'água doce,
sorvida pela grandeza do mar!

Iracema Zanetti

 

 

De poeta, à mágica,
agiganto uma das mãos que se propulsiona,
vindo à tona,
e súplice, em forma de concha,
tenta alcançar a água potável,
para mitigar minha sede de amor!

Iracema Zanetti

 

 

Não tenho mais o insuportável espaço vazio,
acabou a carência de seus abraços, de seu afago,
não quero parar o amadurecimento da paixão.
Quero desmentir meu desejo e não consigo,
você fincou seu amor, tatuou em meu corpo com força.
Não quero e não preciso despertar,
deixe-me ser o seu, não importa o que, só seu.

Caio Lucas

 

 

Que sono profundo que me leva às águas
do meu eu mais escondido.
Que sono adormecido que faz com que
eu contate o inexplicável incontido.
Que linha tênue que separa
minha loucura de minha lucidez.
Quero continuar dormindo!

Cleusa Bechelani

 

 

Proposta da inexistência do Credo
e crença crescente na descrença
pela ofensa intensa e crédula
se re-pensa célula atéia.
Mente cataclismo
sismo da Fé
abismo...

© Gabriel Ribeiro

 

 

Braço de mar, dedos d'água
Acaricie a terra
Seus seios, fontes da serra,
Toque a vida sem mágoas
Se não puder, beije a areia
Implore com mãos  de sereia
Rompa escarpa em maré cheia!

Elane Tomich

 

 

Presa no meu mar e voraz
procuro um sonho pouco, louco, gigante
que me justifique, apaixone,mantenha acesa.
Qualquer absurdo é melhor
que esta sensação morna de mundo
que esse grito engasgado
que esse caminhar sobre o muro....

Maria Izabel

 

 

Arte fantástica? Onírica?
Surrealismo?
Tentemos....
Freudiana leitura?
Fálico fundo...Ereção
Eros em catarata de sêmen

Thanatus em pálida mão...

Helena Armond

 

 

Dorme no leito... ó molhada dama!..
na cascata que umedece
(e no desejo que floresce)
Acordo-te firme montanha
na doce mão que se assanha
Canto-te uma canção sereia
enquanto imortal lança sua teia

Amaso Nib Nedal

 

 

Arranha-céus de carências
Corpo lânguido deita-se nessa selva de pedra
Sonha ideais incrustados nas entranhas
Aquece-se ao sol que arde solidão
E no meio fio do abismo
Entrega-se aos desvarios da vida
Com encanto e paixão!

Rosária Coc - Misty

 

 

eu vejo sete rochedos;
e uma mão cheia de dedos;
uma mulher despida dos medos;
sete linhas sem enredos;
cada um tem seus albedos,
bem como seus arremedos;
eu, poeta, tenho segredos.

MoacirÍndioJr

 

 

A vida corre como um rio
entre pedras e desníveis,
as vezes serena, outras vezes
em ondas mais fortes.
Mas, não importa o destino.
No final, uma mão mais forte
não permite que a alma afunde no lago das dores.

Fatima Dannemann

 

 

 

Edição

Olga Fonseca

17.11.02

 

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