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Quem
me vê assim
Arqueada
Aparentemente relaxada
Não percebe que há um motim
Devastando intensamente meu ser
Provocando uma dor incomensurável...
Será que vou renascer?
Greissy
Rezende
uma
branca mulher caída, coitada;
uma mulher estatuesca acoitada;
uma branca mulher grega azeitada;
um molde de mulher nua rejeitada;
uma mulher de gesso, enjeitada;
uma mulher de pedra, enleitada;
uma estátua de mulher... deitada.
Moacir
Índio da Costa Jr.
Esparsos
espasmos
candura e momento
pensa no intento
Sem marasmos
ter tudo
nova
mente
Celito
Medeiros
Sou
pura, sou natural, sou toda tua, sou fiel, sou sem igual...
Existo dentro de ti, na cerne deste teu ser...
Todo mundo pode me ver, mas só tu podes me conhecer...
Sou tua essência de vida, tua porção imortal!
Sou tua consciência, tua eterna criança,
sou tua bagagem de experiência, tua esperança...
Chama divina... feto da vida... alma peregrina... Eu sou teu sol!...
Carvalho
Branco
Arrancastes
minha pele!
Fez-me verões e invernos.
Cai de alma em outonos saudosos
Primaveras vibrantes.
Centro único da terra que semeastes!
Rosária
Coc. - Misty
espero
sua ternura despertar-me.
Em meu hibernar crescem sonhos de...
Ver-te em sois e luas
e sementes germinar.
Entre a terra e eu
Borbulham misterioso
pecados de amar!
Rosária
Coc. - Misty
prostrada
no chão
é frágil
como
fragmentos
de cristal.
Fatima
Dannemann
Fecha-se
o cerco
Sem saída o ser
Sobre si evoca
O umbilical cordão
Acha o fio....aponta
E encontra o principio
De uma interrogação....
Helena
Armond
funde-se
o corpo, a dor, a saudade
nessa falta de poros
nessa ausência de pêlos
ah, como é triste a distância
entre o cinzel e a pedra
eu e teu amor
esculpidos em solidão
Lílian
Maial
Junte
o que sobrou de meu ao seu,
quero sentir o que ficou nosso,
ficamos sem razão quando nus.
Deite-se sobre meu corpo e cubra-o,
quero te sentir ainda muito mais.
Sei de cada sentimento, sei de cada amor.
Somos pedaços de carnes amadas e amantes
Caio
Lucas
louco
ciúme de Antinoo
quibuscumque viis raca
castigat ridendo mores Sileno
Grisett como um camaïeu
jaz perpetua em pedra de sal
el mune et semper et in secula seculorum
vae victis proh pudor chora Magna parens
Plínio
Sgarbi
Pedra
fria e sem vida, assim você me esculpiu
você esqueceu, de sua obra de arte, assinar
fria como gelo,coração ferido, fechado ficou
alma aprisionada, estatua sem vida sou
sorriso e brilho, estes você levou,
nada me deixou,
fui a fonte do amor, que você fechou.
Eunice
O que
poderei escrever...
Sobre essa mulher sofredora
Numa quase fetal posição...
Quem sabe chorando mágoas
Que machucam seu coração?
Só poderei poetar
Quando acordar minha inspiração.
A.
Nery Vanti
As
mãos de Rodin nos acariciam
e nos transformam em estátuas vivas
plenas de amor explodindo em carícias.
E em chamas nossos rostos se transformam
e ficamos tu e eu gravados na escultura.
E, num beijo eterno e num ninho de delícias
seremos de Rodin a sublime perfeição.
Leda
Galvão
E
finalmente repousa
na tão silenciosa ilusão
essa dor mais que bandida
pois traída por si mesma
deixou-se levar amando
pensando sentir do outro
o que sentia em paixão
LianeNiremberg
Abatestes-me!
A teus pés me rojo
E teu amor imploro
Meu gesto submisso
toca-te e entretanto
Renasce o sorriso!
Maria
Petronilho
De
cócoras, quase deitada
Foi como a viu da primeira vez
Neste mundo, sozinha, prostrada
Mostrava-se sofrida ... apaixonada
Por alguém que do alto de sua altivez
Dizia-lhe não merecer mais a sua timidez
Por ser ela dentre todas a mais bela amada
Heraldo
Lage
O
belo dorso nu
corso em pilhagem do desejo,
sedução em torso inverso
o verso em vértebras
vosso osso sedutor
em calcário cinzelado
no fosso adormece.
Gabriel
Ribeiro
Deixa-me
só com esta dor, pois nada mais em ti me satisfaz...
não me chames, nao te de
despeças, não olhes para trás.
Tudo o que restou foi um vazio, no coração que já não te ama mais.
Deixa-me esquecer o nossa história, que se encerra com tua partida...
recuperar minha consciência, libertar-me das amarras,
e com a força de minha vontade, renascer para uma nova vida.
Eva Aune
E
ousas moldar minha existência
Este corpo de emoções
No infinitivo da forma
Tortura triangular
De entranhas barro e bronze
Que imortalizas por tuas mãos
Numa imagem que dói no olhar
Clivânia
Teixeira
teu
corpo...
em meu corpo repousa
de ti a vida que se desprende
e move-se comigo
de ti...
o solo, o sal, a semente
ainda que de mim, teu corpo –ausente.
Ana
Merij
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Imagem:
Danaid de Auguste Rodin
Edição
Olga
Fonseca
07.09.02
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