Pelo vidro embaçado
seu vulto querido,
névoa,se desmanchando.
A água lava e rega,
enternece de amor
um pedaço do passado.
Lourdinha Biagioni




Através da vidraça,
a lembrança quase apagada.
É a chuva que atravessa,
tua imagem desbotada.
Pingos d’água na janela
ainda choram de saudades.
Vitória Paterna




Ando descalça sob uma chuva fina e fria.
Absorta em meus pensamentos
compartilho com respingos em meu ser
o sofrimento que carrego em minha alma.
Firmo o desejo de ser lavada e purificada
Sob uma chuva fina e fria
continuo a andar descalça.
Sonelisa Miranda




Minha chuva providente
Lava a agonia da gente
Sacia chão ressequido
Na louca e vã correria
A multidão sem poesia
Não ouve triste gemido
Vilma Duarte




como chuva limpando a vidraça talvez
quem sabe esse pranto em canto se faça
e essa alma manchada de amor desfaça
marca que de dor em mim assim se fez
tempestade! Passe. Lave e leve tudo isso
que chamam amorem mim more um cristal que não chore
Edmeia Correa




Menina feliz, embora mal comportada,
Adormece entre suas manas, no conforto
Do quarto quente, embalada por balada
Aconchegante, tocada nas telhas do telhado:
SAUDADE!
Marília Bechara




Infinitas gotas de água que retornam da visita ao céu,
Buscando os caminhos naturais de origem:
Os rios, os mares!
E, serão sempre serenas
Se os homens não lhe impedirem o rumo.
Essa é a chuva, poderosa natureza, livre do controle humano
E sinal do Poder Divino!
Nadir Pires Cavalcante




Chuva miúda,
sombrinha vermelha,
casal agarrado,
nos corpos, centelha.
Em casa, a chama,
põe fogo na cama,
e o amor destrambelha!
Luís Campos (Blind Joker)




A chuva que cai entristece à tarde,
A chuva em teus olhos te faz tão pequena,
Tão forte e tão frágil você que é amada,
Os pingos que caem molhando a rua,
As lágrimas que chovem dos teus olhos,
Alagando minha alma...
Patricia Andrea




Deslizando no outdoor
Sobre o cartaz descolado,
A chuva bate bem forte.
A onda sonora ao lado
Do bar do seu Clodomir
Dá vontade de dormir;
Peço um mate bem gelado.
Benedita Azevedo




Caem intensamente sobre a cidade
Conturbadas lágrimas de tristeza.
Chora o céu por uma humanidade
Curiosamente descuidada, negligente
Com a natureza dilacerada.
Caminhos d´água ocultam os sonhos,
Confinam a vida sob a terra insana.
Mardilê Friedrich Fabre

 

Edição: Olga Fonseca
08.04.11
Música: Mozart

 

 


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