MULHER DE VÉU



Embaixo deste véu, caldeira fria.
Por cima dos meus olhos, 
doce agonia, escondida na aderência 
do momento mágico que desnudo 
com olhos de gato pardo perdido.
Penso, o que me faz tão ausente ?
Desejo incandescente de mulher-andorinha
acostumada sempre a fazer verão.


( Cláudia Villela de Andrade )



Desnudo olhares
que calados viram sangues e partidas
sob emudecidas lágrimas
entre véus contidas
devasso grades e grilhões
solto amarras -farsas
vida vã
disseco,
esta dor- afegã.

( nanamerij )

 



Trago várias imagens
sempre movediças
Meu rosto se decompõe
em curiosa autópsia
Desfiguro-me
entre a santa e
a apóstata
sem significado
sem cura

( mdagraça ferraz )


 


Visto-me de peles, de muitos humores,
curvo-me ao querer,pura e profana,
prato fundo de sentimentos.
Mesclam-se tantas em mim,
tantas mulheres despertam, 
lutam, enternecem, 
agridem, sobrevivem...


( Jane Lagares )

 



Silenciosa
sob a transparência de véus negros...
disfarço marcas tatuadas em minha face.
Meu olhar ausente desmente a dor que vai
na minha alma!

(Iracema Zanetti)

 



Sou o beijo quente
que se esconde de teu olhar.
Sou a pura
que tenta a serpente...
sou a febre 
que faz você à noite, sozinho,
suar.

( Odete Ronchi Baltazar )

 



Sob este véu, meu corpo se aquece 
e pede aos céus, perdão. 
Perdão, não pelo que aparece,
na inquieta transparência,
da ardência de um desejo suspeito,
suspenso em vão, 
no vão do meu peito.

( Elane Tomich )

 



Coberta em panos negros
De alguma transparência
Eu, mulher mostro-me bela
Como bela é minha essência.
Ninguém há de roubar assim
O meu lindo corpo perfeito!

( Francisco Libânio )
 




Apesar de tudo,
desta escura paisagem
ainda guardo predicados de brilho
que ignoram o sopro da morte
porque dar à luz a vida
é um ato essencialmente feminino.

(Nídia Caldas )

 



Ao longe meu olhar distante,
Transparente neste olhar carente e contido,
Nas transparências deste véu me cobrindo
O corpo desnudo deste sentimento perdido...
Numa falsa tristeza, de um amor em luto,
A inocência queima nesta chama
De amor retido!

(Arlete Maria)
 




Assim...Uma Mulher!...
Em transparências
de um véu...
meu corpo
visto...

( Sonia Mortare )

 

 

 
Música: Adágio - Albinoni
 
Ano I

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