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JAMAIS ABRAÇAR A SOLIDÃO
Carvalho Branco
Por acaso
dei-te a sensação
de me sentir por demais sozinha?...
Se assim te fiz pensar, amor, perdão!...
Neste meu sofrido peito nunca se aninha
este velho sentimento da solidão....
Essa tua oferta de amizade,
esse teu renovar o amor,
que nunca seja feito por caridade
e amor, só vindo das entranhas, o teu fervor...
Nunca haverá fim no teu, no meu caminho...
somos,do vento, redemoinho...
Não quero teu beijo como esmola,
prefiro guardar em mim o meu desejo...
esconder este meu grande amor
no âmago, no seio desta flor,
na sua fértil e íntima corola...
Perdão, se há momentos
em que fraquejo!
Faltam-me talentos!...
Se o amar-me requer tamanho sacrifício,
desde já libero-te de tal tensão...
já que não é tua função, nem teu ofício...
Amor é tão somente doação...
Entretanto, minha porta,
a ti, sempre estará aberta...
meu ser, este amor jamais aborta...
será sempre a ti, a minha oferta...
Se precisares de compreensão,
terás em mim alguém a te ajudar...
Se precisares de um ombro amigo,
no meu sempre poderás chorar...
Se precisares que te doem coração,
o meu, amigo, estará sempre contigo!
E no infinito do tempo
encontrarei meu alento...
Serei a brisa fresca que passa
e quando passa, te enlaça....
Serei o vento forte que sopra
e quando sopra, galopa,
derramando, sobre ti,
uma gama, uma tropa
de profundas emoções,
de fortíssimas sensações
que contigo experimentei e vivi...
Se é assim que o queres,
adeus, amor e até sempre...
Nem te detenhas no quanto me feres...
No mundo etérico existe um templo
que cultiva... de cultura
ao amor e à ventura...
e quando sentires saudade,
que o contemples,
que nele revivas a felicidade
que vivemos...
Este mundo paralelo
será sempre o nosso elo,
ali nós sempre nos teremos!...


Fevereiro/2005
Música: O Mio Bambino Caro - Puccini
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