|
QUANDO O ADEUS É PARA SEMPRE
Iracema Zanetti
Amei com todas
as forças do meu Ser
E de repente, como castelos de areia,
Levados pelas vagas ou ventos,
Vi meus desejos, esperança amor e sonhos,
No fundo de um escuro poço.
Amedrontada fechei os olhos
pedi a um poder maior
Que colocasse a tampa sobre a boca do poço
Para não serem ouvidos
gritos e gemidos do meu âmago
Ante a ironia do Ser
que eu amava tanto
e só fazia escarnecer
Rir e zombar da dor, dos sentimentos,
Da alma e da pureza do meu amor!
Grossas lágrimas
cristalizaram-se em meu rosto.
Meus gritos, gemidos e choros,
calaram-se no fundo do poço.
Onde nem sequer uma réstia de luz
diferenciasse o dia da noite,
Onde nem sequer a mais leve brisa
soprasse para afagar meu corpo...
O medo fazia-me ver fantasmas
onde somente o caos existia.
Apertei com mais força
os olhos fechados para que o pavor
Não superasse minha coragem
ante a visão da morte!
Tentei voltar meus pensamentos
alguns anos atrás,
Quando a vida parecia
ser maravilhosa...
Ó deuses onde errei o que fiz
para merecer tanto sofrimento
Se me doei de corpo e alma,
dei minha seiva, minha vida meu gozo...
Ao Ser que mais parecia Anjo do que Demônio!


Fevereiro/2005
Música: O Mio Bambino Caro - Puccini
|