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DD,
Muito triste qualquer perda, mas a morte
de um ente querido parece ser a dor maior.
No ano passado perdi minha irmã caçula e
agora, em novembro, aos 21 anos,
Francesco, um amigo da família, perdeu a
vida abruptamente num acidente de carro.
Não sou boa para tratar de perdas,
injustiças e morte. Tento trabalhar
desesperadamente o tão famoso desapego de
Khrisna, tão bem descrito no livro
Bhagavad Gita, mas desde cedo tenho
dificuldades em trabalhar a partida, em
entregar a Deus e dizer o definitivo
adeus. Talvez eu seja muito egoísta ou não
tão espiritualista como gostaria.
Por isso estarei ausente, não escreverei o
lindo poema esperado, embora eu possa
aquilatar a dor daqueles que ficam
sofrendo pela despedida.
Paradoxalmente, creio sim que a morte não
existe, mas mesmo assim não consigo lidar
com tanta tranqüilidade a agonia,o coma, o
último suspiro, o velório e a ida desta
vida.
Consciente desde a infância da brevidade
da vida, por saber que sou cardíaca,
aprendia dar um valor fantástico à benção
de estar viva. Nunca consegui entender
muito bem as pessoas que não querem viver.
Agradeço diariamente a benção de poder
estar viva, ter uma família maravilhosa e
também ter e poder contar com amigos tão
queridos.
Como diria Leonardo da Vinci, "viver é uma
arte", e estou tentando já a algumas
décadas aprender a viver para aprender a
morrer, contrariando infelizmente o grande
Osho que dizia que a arte de morrer irá
ensinar a todos a aprender a viver. O
livro dele sobre o assunto, por sinal, é
belíssimo.
Que as lágrimas daqueles que sofrem a dor
da partida possam se cristalizar em flores
de gelo, enfeitando e enfrentando com
galhardia o sonho daqueles que ficam
petrificados pelo sofrimento. Mas que logo
depois essas flores de gelo derretam em
orvalho de agradecimento, enfeitando
novamente a vida dos que precisam ainda
ficar cumprindo a sua missão aqui na
Terra.
De: Winterthur, Suíça |