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COM OS ERROS
Júlia Sousa
Deixa-me
chorar.
Deixa-me esquecer o que destruímos por amor.
Deixa-me agora em paz
para esquecer do que nunca fui capaz.
Chorei duas vezes por amor.
A primeira foi uma flecha mortal,
doeu tanto,
mas nessa época era forte,
sabia conter as lágrimas,
mas não esqueci,
está na minha memória a dor interminável
e a simples questão:
Porquê eu ... ?
A segunda vez,
não, não chorei perante ti,
sou forte,
não, não sou,
mas perante os outros,
forte eu sou.
Foi um frio adeus,
um até breve,
talvez um até nunca.
Agora sei que te amava de verdade,
porque as lágrimas que corriam no meu rosto
jorravam como as gotas de chuva que embatem nas
vidraças.
Não paravam,
aquele nó na garganta que me estrangulava,
o coração que batia louco de desgosto,
e as palavras que não saiam.
Amei-te sim,
meu primeiro verdadeiro amor.
Agora nem sei onde estás,
mas na minha memória permaneces
como uma suave passagem.
Uma suave memória de juventude,
uma suave nuance na tela da vida.
Dói muito sim.
Mas quem nunca conheceu estas dores de amor,
talvez não conheça o verdadeiro sentido do romantismo.
Amar é tão bom,
sofrer é doloroso,
e quando se perde um grande amor
parece que a vida termina.
Mas também não é assim,
com os erros aprendemos,
com os erros tornamo-nos mais fortes,
com os erros crescemos,
e com os erros vivemos.


Fevereiro/2005
Música: O Mio Bambino Caro - Puccini
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