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CINDERELA MODERNA
Carvalho Branco
Cinderela foi
à vila,
procurar por um alguém...
alguém feito de argila,
de força divina também...
e qual dona Baratinha,
a cada canto rebuscado,
encontrou pobre coitado
e sem ter fada madrinha,
ficou sem príncipe encantado!...
Entretanto, a pobrezinha,
não cansou de procurar
e de tanto jogar linha,
chegou, das Letras, ao reino,
para um nobre encontrar...
Apesar da experiência,
ainda lhe faltou treino;
depois de toda vivência,
casou-se um nobre com ela...
Sua vida dá novela!
Ao Reino da Felicidade
pensou a pobre adentrar...
ficou, porém, na saudade:
morreu na praia, no altar...
Seu nobre rei e senhor,
mais parecia um sultão,
nunca soube o que é o amor,
divide seu coração,
com quem mais quiser entrar...
Lágrimas de grande tristeza,
derramou nossa poeta rainha
Primeira Dama chamada;
do poço, foi à profundeza,
mas logo à tona ela vinha...
Resolveu, pois, a questão:
trancando seu coração,
ficando quieta, calada,
foi do rei se afastando...
em sua torre encerrada,
no virtual foi amando...
E hoje assim encarcerada
dentro de um mundo não real,
constrói castelos de areia
e segue a sua jornada,
buscando achar um final
mais feliz em sua aldeia...
tece teia de ilusões,
mudando da vida os padrões...
Falta ter último ato
pra fechar boca de cena;
está faltando um fato...
quem sabe, jogá-la na arena...
ser comida por leão,
talvez dê mais sensação!
Por Barba Azul, esquartejada,
é sempre uma solução...
Quem sabe, inda aparece a fada?
E vamos lá, sem mais essa!
Não é tragédia, é só peça
que o destino escreveu...
Vai sair no "Especial"
do Luna, quem mais quer ler?
É só a história de um ser
sem uma maior expressão,
que partiu seu coração
pelas esquinas da vida,
mas não se dá por perdida!...


Fevereiro/2005
Música: O Mio Bambino Caro - Puccini
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