APOSTILA BASE

 

Leda Galvão de Avellar Pires*

 

 

 

I – NASCIMENTO DO TEATRO

 

Cenário: A praça do velho mercado de Atenas.

 

Platéia: cidadãos atenienses que preferiam acreditar muito mais em Tespis que em Sólon.

 

Ator: Tespis, com uma túnica rústica e máscara no rosto, desce solenemente os degraus de um altar que improvisara sobre uma carroça e exclama: EU SOU DIONÍSIO1

 

Poder-se-ia afirmar que esta cena foi o marco inicial do nascimento do Teatro, de um teatro clássico que atravessaria os séculos, misturando realidade e fantasia, tragédia e comédia. Mas o teatro não é uma invenção grega espalhada pelo resto do mundo.

Os homens primitivos, que nem sequer conheciam a escrita, já desde a Idade Paleolítica se travestiam e usavam máscaras para suas danças e, posteriormente, para esboços de diálogos. Essa teatralização era realizada em momentos importantes para a tribo: ritos da puberdade, casamento e morte, representação da caça, da guerra, do ciclo das colheitas e das oferendas aos deuses. Tal como as crianças, eram imitadores do mundo que os cercava. Inicialmente, seus meios de expressão eram simples, mas foram evoluindo gradualmente e seus ritos ou imitações destes passaram a assumir maior complexidade.

A diferença fundamental, entretanto, entre as encenações primitivas e o teatro clássico é que, no primeiro, imperava o espírito religioso, era muito mais um ritual, e o ator julgava estar possuído pela divindade da qual colocara a máscara. No segundo, o ator não se identificava com a divindade e o público se convencia de que, perante ele, não estava um deus, mas um ator disfarçado como tal.

Este segundo conceito de teatro ampliou as formas de representação. As vidas dos deuses eram enriquecidas com poemas e diálogos.

Antes mesmo do florescimento do teatro grego da Antigüidade, a civilização egípcia tinha nas representações dramáticas uma das expressões de sua cultura. Tendo origem religiosa, se destinavam a exaltar as principais divindades de sua mitologia.

A peça mais antiga que se conhece é um drama religioso egípcio escrito em 3200 a.C. que relata a história do assassinato do deus Osíris por seu irmão Seth. O texto dessa peça, escrito num papiro, foi descoberto por arqueólogos em Luxor, em 1895.

Foi do Egito que o teatro passou para a Grécia, onde floresceu graças à genialidade dos dramaturgos gregos.

No continente asiático o teatro também existia. Na China, por exemplo, ele foi estabelecido durante a dinastia Hsia e se prolongou do ano 2205 ao ano 1776 a.C. .

A Índia começou a desenvolver seu teatro cinco séculos antes da era cristã. Seus poemas épicos Mahabharata e Ramayana  foram grandes fontes de inspiração dos primeiros dramaturgos hindus.

O Japão, durante a Idade Média, e a Coréia, antes da era cristã, também desenvolveram, à sua maneira, formas próprias de teatro.

O teatro japonês, contudo, apresenta contrastes entre o velho e o novo. O Teatro Nô precedeu de vários séculos qualquer das instituições teatrais organizadas do mundo ocidental. Não sofreu, entretanto, qualquer alteração nos últimos seiscentos anos e possui um repertório de mais de duzentas e cinqüenta peças. O efeito sobre o espectador, mesmo que este não conheça a língua, é impressionante.

Cenários, trajes, música, movimentos da dança, gestos, expressões faciais, efeitos vocais, tudo se combina para criar um conjunto que eleva e comove. Mas para se compreender essas peças curtas, onde o gesto e até o silêncio têm maior importância que a palavra, é preciso saber que estes repousam sobre símbolos cujo conhecimento é indispensável. Ao manipular os leques de diferentes modos, o ator pode sugerir chuva, o ondular das águas ou um belo luar.

Só há atores do sexo masculino que, com máscaras, podem representar quaisquer personagens: uma mulher, um deus, um demônio ou um velho.

O Teatro Kabuki difere radicalmente do Teatro Nô. Data de 1603, quando a bailarina Okuni, encenou com grande sucesso peças eróticas, em Kioto. Esse tipo de teatro ficou associado à prostituição, e, em 1629, as mulheres foram proibidas de aparecer no palco.

Como a idéia de um teatro popular estava firmada, mais tarde as peças passam a ter figuração masculina. Os atores usam maquiagem ao invés de máscaras para caracterizar os personagens: bom, mau, masculino, feminino, sério, cômico. Os atores também passam a evoluir em espaços mais amplos e, podem ser introduzidos livremente no espetáculo interlúdios musicais ou cômicos. O resultado passa a ser o de um espetáculo animado, colorido e alegre.

Em 1913, foi criado por Ichizoo Kobayashi a Companhia Teatral Takarazuka. O elenco é formado somente por mulheres que se dividem em dois grupos: as que fazem papéis exclusivamente femininos e, as que integram o seleto grupo a quem são confiados os personagens masculinos. Além da beleza física, exige-se nessa Companhia que as mulheres saibam cantar, dançar e que sejam ótimas atrizes.

De qualquer forma, porém, para o mundo ocidental a Grécia é considerada o berço do teatro.

 

  • Leda é Jornalista e Membro da Academia Botucatuense de Letras.

 

Próximo capítulo: Teatros Grego e Romano  

 

 

 

 

 

 
 
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