APOSTILA BASE

por Leda Galvão



 
II TEATROS GREGO E ROMANO  
Os elementos que Tespis vencedor de diversos concursos de tragédias criados pelo tirano Psístrato quando da instituição do teatro na Grécia em 534 a.C. utilizara desorganizadamente em suas imitações, os grandes atores trágicos usariam de uma forma mais racional na Atenas democrática do século V. Uma grande plataforma fixa viria substituir a carroça improvisada de Tespis. Nela era instalado um grande palco onde se poderia montar um espetáculo completo. Os atores, entretanto, continuariam a usar máscaras, porque estas tornavam os rostos maiores e poderiam ser vistas a longas distâncias. Além disso, eram feitas de tal forma que serviam também para amplificar a voz.
As representações em Atenas passaram a ganhar maior dimensão quando foi escolhido um terreno localizado na costa sudoeste da Acrópole, consagrado a Dionísio. Ali, Ésquilo, Sófocles e Eurípides encenaram quase todas as suas tragédias que versavam sobre mitos e realidade. Elas falavam também de heróis legendários lutando contra um destino inexorável e de deuses que recompensavam a coragem e puniam a rebeldia.
Ésquilo é considerado o verdadeiro criador da tragédia e concorreu também aos concursos em Atenas. Embora sendo premiado 12 vezes, só veio a obter o primeiro prêmio em 467 a.C. com sua peça Sete Contra Tebas.
Sófocles, autor de Édipo Rei, foi outro competidor assíduo nos concursos, tendo triunfado 18 vezes.
Eurípides, contemporâneo de Sófocles, completa a grande trindade da tragédia grega. Inaugura o teatro de crítica social e cria personagens saídos do povo. De suas mais de oitenta peças destacam-se As Troianas, Medéia, Electra, entre outras.
Já existiam algumas peças de caráter satírico, de autores trágicos, quando surgiu na Grécia o poeta cômico Aristófanes. Este preferia a comédia cujo objetivo era denunciar a incompetência e a venalidade dos governantes da polis, alertar contra os maus costumes da juventude ateniense e proclamar os sofistas como corruptores das instituições. Satirizava o excesso, a dissipação, a falsidade, o embuste e os sentimentos mesquinhos.
Essas representações eram realizadas durante as festas dionisíacas, e por isso eram consideradas como parte dos festejos religiosos. Em cada uma dessas festividades eram representadas três tragédias e um drama satírico e o público se sujeitava a permanecer o dia todo no teatro. À representação inaugural, compareciam sempre magistrados e sacerdotes de Dionísio.
Os atenienses amavam profundamente o teatro não só por ser ele um divertimento como também pelo seu alto valor educativo. Por considerarem-no assim, a presença de mulheres e de crianças eram admitidas durante as representações.
Os espetáculos eram subvencionados pelo governo, que também remunerava os atores. Estes gozavam de grande estima, quase nunca eram os autores das peças representadas e, às vezes, encarnavam diversos personagens numa mesma peça.
A partir do século IV, os espetáculos passaram a não ser necessariamente ligados ao culto dionisíaco. Já com Eurípides, o último trágico grego, as tragédias já não possuíam o mesmo valor religioso, e depois de Aristófanes as comédias começaram a perder seu áspero aspecto satírico e começaram a se vulgarizar.
Os romanos tomaram dos gregos as idéias principais sobre o teatro, mas em uma época em que a tragédia e a comédia estavam em decadência. Embora tivesse florescido um Teatro trágico com Lúcio Accio, os romanos preferiram o gênero cômico e as encenações espetaculares, pois visavam apenas o entretenimento. Foi tirada também dos textos teatrais toda a conotação polícia e religiosa.
A comédia romana antiga, embora buscasse sua fonte na comédia grega seguindo a linha das sátiras de Menandro, apresentava grande originalidade.
Os principais comediógrafos romanos foram Plauto e Terêncio. Plauto tinha força cômica e grande inspiração lírico-poética. Terêncio era menos cômico, possuía uma linguagem requintada e suas obras foram autênticos manuais de latim até a Renascença. Ambos criaram em suas peças os tipos do fanfarrão, do avarento, do criado astuto e do filho devasso. Jogavam com os sentimentos da dúvida, da ansiedade, da ira e do temor provocando tensões que se desfaziam repentinamente em gargalhadas.
Com a lenta mas progressiva decadência do Império Romano, o teatro foi se tornando corrupto e imoral. Além disso, o povo romano passou a preferir as corridas de carros (bigas, quadrigas),os combates das feras e as lutas dos gladiadores.
Pouco a pouco o teatro foi sendo abandonado na Grécia e em Roma, enquanto nessa mesma época ele florescia na China, Índia e Japão.
 
2.1 Trágicos gregos  
Ésquilo (525 a.C.-456 a.C.) De toda a sua obra restam apenas oito tragédias completas: As Suplicantes, Os Persas, Sete Contra Tebas, Prometeu Acorrentado, Alcestis, Trilogia da Orestíade: Agammênon, As Céforas, As Eumênidas.  
Sófocles (496 a.C.-406 a.C.) Sete peças integrais restaram de suas obras: Antígona, Ájax, Édipo Rei, Electra, As Mulheres de Tráquinis, Filocteto, Édipo em Colona.  
Eurípides (ou Eurípedes) (480 a.C.-406 a.C.) De suas oitenta obras restam: Andrômaca, As Bacantes, O Ciclope, As Fenícias, Hécuba, Helena, Os Heráclides, Hipólito, Ifigênia em Aulis, Ifigênia em Táurida, Íon, Medéia, Orestes, Resos, As Troianas.  
Aristófanes (445 a.C.- 385 a.C.) Comediógrafo ateniense, suas principais obras são: Os Babilônios (primeira sátira política que o mundo conheceu), Daetalianas, As Mulheres no Parlamento, As Nuvens (peça em que ridiculariza Sócrates), As Rãs (sátira literária contra Eurípides), Os Pássaros, Lisístrata, As Vespas, Plutão, Os Arcanienses, Mulheres no Festival, A Paz, Os Cavaleiros.  
Lúcio Anneu Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) Sêneca escreveu uma série de tragédias mais destinadas a serem lidas do que representadas, Imitava, em geral, os grandes autores gregos.  
2.2 Dramaturgos e Comediógrafos romanos  
Plauto (254 a.C.- 184 aC.) Comediógrafo, autor de 130 peças das quais foram conservadas 20. Entre elas: Anfitrião, Pámela, Os Sósias, O Soldado Fanfarrão, Os Prisioneiros, O Gorgulho, O Trapaceiro, O Criado Truculento, Os Espíritos, Aululária, imitada por Molière em O Avarento, Menecmos, imitada por Shakespeare em Comédia dos Erros.  
Terêncio (194 a.C.-159 a.C.) Autor de seis comédias em versos: A Moça de Audros, O Eunuco, O Punidor de Si Mesmo, Formione, A Sogra, Os Irmãos.

 

 

 

 

 
 
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