APOSTILA BASE

 

 

IX – TEATRO BRASILEIRO (3ª. parte)

 

Martins Pena, Macedo, José de Alencar e Artur Azevedo tornaram-se os principais representantes do Teatro de Costumes que nasceu em plena época do romantismo e que se emancipou da literatura portuguesa.

Esse teatro representou a vida na Corte de Dom Pedro II e da República, a abolição e a escravidão. Foi também um teatro crítico, satírico e censor dos costumes sociais e dos erros políticos da época.

Seguiu-se a Artur Azevedo, Coelho Neto, com as peças O Relicário, O Diabo no Corpo, A Muralha, mas O Quebranto foi considerada a melhor delas.

Na mesma linha de preciosismo vocabular de Coelho Neto incluem-se o poeta Goulart de Andrade, com Renúncia, Depois da Morte, Sonata ao Lua; João do Rio, com Bela Madame Vargas, Um Chá das Cinco; Roberto Gomes com Casa Fechada, Berenice; Paulo Gonçalves com As Noivas, Comédias do Coração; Gastão Tojeiro com Onde Canta o Sabiá e Felisberto no Café.

A Semana de Arte Moderna, em 1922, investiu contra o que considerava um “teatro indeciso e acadêmico”. Renato Viana aliou-se ao poeta Ronald de Carvalho e ao compositor Villa-Lobos. Dessa aliança resultou o movimento denominado “ A Batalha da Quimera” , que, levando à cena o espetáculo A Última Encarnação de Fausto, inaugurou no Brasil o teatro de síntese e a valorização dos planos e da direção.

Eugênia e Álvaro Moreyra, este, autor da peça Adão e Eva e Outros Membros da Família , fundaram o Teatro de Brinquedo em 1927.

A seguir, em 1938, também no Rio de Janeiro é lançado o Teatro do Estudante, concebido por Paschoal Carlos Magno. O elenco é formado por universitários e a primeira peça apresentada é Romeu e Julieta, tendo como diretora Itália Fausta e principais protagonistas Paulo Porto e Sônia Oiticica.

Mais tarde, o grupo Os Comediantes, formado por artistas amadores que atuaram no Teatro do Estudante, se propôs a uma reforma estética do teatro nacional introduzindo modernos conceitos de direção, novos recursos de cenografia e iluminação.

Joracy Camargo, que viera do Teatro de Brinquedo, apresentou a peça Deus Lhe Pague, com o ator Procópio Ferreira com enorme sucesso, e sua apresentação foi considerada a primeira tentativa de teatro social no Brasil.

Procópio Ferreira teve em Viriato Corrêa (Zuzu, Bombonzinho, Sansão), em Oduvaldo Viana (Manhãs de Sol, A Casa do Tio Pedro, O Vendedor de Ilusões), em Gastão Tojeiro (Onde Canta o Sabiá), em Joracy Camargo (O Bobo do Rei, Anastácio, Maria Cachucha), os autores do primeiro decênio de sua carreira.

A primeira metade do século XX se caracteriza mais por um teatro comercial. Os atores não só lideram as peças como também passam a ser a principal atração.

Algumas vezes aliam dramaturgos e atores, como no caso da década de 30, quando foi construído um novo teatro de comédia no Rio de Janeiro. Essa casa de espetáculos – Teatro Rival – foi aberta ao público com a peça Amor, de Oduvaldo Viana e, como atriz principal, Dulcina de Moraes que iniciara sua carreira na Companhia de Leopoldo Fróes.

Dulcina e seu marido Odilon de Azevedo criaram a Companhia Dulcina-Odilon, que continuou sua carreira triunfal por quase três décadas.

Em 1940 surgia, também no Teatro Rival, a Companhia Eva Todor, dirigida pelo ator e empresário Luís Iglesias. A peça de estréia foi Feia, de Paulo de Magalhães, que se casou com uma das intérpretes, Heloísa Helena. Essa Companhia durou mais de duas décadas tendo representado em quase todo o Brasil e, ainda, em Portugal, Angola e Moçambique, e perdurou até a morte de Luís Iglésias.

Algumas das peças apresentadas foram Mocinha, Lili do 47, de Joracy Camargo; Chica Boa, A Cigana me enganou, de Paulo de Magalhães; A Mancha, de Pedro Bloch; Chuvas de Verão, Sol da Primavera, Bicho do Mato, do próprio Iglesias.

Em São Paulo, em 1948, é inaugurado o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) criado inicialmente para abrigar encenações de grupos amadores. Dois desses grupos ainda estão à frente da renovação do teatro nacional: Grupo de Teatro Experimental, de Alfredo Mesquita, e Grupo Universitário de Teatro, de Décio de Almeida Prado.

Alfredo de Mesquita criou mais tarde a Escola de Arte Dramática, de cuja primeira turma fazem parte os atores Leonardo Vilar, José Renato, criador do Teatro de Arena, Moná Delacy, Armando Paschoal, Odilon Nogueira, entre outros.

Em 1943 o TBC se profissionaliza com a contratação de atores e do diretor Adolfo Celi, dando início a um repertório eclético. Foram encenadas peças de Saroyan, Sartre, Wilde, Tennessee Williams, Pirandello, Anouih, Gorki, Sófocles, Bernard Shaw, Bem Jonson, Schiller, Ugo Betti, Arthur Miller, Strindberg, mas o único autor nacional que figura entre tantos autores estrangeiros é o de Abílio Pereira de Almeida.

O TBC encerra suas atividades em 1964, mas outras Companhias se formam nos mesmos moldes: o Teatro Popular de Arte, de Maria Della Costa, a Companhia Nídia Lícia-Sérgio Cardoso, o Teatro Cacilda Becker e a Companhia Tônia-Celi-Autran. (O TBC foi reaberto em no dia 21 de fevereiro de 1999 após restauração realizada pelo empresário paulista Marcos Tildeman. O teatro, segundo o próprio empresário, não será uma casa de aluguel para espetáculos, mas um espaço que privilegiará trabalhos de qualidade tanto nas artes cênicas como na área de shows).

O Teatro Oficina fundado em 1958 por um grupo de estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo – USP -, passa por uma fase stanislavskiana, orientado por Eugênio Kusnet. A seguir, evolui para uma fase brechtniana com as peças Galileu, Galilei e Na Selva das Cidades, de Brecht, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa.

Esse teatro é invadido pela polícia em 1974 e José Martinez parte para um “auto-exílio” em Portugal, retornando em 1978.

O Teatro Experimental do Negro surgiu em 1944, tendo durado cinco anos e desapareceu com a morte de seu principal ator, Aguinaldo Camargo. Peças apresentadas: O Imperador Jones e Todos os Filhos de Deus Têm Asas, de Eugène O´Neill; Calígula, de Albert Camus; O Escravo, de Lúcio Cardoso. Desse movimento é oriunda a atriz Ruth de Souza, que vem atuando no cinema e na TV.

Em 1948, o médico, teatrólogo, jornalista e radialista José Silveira Sampaio – sua peça Futebol Em Família, escrita com Arnaldo Faro, recebeu um prêmio do Jornal do Brasil -, teve a feliz lembrança de inaugurar o Teatro de Bolso do Rio de Janeiro. Nesse teatro, apresentou unicamente peças de sua autoria (Da Necessidade de ser Polígamo, Garçonnière do Meu Marido, Deu Freud Contra), sempre com grande sucesso. Silveira Sampaio acabou por se afastar do teatro a partir de 1954, absorvido pela televisão.

A partir de 1955 outros grupos foram se formando e abrindo novas casas de espetáculo. No Rio de Janeiro, Teatro Jovem, Teatro do Rio, Teatro da Praça, Teatro Leblon, entre outros. Em São Paulo, Teatro de Arena, Grupo Oficina, Teatro da Universidade Católica (Tuca), Teatro da Universidade Mackenzie (Tema), Teatro da Universidade de São Paulo (Tusp), Teatro SESC, Teatro Paulista de Estudantes, Teatro Paulo Autran, Teatro Ruth Escobar, Teatro Augusta entre outros.

Dedicados ao público infantil surgiram: no Rio de Janeiro, o Teatro Tablado, fundado por Maria Clara Machado, Brutus Pedreira e Martim Gonçalves; em São Paulo, Companhia Alessandro Memo, Teatro Infantil da Companhia Nídia Lícia, Grupo Evolução do Teatro, que já adaptou As Artimanhas de Escapino, de Moliére, e duas farsas medievais: O Pastelão e a Torta e A Farsa do Mestre Raposão.

Na década de 60 surge na cena brasileira uma vigorosa geração de dramaturgos, destacando-se Plínio Marcos, Antonio Bivar, Leilah Assumpção, Consuelo de Castro, José Vicente.

Cemitério de Automóveis, de Arrabal, e O Balcão, de Genet, peças dirigidas por Victor Garcia e produzidas por Ruth Escobar, marcam o ingresso do teatro brasileiro numa fase de ousadias cênicas.

No Teatro Opinião são adaptados shows musicais desenvolvendo-se ali um trabalho teatral de caráter político.

Com a censura militar no seu apogeu, a dramaturgia nacional passa a se expressar por meio de metáforas. Mesmo assim, Fauzi Arap escreve peças que refletem as alternativas de vida e a homossexualidade. Surgem grupos como Asdrúbal Trouxe o Trombone, que retrata a classe média. O Pessoal do Despertar, O Pessoal do Victor, saídos da Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD).

Sob a liderança de Carlos Alberto Soffredini é criado o Teatro Mambembe, e liderado por Cacá Rosset e Luís Roberto Galizia surge o Teatro Ornitorrinco.

O Grupo Pau Brasil, em 1978, estréia com Macunaíma, sob a direção de Antunes Filho, inaugurando uma nova linguagem cênica em que as imagens têm a mesma força da narrativa.

Na década de 80 surge na dramaturgia brasileira uma nova vertente: o Besteirol, que cresce no Rio de Janeiro e tem como principais representantes Vicente Pereira e Miguel Falabella.

Em São Paulo destacam-se como dramaturgos Luís Alberto de Abreu, Maria Adelaide Amaral, Flávio de Sousa, Alcides Nogueira, Naum Alves de Souza, Marcos Caruso, Jandira Martini, Renato Borghi, Edla von Steen, Antonio Bivar, entre outros.

Antonio Abujamra cria em 1991 o grupo carioca Fodidos Privilegiados. A idéia nasceu quando um grupo de atores de novelas da TV, Vera Holtz e Cláudia Abreu entre eles, se uniu para ler Fedra.

A intenção, de acordo com Abujamra foi fundar um “grupo sem a postura de somente pensar em dinheiro”. O grupo ensaia suas peças num antigo teatro espremido entre um cinema pornô e a Câmara Municipal.

Na década de 90, os Festivais de Teatro Amador e a criação do Mapa Cultural Paulista vêm incentivando a formação de grupos amadores de teatro em várias cidades do interior do Estado de São Paulo, a realização de Oficinas Culturais e apresentações de Teatro de Rua.

 

Em outros Estados brasileiros pode-se perceber, igualmente, uma dinamização na apresentação de espetáculos teatrais.

Em Curitiba, Paraná, foi construído o belíssimo Teatro de Arame.

Em Salvador, Bahia, foi criado há três anos o Núcleo de Teatro de Repertório, do Teatro Castro Alves e dentro desse projeto já foram montadas as peças Otelo, de Shakespeare, O Sonho, de Strindberg e Medéia, de Eurípides.

O Teatro Amazonas, em Manaus, começa a abrir suas portas para peças teatrais e cria o Centro de Artes Chaminé, que divide os espaços de seus cinco salões de exposição com a dança e o teatro.

 

 

 
 
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