APOSTILA BASE  

Por Leda Galvão


 

IX TEATRO BRASILEIRO 1ª. Parte


 
No início do período colonial século XVI os jesuítas usam o teatro com a finalidade de catequizar os indígenas , destacando-se entre estes José de Anchieta, Manuel da Nóbrega, e Aspilcueta Navarro. O mais atuante deles é o padre José de Anchieta, que com os indígenas e os primeiros colonos encena suas peças faladas em tupi-guarani , português e espanhol.
Anchieta é autor de diversos autos dos quais podemos citar : O Auto da Pregação Universal , Auto de São Lourenço, Auto de Natal . Sua mais longa peça teatral é Na Aldeia de Guaraparim, escrita na língua tupi .
É interessante lembrar que quando os jesuítas chegaram ao Brasil já encontraram figurinhas de barro enfeitadas com penas multicores que eram usadas pelos índios para narrar seus feitos heróicos , a caça , e representar seus personagens míticos.
O Brasil-colônia não ofereceu autores teatrais de vulto , excetuando-se o baiano Manuel Botelho de Oliveira , com Hay Amigo , Amor , Engaños e Celos, e Cláudio Manoel da Costa com Parnaso Obsequioso .
Nesse período o que havia, principalmente , eram formas primitivas de teatro popular , como as Folias de Reis ou reisados , Bumba-meu-Boi e de velhos autos portugueses como A Chegança dos Mouros , A Nau Catarineta etc. Não havia a profissão de ator .
Raymundo Magalhães Júnior (1968:27) conta que o primeiro teatro surgiu no Rio de Janeiro , quando o Brasil já era um Vice-Reino, foi a Casa da Ópera , onde eram representadas traduções das peças de Pietro Metastásio, ainda em vida do famoso autopr italiano. Essa Casa da Ópera ficava situada no centro da cidade . Depois de seu incêndio em 1769, quando era representada a peça Os Encantos de Medéia, de Antônio José da Silva, o Judeu , a rua onde se localizava passou a se chamar Rua do Fogo . A nova Casa da Ópera , construída no Largo do Carmo, atual Praça 15 de Novembro , foi solenemente inaugurada pelo vice-rei D.Luís de Almeida Portugal. Entre os artistas destacam-se Joaquim da Lapa , Joaquina Maria da Conceição da Lapa e o inteligente mulato José Inácio da Costa , poeta e repentista , conhecido como Capacho .
O antigo barbeiro Fernando José de Almeida, protegido do Marquês de Aguiar, penúltimo vice-rei do Brasil, conseguiu o patrocínio do Príncipe Regente para construir uma ampla sala de espetáculos , o Real Teatro São João.
Esse teatro , construído num terreno entre o Rocio ( hoje Praça Tiradentes) e a Igreja de Lampadosa, foi solenemente inaugurado no dia 12 de outubro de 1913. Encontravam-se presentes à cerimônia o Príncipe Regente e sua esposa Carlota Joaquina. Do programa constaram o drama lírico O Juramento dos Numes e a peça O Combate do Vimieiro.
Dom João VI, grande apreciador do canto lírico , fez vir de Nápoles vários homens com voz de soprano ou castrati como eram chamados. Entre eles destacavam-se Tomasini, Fasciotti e Bartolozzi, donos de uma voz de entonação feminina e maviosa , de acordo com os cronistas da época . Dom Pedro I, como seu pai , era um entusiasta da música e compunha peças musicais. O Hino da Independência foi composto por ele com letra de Evaristo da Veiga.
Devido ao sentimento nativista que preparou a Independência , surgiu o movimento nacionalista no Teatro Brasileiro .
A encenação em 1838 por João Caetano de Antonio José ou O Poeta da Inquisição , de Gonçalves de Magalhães e, O Juiz de Paz na Roça , de Martins Pena , marca o início de um teatro com autores , atores e temática brasileiros .
No ano seguinte , foi inaugurado o Teatro São Pedro de Alcântara, com a peça de Gonçalves de Magalhães, O Olgiato. Esse teatro era o antigo Real Teatro de São João que foi reconstruído várias vezes , passando a ter o nome de Teatro João Caetano que até hoje conserva .
Um dos grandes méritos de João Caetano foi o de ter suscitado o interesse de escritores brasileiros pelas peças teatrais . Nascido em 1808 no Rio de Janeiro , João Caetano desde sua adolescência dedicou-se ao teatro como amador , e em 1827, foi um dos intérpretes centrais da peça O Carpinteiro de Livônia.
Liderou o teatro nacional sem deixar de acolher valores portugueses radicados no país . Ansiando por se tornar sucessor do grande ator francês Talma, levou à cena várias obras de Shakespeare, de Alexandre Dumas entre outras. Uniu-se à atriz e bailarina Estela Sezefreda e fundou uma companhia própria que estreou em Niterói em 1883, com a peça O Príncipe Amante da Liberdade .
Foi imortalizado pelo escultor Chaves Pinheiro no monumento inaugurado em frente ao Teatro João Caetano, a 3 de maio de 1891, ao interpretar o papel central da peça Oscar, o Filho de Ossian, do francês Antoine Vincent Arnault.
Mais tarde , o espaço deixado vago por João Caetano, foi ocupado nas décadas de 1860 e 1870 pelo ator português Furtado Coelho . Este apresentou em suas companhias atrizes como Adelaide do Amaral, Eugênia Câmara famosa por seus amores com o poeta Castro Alves e Ismênia dos Santos que com ele contracenava no drama O Anjo da Meia-Noite , de Theodore Barrière e Lambert Thiboust. Gonçalves Dias , um de nossos maiores poetas românticos, autor de Beatriz de Cenci, Patkul, Boabdil, somente teve seu valor como teatrólogo reconhecido postumamente. Suas peças , sob o ponto de vista histórico , traduziram uma das mais veementes críticas ao absolutismo português .
Na chamada segunda geração romântica destacam-se os poetas Álvares de Azevedo, com Macário, Castro Alves com Gonzaga ou A Revolução de Minas , Casimiro de Abreu, com Camões e Jaú .
Joaquim Manuel de Macedo escreveu as peças O Primo da Califórnia , O Macaco da Vizinha e inúmeras outras, mas nenhuma obteve o êxito de A Moreninha, romance adaptado à cena por ele mesmo .
José de Alencar, romancista , contribuiu com o teatro escrevendo as peças O Demônio Familiar , As Asas de Um Anjo , O jesuíta .
Machado de Assis, com Lição de Botânica , Não Consultes Médico , Depois da Missa , embora possuísse uma grande visão da realidade cênica , não conseguiu que suas peças apresentassem grandes qualidades . Como crítico teatral , escreve em 1873: Não há, atualmente , teatro brasileiro , mas nessa mesma época , entretanto , aparece no Rio de Janeiro um autor maranhense , Artur Azevedo, que dominaria o teatro nacional até sua morte em 1908. Sua produção teatral foi imensa e deu início ao movimento que redundaria, já no século XX, a construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro . Suas peças A Capital Federal e Mambembe são consideradas obras-primas da dramaturgia brasileira .
(continua)  

 

 

 

 

 
 
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