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"E ao final de nossa jornada
Retornaremos ao ponto de partida
Sem reconhecermos a trilha já tão percorrida"
T.S.Eliot

O LOUCO
Não ter o pudor
percorrer livre solto
no seu caminhar
Zeca Pestana

Que louca sou eu?
Que sinto na mente
Pecado original
Meio do caminho
Vinde a mim, sana loucura:
Caminho do Meio !
Cleusa Bechelani

Dentre todos os loucos
Penso com o coração
Se pecado, não é meu
Atalho para outras escolhas
Me cura da dura realidade
Meio que é Principio ou Fim
Lourdinha Biagioni

O BOBO
The Fool - The Mate - Le Mat

ARQUÉTIPO: A criança
LETRA: Tau = T - Símbolo: Peito ou Colo
NÚMERO: 0
A totalidade original.
O tudo e o nada.
O número que jamais pode ser modificado.
O estado antes do início.
Embora o zero não seja realmente um número, já que não designa uma quantidade nem cifra (está à margem de qualquer ordem ou sistema) é o início, ou vanguardeiro dos algarismos. Simbologicamente (numerologicamente falando) significa o eterno, o universo. Os trajes de cores desencontradas sinaliza influências múltiplas e/ou incoerentes. trata-se de um Arcano irracional; refere-se ao uso do inconsciente ou do anormal , no sentido de subverter alguma ordem maligna reinante.
Analogias: O círculo, o estado primordial, a infância.
Associações: Na Astrologia está associado aos planetas Netuno, Urano, Plutão e Vênus. Esta carta, como ponto último ou inicial do Tarot, associa-se ao signo de Peixes (último signo zodiacal). E, também, por indicar começos e iniciativas criativas, ou reativação de antigas situações estagnadas, a carta remete, também, ao signo de Áries, do elemento fogo.
Mensagem: Quem não tiver um objetivo fixo não poderá perder-se. E é quando estamos perdidos que estamos a ponto de nos reencontrar.
Qualidade: Espontaneidade, despreocupação, admiração, saudades, espírito aventureiro.
Objetivo: Alegria, prazer, novidade.
Sombra: Infantilidade, o caótico. Instabilidades
Roupas rasgadas: conflito entre as emoções.
ALGUMAS SÍNTESES:
O Bobo foi ó único trunfo que conseguiu sobreviver, ou seja, também é encontrado nos baralhos atuais como a carta do coringa. Muitas vezes é visto como o herói que percorre todas as 21 estações arquetípicas dos Arcanos Maiores, para em seguida começar outra vez no próximo campo de experiência.
Por esta razão, Waite o denomina de "o espírito em busca de experiência".
Ele é a criança adorável que dá vida à nossa existência. Sorte nossa que o bobo possa se sentir intimidado, mas jamais destruído. O caos que ele ocasiona muitas vezes tem algo de agradavelmente libertador e nos fornece um ponto de partida totalmente novo, que em comparação com nossos planos originais é vivo e muito solto. Se quisermos ter mais alegria em e com a vida, então teremos de transformar o bobo que há em cada um de nós em nosso amigo. (Hajo Banzhaf)
A nível psicológico, o Louco, configura a imagem do impulso misterioso dentro de cada um de nós, aquilo que nos impele para o desconhecido, para a direção das mudanças; algo que surge do nada, que não possui nenhuma base ou argumentação racional, e que tampouco foi preparada ou projetada anteriormente, a abertura de caminhos e a ampliação de horizontes desconhecidos. Sempre que somos acometidos por este impulso misterioso, nós também nos colocamos feito ele no umbral de uma nova jornada. Vale lembrar, que os impulsos irracionais em algumas circunstâncias são muito criativos; em outras, contudo , são destrutivos e na maior parte das vezes são as duas coisas ao mesmo tempo. Então, o louco é uma figura ambivalente, pois não existe garantia, no início de cada viagem, de chegarmos a salvo, ou mesmo de chegarmos ao final dela. (Juliet Sharman-Burke e Liz Greene)
Um louco é aquele que segue acreditando a despeito de todas as suas experiências. Você duvida dele, mas ele crê em você. E, você diz que ele é um louco, um tolo, mas ele não aprende. Sua confiança é tamanha e tão pura que ninguém, nem nada pode corrompê-lo. Seja um tolo/louco no sentido Zen, no sentido Taioista. Não crie uma parede de conhecimento ao seu redor. Deixe a experiência, qualquer que seja, vir e vá limpando sua mente continuamente. Morra sempre para o passado, assim poderá permanecer no presente como se fosse um recém-nascido.(Osho Dang Dang Doko Dang Chapter 2)
Realizar-se na vida não significa ter seus sonhos ingenuamente concretizados. Pode ser bom lembra-se deles, mas só para que nenhum desejo ou esperando sejam destruídos cedo demais. uem quer salvar todas as fantasias da infância sobre a felicidade, levando-as para a vida adulta, nunca tornará uma pessoa amadurecida. No entanto, quem as sufocar antes que sejam concretizadas ou postas de lado pelos acontecimentos, transforma-se em um velho. Viver de verdade significa renunciar a algo com consciência, conquistar e despedir-se, ser feliz e sofrer. (Phillip Metman)
Não tema o caos, pois do caos sempre nasce algo. Em vez de preocupar-se com uma situação caótica, espere o nascimento. quando o nosso bom senso se torna caótico - ou talvez o meu seja - então isso acontece porque é impossível ver a totalidade. (Carl Payne Tobey).
INTERPRETAÇÕES:
MARSELHA
(O tarot de Marselha - Carlos Godo)
Na posição correta: passividade, início de um processo, possibilidade, novos horizontes se abrindo, entusiasmo juvenil. A direção da figura sinaliza uma caminhada para frente e para o faturo. A sacola nos ombros lembra a potencialidade de novos caminhos
Na posição invertida: impulso cego, falta de direção, inconseqüência.
Sentido esotérico: aconselha-se a olhar e avaliar o que possui e tentar determinar um novo caminho.
TRADICIONALMENTE
(Manual do Tarot - Hajo Banzhaf)
Interpretação "junguiana" liga "o bobo/trapaceiro ao salvador e ao divino.
Positivo: A escolha intuitiva acertada, novo impulso, potencial criativo. Um novo ciclo que é abordado inexperientemente. O bobo que há dentro de nós.
Negativo: Imprudência, malogro. Trocar a própria identidade com a de outro. Caos, desregramento, abuso de drogas, imaturidade, preguiça, irresponsabilidade, medo do desenvolvimento.
O TAROT MITOLÓGICO
(Juliet Sharman-Burke e Liz Greene)
Indica o advento de um novo capitulo da vida, sempre que aprece em um jogo. Existe o risco, mas também existe o desejo de saltar no desconhecido. É ambíguo, pois jamais saberemos compreender a percepção divina contida no impulso ou se simplesmente estamos agindo tolamente.
OSHO
A carta indica que se você acreditar em sua intuição agora, em seu sentimento de "certeza" das coisas, você não pode estar errado. suas ações podem parecer tolas aos olhos dos outros ou até mesmo para você, se você tentar analisar com a mente racional. Entretanto, o lugar "zero" que esta carta ocupa é indiscutivelmente onde a confiança e a inocência são os guias, não o ceticismo e nem tampouco as experiências passadas.
CONTO SUFI
Era uma vez um homem que se perdeu no país dos tolos. Em seu caminho viu gente fugindo de um campo em que pretendiam cultivar trigo. Contaram-lhe que havia um monstro no campo. Ele olhou para lá e viu que se tratava de uma melancia. Ofereceu-se para matar o monstro, cortou a fruta, e começou a saboreá-la.
Então as pessoas ficaram com mais medo ainda dele, muito mais do que tinham tido da melancia. Gritaram: "Se não nos livrarmos logo dele, seremos comidos em seguida", e o enxotaram dali. Noutro dia, um viajante se perdeu naquele país e também encontrou as pessoas apavoradas diante do citado monstro. Mas em vez de oferecer-lhes ajuda, fez de conta que concordava com elas, fugindo do monstro, o que lhe conquistou a confiança. Viveu entre elas durante muito tempo, até que, finalmente, pouco a pouco, pode lhes ensinar aquelas ações tão simples, que as capacitou não só a perder o medo de melancias, mas também a plantá-las.

FICHA TÉCNICA:
Projeto: Delasnieve Daspet
Pesquisa: Cleusa Bechelani e Lourdinha Biagioni
Participação Especial: Jose Carlos Pestana
Formatação: Cleusa Bechelani
Imagem: Obtida no grupo All_Genre_Art - Yahoo Internacional
Música: Fool - arquivo mid disponível na net
BIBLIOGRAFIA:
O tarot de Marselha - Carlos Godo
Manual do Tarot - Hajo Banzhaf
O tarot mitológico - Juliet Sharman-Burke e Liz Greene
O Tarot de Osho

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