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Tarde escura
Rajadas de vento
Que uiva
Chora na vidraça
Lembranças...
Tuas
Minhas
Em preto e branco
Em tantas
Fotografias
Amor bandido,
no coração exposto
Oco
Alma...
Agora no fundo do poço
Tão rápido virando passado
Atiro ao léu
Revoando de encontro ao céu
Tuas, minhas,
marcas rasgadas
Quem sabe ali serão apagadas
Densa nuvem,
pesada...
Entre lágrimas e trovoadas,
no suor a escorrer na vidraça,
ainda teimam ali grudadas
pedaços,
palavras em retratos dedicadas
Tarde escura...
Fotos
Tuas
Minhas
Saudades gritando
Nas caras
Desesperadas
Susana Mendes
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