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A água cristalina do lago,
Em reverência idílica,
apenas sussurrava na praia.
Nos arvoredos a avezinha rútila
desferia gorjeios de célica harmonia.
Ás sombras dos esplendorosos eucaliptos e
pinheiros
dois corações apaixonados brindavam ao amor.
Regado a vinho, esse néctar divino,
merecedor até mesmo de um hino,
cantaram poesias feitas à lua, ao sol, ao mar...
A natureza discreta, que tantos segredos guarda,
silenciou.
Silenciou, talvez, temendo sobressaltar as duas
almas.
Silenciou, talvez, para não macular o idílio.
Ao lado, bem ao pé do pinheiro,
um vaso de cinerária ornamentava,
com suas flores violetas,
a benquerença.
Ele a tomava em seus braços
e em fortes abraços
segredava a sua paixão.
Extasiado...
deslumbrava pela face daquela mulher:
a poesia, o amor, a candidez...
jóias que cintilam pelos mais vivos fulgores.
Essa mulher...
cuja alma é um escrínio,
onde se guarda os mais cândidos sentimentos.
Quem na sua marola navega
sempre arriba ao porto do seu amor.
Por isso, ergueu mais um brinde,
pedindo aos céus conceder-lhe a dita de tê-la
sempre:
em sonho de paz... em sonho de amor...


27.08.07
Música:
Serenata Nightingale birds |