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Confesso, já não sei, confesso humildemente,
se o tempo é meu ou não, se é do computador.
Amanhece e anoitece o dia, e eu, trancado,
a máquina à frente e eu mexendo, mexendo...
Quem sou eu, na verdade? A máquina? O homem?
Qual de nós dois comanda? E obedece quem?
Suponho francamente, apenas eu suponho,
ela nada supõe, exige e exige, prende...
Suponho, já não sou senão o vil escravo,
que obedece, obedece e trabalha, trabalha..
À frente o tronco e relho, a mão do maquinismo.
E isso vale a pena? A vida é minha, é minha,
ou é do computador, de quem sou mero escravo,
e ele o senhor meu, estúpido senhor?...


27.08.07
Música:
Serenata Nightingale birds |