Silvia Elisa Nogueira

Tenho um cansaço, quase insano
A vida me é acometida a dano
Nem sei, se a voz de um tirano
Me acordaria de tal engano
Mas vale sobreviver ao desengano
Sinto-me a caminhar num cano
Que importa o tempo do ano
Que valia há de humano
Nesse viver loucamente urbano
O atalho dissimula o desumano
Busco um poema goethiano
Mas sem qualquer meridiano
Hei de resistir ao tudo americano
Tento até fazer um interurbano
Mas acabo num uivo doidivano
Parecendo por demais antinomiano
Mas no fundo, busco um cabalino
Que me chegue em tom metalino
Ecoando um lindo hino
E sem mais sentir o desatino
Por honras de um quedar laurino
Descansarei
Ao som de um piano divino

 

Música: Etude1 - Chopin

 

 
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