ORIGEM DO CINEMA - INVENTOS E INVENTORES - Parte III

Durante o século XVIII, muitas pessoas experimentaram fazer aparelhos que fizessem um desenho apresentar movimento. No decorrer deste século, surgiram diversos aparelhos que trabalhavam com projeções de imagens. Estes aparelhos apresentavam-se como uma nova forma de entretenimento, auxiliando na concepção do cinema como forma de espetáculo. No final deste mesmo século, inventores da França, Inglaterra e Estados Unidos tentaram descobrir maneiras de fazer e projetar filmes; depois de vários fracassos, o sucesso veio para vários deles, quase ao mesmo tempo.

Avançando pelo século XVIII, o cinema tem no Século das Luzes um grande impulsionador. O princípio da liberdade religiosa foi fator decisivo para os progressos econômico e científico. O livre arbítrio concedia uma maior autonomia intelectual e propiciava o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Abriu-se portanto, um espaço para os estudos da persistência retiniana e o desenvolvimento dos aparelhos de percepção ótica. A retina é a membrana mais interna do globo ocular. Nela encontram-se células nervosas especializadas em captar os estímulos luminosos. No fundo do olho está o ponto cego, insensível a luz, porque é o lugar por onde passa o nervo óptico. Esse nervo conduz os impulsos nervosos para o centro da visão, no cérebro.
Na retina encontra-se também a mancha amarela, local onde a imagem é formada no olho com visão normal.
As luzes refletidas do exterior chegam ao fundo do olho humano. Uma substância de nome púrpura retiniana é então decomposta pela luz e regenera-se em seguida, com rapidez. Porém, é inevitável uma interrupção instantânea na visão. Sendo assim, cineasta que se preza ajoelha para agradecer esse "defeitinho" do nosso olho. Graças a ele, o cinema foi gerado, cresceu em meio aos brinquedos óticos e deu os primeiros passos. Fazer cinema é enganar o olhar.
Para captar e reproduzir a imagem do movimento, são construídos vários aparelhos baseados no fenômeno da persistência retiniana (fração de segundo em que a imagem permanece na retina), descoberto pelo médico inglês Peter Mark Roget, em 1826, na tentativa de captar e reproduzir a imagem do movimento. O  inglês Roget observou que se desenhos de pessoas ou objetos passarem diante de nossos olhos em consecutivas posições de um mesmo movimento e se no intervalo da passagem de uma imagem à outra houver algo que obstrua nossa visão momentaneamente, a vista conservará a impressão de cada desenho até que o seguinte apareça. Estavam lançados os dois princípios básicos do fenômeno cinematográfico : a persistência retínica e a decomposição do movimento em estados sucessivos.

Este longo caminho começa a revelar-nos o conhecimento científico que irá permitir perpetuar a imagem. Nos finais do século XVIII encontramos o francês Jacques Alexandre Charles a obter as primeiras impressões fotográficas.

Atingimos, neste momento, a fase da chamada "sombrologia". Falta-nos contudo algum tempo para que se obtenha a primeira autêntica reprodução fotográfica.

E também vamos encontrar o escocês James Watt a tentar imprimir as primeiras fotografias, embebendo papel em nitrato de prata. No processo químico, já haviam conhecimentos desde o século XVII de que certos compostos que continham sais de prata escureciam quando expostos ao sol, apenas não sabiam se essa reação química era causada por calor, ar, ou luz. 

Só por volta se 1823, será concretizado este sonho, pela mão de Nicephore Nièpce mas, o tempo necessário para a reprodução fotográfica está, neste momento, situado em cerca de 14 horas. Anos mais tarde, Louis-Jacques Mandé-Daguerre, consegue diminuir o tempo de exposição para cerca de meia hora e inventa os chamados " daguerreotipos " que, aplicados à "lanterna mágica" de Kircher  puderam,  pela primeira vez,  ser projetados.

A história registra que o francês Joseph Nicéphore Niepce, em 1827, obteve a primeira fotografia colocando asfalto no fundo da câmara obscura. Em oito horas, uma imagem invertida ficou ali gravada. Louis-Jacques Daguerre, seu sócio, logo substituiu o asfalto por uma placa de iodeto de prata e reduziu o tempo de exposição necessário para o registro da imagem. Mas foi William Talbot, um inglês, quem fixou a imagem em um papel muito fino no lugar  da placa  metálica,  processo de nome calótipo. A fotografia, desenvolvida simultaneamente por Daguerre e  Niepce, e as pesquisas de captação e análise do movimento representam um avanço decisivo na direção do cinematógrafo.

Assim, algum tempo antes vamos encontrar a "roda de Faraday" criada por Michael Faraday , que permite constatar que cores diferentes impressas num disco se tornam numa só se rodarmos o disco a certa velocidade.

 

 

 
 
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