ORIGEM DO CINEMA - INVENTOS E INVENTORES - Parte II

Leonardo da Vinci fez uma descrição da câmara escura em seu livro de notas, mas não foi publicado até 1797. Tratava-se de uma caixa fechada com um pequeno orifício onde se colocou uma lente. Passavam ali os feixes de luz refletida dos objetos externos. A imagem deles formava-se no interior da caixa de ponta-cabeça. Giovanni Battista Della Porta, baseando-se nos princípios enunciados por Leonardo da Vinci, constrói a primeira " câmara escura ". Em pleno século XVI, a "Câmara Escura" permitia a projeção de imagens externas dentro de um quarto escuro.

O cientista napolitano, publicou em 1558, uma descrição detalhada da câmara e de seus usos. Ele criou uma caixa fechada, com um pequeno orifício coberto por uma lente. Através do orifício penetram e se cruzam os raios refletidos pelos objetos exteriores. A imagem, invertida, inscreve-se na face do fundo, no interior da caixa. Na verdade esta câmara era um quarto estanque à luz, possuía um orifício de um lado e a parede à sua frente pintada de branco. Quando um objeto era posto diante do orifício, do lado de fora do compartimento, sua imagem era projetada invertida sobre a parede branca.

Alguns, na tentativa de melhorar a qualidade da imagem projetada, diminuíam o tamanho do orifício, mas a imagem escurecia proporcionalmente, tornando-se quase impossível ao artista identificá-la. Este problema foi resolvido em 1550 pelo físico milanês Girolamo Cardano, que sugeriu o uso de uma lente biconvexa junto ao orifício, permitindo desse modo aumentá-lo, para se obter uma imagem clara sem perder a nitidez. Isto foi possível graças à capacidade de refração do vidro, que tornava convergentes os raios luminosos refletidos pelo objeto. Assim, a lente fazia com que a cada ponto luminoso do objeto correspondesse um pequeno ponto de imagem, formando-se assim, ponto por ponto da luz refletida do objeto, uma imagem puntiforme.

Desse modo, o uso da câmara escura se difundiu entre os artistas e intelectuais da época, que logo perceberam a impossibilidade de se obter nitidamente a imagem, quando os objetos captados pelo visor estivessem a diferentes distâncias da lente. Ou se focalizava o objeto mais próximo, variando a distância da lente / visor (foco), deixando todo o mais distante desfocado, ou vice-versa. Danielo Brabaro, em 1568, no seu livro "A prática da perspectiva" mencionava que variando o diâmetro do orifício, era possível melhorar a nitidez da imagem. Assim, outro aprimoramento na câmara escura apareceu: foi instalado um sistema, junto com a lente, que permitia aumentar e diminuir o orifício. Este foi o primeiro "diafragma". Quanto mais fechado o orifício, maior era a possibilidade de focalizar dois objetos a distâncias diferentes da lente. Nesta altura, já tínhamos condições de formar uma imagem satisfatoriamente controlável na câmara escura, mas gravar essa imagem diretamente sobre o papel sem intermédio do artista era a nova meta, que só foi alcançada bem mais tarde com o desenvolvimento da química.

 

Iniciamos aqui uma grande caminhada, no sentido de materializar a imagem. Um século mais tarde, a "lanterna mágica" seria a precursora das sessões de cinema. Com o objetivo de fazer as imagens chegarem a diferentes lugares, os lanterninhas viajavam com suas lanternas deixando todos maravilhados.

Em meados do século XVII, o alemão Athanasius Kircher constrói a primeira " lanterna mágica ". Ela baseia-se no processo inverso da câmara escura. Uma caixa dotada de uma fonte de luz e lentes que enviava a uma tela imagens ampliadas. É composta por uma caixa cilíndrica iluminada a vela, que projeta as imagens desenhadas em uma lâmina de vidro. Este antepassado das atuais máquinas de projeção de filmes dispunha apenas de uma lente e usava uma vela como fonte de luz. A esse invento, o belga Robertson adaptou rodas e batizou como Fantascópio. Com o aproximar e afastar do aparelho as imagens projetadas aumentavam e diminuíam de tamanho, ganhando um aspecto fantasmagórico. A lanterna mágica usava-se como divertimento, mas a sua origem foi mais séria: um cientista holandês, Christiaen Huygens (1629-1693),usou-a para projetar imagens do foro médico. No século XIX, as lanternas mágicas tornaram-se mais elaborados. A luz do gás proporcionava uma imagem mais brilhante e a junção de mais lentes permitia ao projecionista fazer aparecer e desaparecer gradualmente as imagens.

 

 

 
 
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