ORIGEM DO CINEMA - INVENTOS E INVENTORES - Parte I

Impressionado com a velocidade das passadas de um javali, o homem nômade corre abrigar-se em sua caverna. Nas paredes, esboça o desenho do que viu: um javali com oito patas! Mais que uma pintura rupestre, era o início do período que culminou com o nascer do cinema. Ali mesmo, no desejo daquele sujeito sujo, curvado, barbado e peludo de eternizar a passagem do animal. O homem dali para diante estaria fadado a encantar-se e dedicar-se ao estudo, registro e reprodução do movimento. Em 12.000 a.C.  as pinturas rupestres das grutas de Altamira, na Espanha mostram imagens que são consideradas os primórdios do cinema, por já apresentarem um caráter narrativo.

De 6.000 a 1.500 a.C. os egípcios e babilônicos já observavam a decomposição do movimento.

Na mesma época os baixos relevos assírios já apresentavam uma tentativa de se organizar fragmentos distintos consecutivos de um mesmo acontecimento em um mesmo espaço, ou seja, já se buscava uma narrativa linear.

Durante séculos, civilizações buscaram meios para reproduzir a realidade. O que dá vida à noite é a luz tremula da vela. Todos os objetos do nosso dia a dia projetam sombras. Uma mão colocada de frente a chama de uma vela projeta numa parede um coelho ou outra figura. Estas imagens são tão velhas como o fogo. Do antigo teatro das sombras, surgiu os nossos atuais filmes. Eles foram os primeiros espetáculos públicos com projeção de imagens.

Em 1.122 a.C. projeções primitivas de figuras sobre fundo negro são realizadas pelos chineses.

A tradição oral faz saber que no século II a.C., o imperador chinês Wu-Ti somente sentiu-se consolado com a morte da esposa após contemplar sua sombra projetada em uma tela de linho. Era o chamado jogo de sombras chinesas.

O jogo de sombras do teatro de marionetes oriental é considerado um dos mais remotos precursores do cinema. Ele surgiu na China, por volta de 5.000 a.C. É a projeção, sobre paredes ou telas de linho, de figuras humanas, animais ou objetos recortados e manipulados.  Com a intenção de intervir no imaginário das pessoas, operadores projetavam em paredes ou panos as sombras de figuras como príncipes e dragões, protagonistas de histórias encenadas narradas em sua ação para divertir a monarquia.

Até com uma forma grosseira se pode obter uma sombra impressionante, mas os teatros de sombras de Java, bem como os de vários países da Ásia, usam marionetes bastante elaboradas. As marionetes de sombras javanesas contam histórias tradicionais com ajuda de um narrador e de uma orquestra. No século XVII, as marionetes de sombras passaram do Extremo Oriente para a Europa e na Feira Mundial de Chicago, em 1893, houve um espetáculo de sombras.

O desenho e a pintura foram as primeiras formas de representar
os aspectos dinâmicos da vida humana e da natureza, produzindo narrativas através de figuras.

Antes da fotografia, só existiam duas opções para se "congelar" a imagem de uma pessoa ou de uma paisagem: guardando-a na mente ou pedindo a um pintor que fizesse um retrato. Nessa época, todos os pintores que queriam ficar famosos iam para a França. E foi justamente nesse país que a fotografia e o cinema fizeram seus primeiros grandes progressos.

Experiências posteriores como a câmara escura e a lanterna mágica constituem os fundamentos da ciência ótica, que torna possível a realidade cinematográfica.

A fotografia não tem um único inventor. Ela é uma síntese de várias observações e inventos em momentos distintos. No século V a.C., alquimistas gregos fizeram uma descoberta fundamental para o surgimento da fotografia e, portanto, do cinema: a luz é capaz de sensibilizar uma placa de cloreto de prata fundido. A primeira descoberta importante para a fotografia foi a "câmara obscura". O conhecimento de seus princípios óticos se atribui a Aristóteles, anos antes de Cristo, e seu uso para observação de eclipses e ajuda ao desenho, a Giovanni Battista Della Porta.

Sentado sob uma árvore, Aristóteles observou a imagem do sol, durante um eclipse parcial, projetando-se no solo em forma de meia lua quando seus raios passarem por um pequeno orifício entre as folhas. Observou também que quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a imagem. Séculos de ignorância e superstições ocuparam a Europa, sendo os conhecimentos gregos resguardados no oriente. Um erudito árabe, Alhazem, descreveu a câmara escura em princípios do século XI. No século XIV já se aconselhava o uso da câmara escura como auxílio ao desenho e à pintura. Por volta de 1500, século XV, vamos encontrar Leonardo da Vinci, a meditar sobre estes assuntos. É ele que, enunciando a " Lei dos raios entrecruzados ", vai abrir as portas para a descoberta da " câmara escura " e mais tarde da " lanterna mágica ". 

 

 

 
 
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