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ORIGEM DO CINEMA -
O INÍCIO DE TUDO
Desde a antiguidade
indícios históricos e arqueológicos comprovam,
que é muito antiga a preocupação do homem com o registro de movimentos.
Por mero acaso ou pura observação, o homem, nosso antepassado,
constatou a existência de certos "fenômenos" e, a partir daí, passou a
utilizar, em benefício próprio, os seus
resultados.
É natural que o
simples contato de um pé com o chão, ou mesmo o tombar de um fruto no
solo, lhe tenham permitido tomar conhecimento com a possibilidade de
moldar superfícies. Desta forma singela, usando a imaginação e recorrendo
ao experimentalismo pode, o homem primitivo, avançar com os primeiros
registros de mensagens. Nesse momento descobriram os elementos essenciais
da pintura, da escrita e da escultura. As utilizações repetidas destas
técnicas, o seu aperfeiçoamento e a imaginação os conduziram por um longo
caminho que, com o evoluir do tempo, permitiu desenvolver o gesto de se
comunicar. O simples arremesso de uma pedra, a paciência e a perspicácia
permitiram o contato com a diversidade de sons que os rodeava. A sua
combinação com a noção de harmonia, o espírito criativo e a necessidade de
comunicação abriram, de imediato, o caminho para o desenvolvimento de
outras artes como a música ou a dança.

Foi a análise
estática do ambiente que forneceu à muito, a
primeira noção de contorno. A observação da sombra possibilitou a noção de
contraste e uma noção, efêmera, de reprodução. Olhando as sombras das
árvores, as rochas, tudo o que o rodeava, o homem pode contatar com a
noção primária e definitiva de fotografia. Sendo assim, podemos constatar
que o homem primitivo possuía, no seu habitat, os elementos de contato com
a noção de imagem em movimento. Deslocando-se, durante o dia, no sentido
contrário ao sol, era inevitavelmente acompanhado. A imagem, por vezes
disforme, que o seguia terá intrigado esse nosso antepassado. Neste
momento, foi descoberta a noção de luz e sombra, associada à noção de
movimento e podemos dizer que surgiu, de fato, a primeira exibição de
fotografia animada. Isto é, a primeira e verdadeira tela de "cinema" foi,
sem dúvida, a própria terra. Neste mesmo contexto, a simples observação
permitiu o contato imediato com a noção de cor. Debruçado sobre a água,
imaginemos um antepassado longínquo assustado com a sua reprodução, do
outro lado do "espelho". Que terrível imagem!... Quem estará do outro
lado?... E aos poucos o medo inicial desvanece-se e se dá lugar a uma
observação crítica. Familiarizado com o fenômeno, imaginemos o nosso
homem, a representar perante esse "espelho mágico", qual Narciso,
apaixonado pela sua própria imagem. Nesse momento os nossos antepassados
tomaram um primeiro contato com a noção de fotografia animada e suas
cores.

Vamos usar nossa
imaginação associada a uma pitada de sonho. Assim encontramos um contexto
e poderemos atingir uma noção real de cinema e como o concebemos na
atualidade. Por mais deferentes que sejam as análises, seremos, neste
momento, o realizador de um filme - bastou-se, para isso, sonhar. O que
falta, para poder reproduzir este fenômeno é essencialmente uma técnica.
Mas essa técnica está, neste momento, ao nosso alcance, no que diz
respeito à noção de registro do movimento. Imaginemos este nosso
antepassado, munido de uma vara e agitando-a numa imensa planície. Ele irá
descobrir que a deslocação desse elemento no espaço gera som. Suponhamos
que, por mero acaso ou pura observação, ele gira em seu redor um elemento
menos consistente. Vai certamente encontrar uma uniformidade de som,
variável em função da intensidade do movimento.
Como a
experimentação é característica das artes, suponhamos que o nosso homem
comum resolve desenvolver a mesma experiência, com um simples tição. Vai
perceber que enquanto inerte, ele representa apenas um ponto de luz, mas,
quando rodado, em velocidade adequada, foram levados e crer que se
transformou numa linha de fogo. Quantos antepassados nossos, extintas as
suas fogueiras, não terão utilizado este estratagema, para afastarem
perigosos invasores?...

Este simples
fenômeno, designado cientificamente por "persistência retiniana" e
disponível desde a antiguidade foi o principal problema que, durante
milênios, nos impossibilitou o contato com a sétima arte - o cinema.
Fazendo deslizar 24 imagens por segundo (16 no mudo) ante os nossos olhos,
obtemos a ilusão de movimento e neste momento, observando apenas o espaço
que nos cerca, possuímos todos os elementos necessários ao surgimento do
cinema e simultaneamente, falta-nos tudo. O nosso grande dilema consiste
em, por um lado, reproduzir a imagem e, por outro, dar-lhe vida, pois sem
estes elementos não podemos avançar. É possível reproduzir um sonho,
dar-lhe vida, mas é impossível "fixar o movimento". Estamos a meio caminho
entre o teatro e o cinema. Se recuarmos de novo no tempo, vamos constatar
que podemos materializar parte deste sonho.

Apliquemos um pano
branco, bem esticado, utilizemos uma boa fonte de luz por detrás e se
interpusermos um objeto, somos capazes de obter uma imagem. Atingimos a
época da "sombra chinesa". Aproximamo-nos, a passos largos do cinema,
contudo é necessário repetir em cada espetáculo toda a seqüência.
Faltam-nos "somente" os componentes técnicos que permitam imortalizar uma
imagem real e dar-lhe vida.
Fenômenos tão banais
como estes, exorcizados pela técnica e pelo conhecimento, permitiram
atingir um nível de desenvolvimento que, muitas vezes, menosprezamos. Pois
a cada momento, passam por nós os elementos determinantes do conhecimento,
independentemente de conseguirmos, ou não, decodificar o seu comportamento
científico. A sua interpretação analítica, os conhecimentos dos mecanismos
próprios desses elementos estão, contudo, muitas das vezes, defasados no
tempo, por milhares de anos.
O desenvolvimento
científico da ótica, enquanto disciplina da física, e a evolução da
astronomia, permitiram ultrapassar os problemas técnicos no sentido do
aparecimento do cinema.

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