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A característica dominante do emblema,
símbolo sintético que contém muitas
informações, é fugir da palavra ou
frase, a escrita por extenso. Frase já
é grupo de símbolos (palavras), por
sua vez também compostas de símbolos
(letras) de fugazes vibrações sonoras.
E tudo isso sujeito a um código de
origem empírica e lastrado com a
inevitável imprecisão semântica,
especialmente a deterioração do
significado que as vezes se decompõe
através de gerações Exemplo: certos
grupos criam um jeito especial de ser
que envolve gestos, forma de se
vestir, palavras, valores sobre a
vida, concepções que envolvem uma
visão de modelo de homem e sociedade
que é emblemática .Um exemplo bem
específico do comportamento
emblemático é a moda criada por
adolescentes... Muito têm a dizer, mas
não sabem como. Ultimamente, a moda da
tatuagem é um dos emblemas juvenis que
os destaca e distingue como grupo,
reforçando o conceito de identidade ,
embutida em tantos outros tipos de
comportamentos.
A citação de Weil e Tompakow é
pertinente: "As línguas modernas
especialmente a língua inglesa,
cresceram após a Revolução Industrial
de trinta mil para setenta mil
palavras, em média. Noventa por cento
dos neologismos referem-se a termos
técnicos e à formação de conceitos
científicos ou corporativos".
Paralelamente a esse crescimento de
termos e palavras, pouquíssimos foram
aqueles acrescentados ao conhecimento
da natureza humana e à complexidade do
seu psiquismo que envolve emoções,
espiritualidade, palavras e expressões
que intermedeiam as relações de um
cotidiano vivido na particularidade
maior do que é ser "humano". Pouco se
entendeu ou se acrescentou ao
conhecimento da humanidade, com o
crescimento das línguas.
Freud continua a ser o grande mestre,
normalmente citado, raras vezes lido e
compreendido.
Só para citar um exemplo, Piaget,
psicólogo suíço detectou que a criança
aos quatro anos de idade sofre uma
crise de identidade, semelhante à
crise da adolescência. No período dos
dois aos quatro anos a criança adquire
um vocabulário que passa de uma média
de duzentos a quatrocentas palavras
para três mil a três mil e quinhentas
palavras e expressões, que serão
aquelas que iremos lidar no nosso
cotidiano para nos relacionarmos
interpessoalmente pelo resto de nossas
vidas.
É a linguagem das emoções e não a do
pensamento lógico dedutivo. Esta
crescerá com a escolaridade e o nível
de atividade na qual o sujeito se
inscreve, especialmente quando tem
ampla formação acadêmica, livresca. O
lugar que irá ocupar no "status quo",
também tem sua importância aí.
Tanto que os problemas de gagueira, no
período citado, enurese e regressões
orais, desde que não persistam por um
período superior a um ano , são
absolutamente normais. A criança tem
um intenso trabalho mental no
processamento de tantos dados novos... é
a primeira crise de stress de
desenvolvimento, prevista pelos
estudiosos da área.
Tudo isso para dizer que a nossa
linguagem evoluiu no século XX com
todas as contradições do bem- estar
proposto pela ideologia da sociedade
industrial, muito mais nos termos que
edificam a competitividade e a
produção, o que é muito necessário,
mas deixou para trás muito do que se
poderia saber sobre as emoções e
reações humanas.
Daí os comportamentos emblemáticos,
crescerem tanto. Parece aceitável,
tamanha a sua repetição, que mulheres
de classe média digam que curam-se de
suas depressões comprando
compulsivamente.
A aquisição de bens que nos
proporcionam conforto, beleza, etc, é
necessária.
A compulsão é perniciosa de qualquer
forma, pois um período de ações
compulsivas, ou vícios, geralmente são
seguidos por sérias crises depressivas
onde a inação é o comportamento mais
comum. As pessoas passam a ter medo de
agir, exatamente porque saíram de uma
situação anterior, que os técnicos
chama de fase maníaca, onde o excesso
de ações compulsivas, impensadas, na
tentativa de baixar os níveis de
ansiedade, em nada melhoraram suas
vidas. Até pelo contrário, costumam
deixar seqüelas negativas que vão dos
danos materiais aos orgânico-
psíquicos. Para quem observa este tipo
de comportamento diariamente, como é o
meu caso, devido á pratica clinica
dentro da psicologia, tais
comportamentos seguem uma equação
lógica extremamente previsível:
compulsão + inação + fobia = um quadro
de extrema angústia e medo = depressão
com os sintomas que hoje chamamos de
síndrome do pânico.
É natural que, com tão pouco
conhecimento da natureza humana,
tenhamos medo do desconhecido. Ora, o
desconhecido somos nós e,
conseqüentemente o próximo com quem
nos relacionamos no cotidiano.
Decorrem daí, relações impregnadas de
barreiras, redomas verdadeiras teias
de defesas de raio laser (para sermos
mais modernos) que nos impedem uma
comunicação verdadeira e sem
subterfúgios nebulosos.
Como são difíceis as verdadeiras
relações de solidariedade e amor! Mais
fáceis são as relações mitificadas,
produtos de uma mídia positivista,
onde a idealização e distorção das
qualidades e defeitos do nosso
próximo, transformam-se em leis
complementares das nossas próprias
fragilidades: qualquer fragilidade
detectada transforma-se em "o culpado
é o outro".
Isto significa que, ou melhoramos a
qualidade de comunicação sobre os
nossos fenômenos internos ou estaremos
ajudando o que a sociedade já faz tão
bem: estagnando a evolução humana, na
ignorância do conhecimento de nós
mesmos e conseqüentemente, do nosso
próximo, pois o que não conhecemos,
normalmente gera medo e agressividade. |