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As contradições do nosso comportamento
cotidiano, nem sempre nos permitem
refletir sobre nossas ações.
Agimos às vezes com impulsividade,
vacilações, raiva, etc..., pois nossas
emoções e os hormônios que estas
liberam, influem fortemente na nossa
tomada de atitudes diárias.
Nem sempre agimos como queremos e às
vezes, por culpa, ou exaustão
exageramos no contraponto da nossa
ação. "Às vezes o remendo é pior do
que o soneto".
Quando adultos, nossos compromissos
crescem em proporção geométrica e
tornamo-nos exaustos demais para
certas tomadas de decisões. Com
efeito, a repetição da nossa exaustão
pode tornar-se uma displicência.
No auge da idade dos compromissos e da
produtividade, geralmente nos tornamos
pais de adolescentes.
A adolescência, embora não seja a
única crise do desenvolvimento, é uma
das mais aparentes e significativas.
Os adolescentes vivem numa situação de
conflito constante com seu pais e
instituições sociais. Isto por
questões psicológicas, biológicas e
econômicas, situadas dentro do próprio
contexto existencial do adolescente.
Tais conflitos podem ser favorecidos
pelos próprios pais, que por suas
dificuldades pessoais, stress, falta
de auto-conhecimento, rigidez ou
complacência exagerada, não conseguem
amenizar tais conflitos. É importante
que os pais saibam como e quando dizer
sim e não aos próprios filhos
adolescentes, conscientizando-os sobre
a importância dos compromissos para
com os valores implícitos, que
favoreçam a boa convivência coletiva.
Essa frase tão simples é de imensa
dificuldade de execução, pelos motivos
acima expostos. Como exemplo, temos
uma situação típica:
- Mãe, posso sair hoje à noite?
- Não! Estamos no meio da semana e
amanhã você tem prova cedo.
No caso supracitado, percebe-se uma
postura lúcida da mãe, ressaltando um
princípio de valor. Mostra que certos
compromissos devem ser cumpridos pelo
seu ganho futuro.
- Ah, mãe! Deixa!
- Não! Porque amanhã você tem prova.
Imagine esse diálogo repetido vinte
vezes com as frases cada vez mais
curtas.
Desfecho:
- Mãe! DEIXA EU SAIR À NOITE!
- POOOODDEEEE! E NÃO ME ENCHA MAIS A
PACIÊNCIA!!!!!!!
Aqui, o discurso sereno permite-se
vencer pela repetição e insistência.
Nota-se a mãe à beira de um ataque de
nervos.
O sim é dito como não e o não é dito
como sim. Este é um processo constante
na educação que confunde os seres
humanos na compreensão de suas
emoções: a explicitação confusa de
regras e emoções acaba confundindo
timidez com condescendência; submissão
com tolerância; negação de si com
solidariedade, indecisão com
ponderação. É o que chamamos de baixa
auto-estima.
A tranqüilidade inicial da mãe ou do
pai acabam sendo rompidas pela grande
insistência (com toda energia juvenil)
dos filhos que aprendem o mecanismo da
chantagem.
O ideal seria encurtar essa conversa,
após a segunda explicação de regras de
valores, ou contratos mínimos de
convivência compromissada, ainda que
doa nos ouvidos. Apesar da insistência
do filho, orienta-se que os pais não
respondam mais. O estabelecimento dos
limites deixa apenas momentaneamente o
adolescente insatisfeito, mas
prepara-o para decisões de futuro.
Para mim é comum ver adolescentes se
referindo aos pais como "feras", mas
com imenso orgulho: - "Pô!!! Meu pai é
fera! É legal! Vai no jogo comigo. Me
dá o maior apoio. Mas quando diz não é
não mesmo."
É importante que os pais informem-se
sobre a crise da adolescência e
treinem sua paciência e argumentos. O
elogio na hora certa também é
importante. A coerência de ações e
exemplos dos pais valem mais que mil
palavras. E não devemos confundir
estabelecer limites com coerção e
intolerância. Existem certos hábitos,
comportamentos e modismos de grupos
que todo adolescente terá. E como diz
Winiccott, para os pais de
adolescentes: "Não se assustem tanto,
mas sobrevivam", pois tirando algumas
patologias e desvios de comportamento
que devem ser tratados por
especialistas, as situações são muito
parecidas em todos os lares. |