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São Paulo não pode parar!
Então não pare,
continue andando nervosamente
mexendo o café da direita para esquerda,
compondo seus Sampas eficientemente,
miscigenando tudo alucinadamente.
São Paulo que não pára, nem pode parar,
também não posso parar,
nem no Anhangabaú, ou na Rua Augusta
onde entrei a cento e vinte por hora
para trocar uma prosa com Ernesto,
que já não mora mais no Brás.
Também não fui capaz
de encontrar o velho Adoniran,
de reviver a semana de vinte e dois,
ou as jovens tardes de domingo,
ou o Fino Zimbo da Bossa,
ou os barulhentos festivais da Record.
Dos pluri-pauli-baianos Caetano, Capinam
Gal, Gil, Torquato, Tom Zé.... do Rogério Duprat!
São Paulo do atrevido rock Mutante
da Rita Lee, Sérgio e Arnaldo,
do café no penico tropicalista,
do brasão quatrocentão em ruína.
São Paulo da vanguarda de Arrigo,
da saudade de Itamar Assumpção,
São Paulo de todos os corintianos,
do Palestra Itália, da Lusa, da Moca,
da Liberdade, dos Jardins,
São Paulo do Viaduto do Chá.
São Paulo do Pateo do Colégio
marco na história da história,
dos jesuítas e dos ateus,
São Paulo dos aristocratas, ,
pau-de-araras, sem-teto e plebeus,
do pivete, do empresário e do moto-boy.
São Paulo dos erres carregados,
do charme no sorriso das gatinhas
da azarada na noite da Paulista.
São Paulo cidade maior do Brasil,
o seu ultra cárdio-urbano coração
pulsante não pode parar!
Gabriel Ribeiro
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