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Estamos na praia!
Meu Deus, quanto tempo não sinto o
acariciar dos raios solares em minha pele.
Sinto-me leve, quase pluma.
A areia branca, brinca de grudar os seus
minúsculos grãos em nossos corpos.
Nossas almas se encontram, rimos à toa,
nos envolvemos com a vida, com o momento.
Nos entregamos aos fluídos dourados do
amanhecer, curtimos o seu frescor, o seu
encanto.
E sentimos a mais profunda e sublime
fragrância - presença de Deus.
Ele fala sobre o futuro e eu o observo no
meu presente. Caminhamos areias e águas.
Escrevemos a quatro mãos. Escrevemos e
escrevemos, num estágio de absoluta magia.
Duas crianças brincando com as letras, num
alfabetizar de corações.
Não há máculas, não há erros nem acertos,
existe apenas o envolvimento com a vida.
E continuamos a escrever, bendizendo o
dia.
Os raios do sol nos mostra que não há mais
espaço para tanta letra.
A criatividade nos mostra a areia,
desenhamos alfabetos, acariciamos rimas.
Mas esta escrita é efêmera, vai-se com as
ondas do mar. Corremos atrás delas, inútil
"o que a areia escreveu, ficará para
sempre em minhas águas", protestou o mar.
Desistimos, que fique em suas águas os
nossos momentos, o nosso - a favor do
imaginável.
Ainda estamos na praia, começa a
escurecer. É hora do sol se recolher,
precisa dormir.
Vigiamos esta hora sagrada. Como é
comovente o seu dormitar.
Durma sol, descanse a sua quentura e volte
amanhã para nos acariciar com seu calor,
enquanto voltamos para casa.
Não há máculas, não há cobranças, não há
erros nem acertos.
Há apenas a nossa vontade de gritar para o
mundo, que existe um mundo mais tranqüilo,
mais envolvente, mais edificante e que
está na forma com a qual cada um de nós
consegue se envolver.
Amanhã, estaremos na praia novamente...
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