CANTATA PARA O BARROS
Sagramur


  Observo a verve do Barros
Os detritos, os nadas, o barro
Imensidão de coisas inúteis
São sinfonias de poesia em suas mãos
Incompreensíveis para tantos
Mas inconfundivelmente
Belas e raras.

Sou poeta de "luas"
As lesmas são libélulas
Os besouros são estrelas
As pedras? Sóis incandescentes
E os nadas, são vertigens de primavera
Nas retinas de minha verve

Barros, o barro em suas mãos
Tem a eloqüência dos versos inusitados
A imensidão de coisas inúteis
Ora, são coisas úteis
Para o levitar
De um poeta pantaneiro

Observo então meu poema
E num passe de mágica
Ele sai encharcado de barro
Infiltrando-se em meu sangue
Metamorfose poética.

E o meu céu transforma-se em "chão"
Chão de barro para o Barros!

 
Sagramur

 


Música:  Amora - Renato Teixeira

 

 
 
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