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Brecht é uma época. Uma
época tumultuosa de rebeldia e de protesto.
Refletem-se, em suas obras, os problemas
fundamentais do mundo atual: a luta pela
emancipação social da humanidade.
Brecht tem plena consciência do que pretende
fazer. Usa o materialismo dialético da maneira
mais sábia para a revolução estética que se
dispôs a promover na poesia e no teatro.
O teatro épico e didático caracteriza-se, em
Brecht, pelo cunho narrativo e descritivo cujo
tema é apresentar os acontecimentos sociais em
seu processo dialético: Diverte e faz pensar.
Não se limita a explicar o mundo, pois se dispõe
a modificá-lo. É um teatro que atua, ao mesmo
tempo, como ciência e como arte.
A alienação do homem, para Brecht, não se
manifesta como produto da intuição artística.
Brecht ocupa-se dela de maneira consciente e
proposital. Mas não basta compreendê-la e
focalizá-la.
O essencial não é a alienação em si, mas o
esforço histórico para a desalienação do homem.
O papel do autor dramático não se reduz a
reproduzir, em sua obra, a sociedade de seu
tempo. O principal objetivo, quer pelo conteúdo,
quer pela forma, e exercer uma função
transformadora, que atue revolucionariamente
sobre o ambiente social.
GALILEU
Brecht, que passou pelo
expressionismo, não ancorou o seu barco em
nenhum dos portos das escolas literárias. Apesar
de ligado ao Partido Comunista, não se
subordinou ao realismo socialista. Ao contrário,
opôs-se a ele com ardente tenacidade. Daí a
repulsa das autoridades soviéticas pelas suas
peças teatrais que foram proibidas de serem
representadas na Rússia de Stalin.
Muito embora Brecht não se tivesse pronunciado
abertamente contra os processos de Moscou, em
virtude da pressão que sofreu, no ocidente, sob
o pretexto de que o combate a Stalin significava
o fortalecimento de Hitler e do nazismo, foi com
profundo horror que ele acompanhou os trágicos
acontecimentos que levaram os principais
dirigentes da revolução russa, companheiros de
Lênin, a confessar, antes serem fuzilados, uma
série de crimes hediondos que jamais cometeram.
Foram estas falsas confissões, segundo Isaac
Deutscher, que levaram Brecht a escrever Galileu
Galilei, talvez a mais importante de suas obras
dramáticas. Há muito de Kamenev, de Zinoviev e
de Bukharin no genial astrônomo que, vítima da
Inquisição, atirado no cárcere, diante dos
instrumentos de tortura, se viu na contingência
de renegar as próprias idéias.
A incompatibilidade de Brecht com o regime
stalinista era tão aguda que, ao exilar-se da
Alemanha de Hitler, preferiu asilar-se nos
Estados Unidos, onde se sentiu mais seguro.
BRECHT E
SHAKESPEARE
É muito comum comparar-se
Brecht a Shakespeare. O motivo da associação
entre um e outro é o paralelismo histórico dos
períodos em que eles viveram. Shakespeare surgiu
no Renascimento, na decadência do regime feudal,
e alvorecer da burguesia, Brecht apareceu na
fase crepuscular da burguesia, em plena ascensão
do movimento operário. Ambos viveram em períodos
congêneres de transição social.
Em certos aspectos, Brecht é uma chave para
Shakespeare. Shakespeare, em quase todas as suas
obras, passava da poesia para a prosa e da prosa
para a poesia. Acreditavam os estudiosos de sua
obra que a razão desta simultaneidade estava na
premência do tempo. Shakespeare não chegava a
pôr em versos, do começo ao fim, a peça que
escrevia porque tinha de aprontá-la o mais
rápido possível, dentro de prazos marcados, para
levá-la ao palco. A pressa o impedia de dar o
arremate final. Deixava sempre para completá-la
mais tarde, quando dispusesse de tempo. A forma
definitiva ficava adiada para um futuro incerto.
Nunca, porém, chegou a hora de executar o que
pretendera.
Este modo de ver exige uma revisão. Brecht
empregava simultaneamente, em suas peças
teatrais, a prosa e a poesia sem que estivesse
disposto a dar-lhes, no futuro, uma forma
diferente, pondo-as todas em versos.
O erro de julgamento quanto ao uso do verso e da
prosa por Shakespeare, em sua obra dramática,
está na velha tendência de compará-lo a
Corneille, Racine e Molière, que não misturavam
a prosa com a poesia. Shakespeare, mais
espontâneo do que os clássicos franceses, mais
plástico, mais livre, não se apagava, como
aqueles, à pureza da forma.
Passava do verso para a prosa quando julgava que
certas idéias ficariam melhor expressas em prosa
do que em versos. De grande importância, para
ele, era o efeito no palco, o lado puramente
teatral que deveriam estar acima da métrica e da
estilística. Não havia necessidade de manter-se
só a prosa ou só a poesia. Preferia jogar com
uma e com outra como julgasse mais adequado.
Esta independência tornava mais fácil o jogo das
palavras e dos diálogos.
Não prejudicava a estrutura da obra dramática.
Só contribuía para valorizá-la. Brecht chegou às
mesmas conclusões de Shakespeare quatro séculos
depois. E da maneira tão indicada, tão aceitável
e tão proveitosa.
ARTE E CIÊNCIA
As realizações práticas, de
Brecht, nó teatro, foram acompanhadas de suas
conclusões no terreno da estética: Não se
tratava de tentativas empíricas, mas da
aplicação de uma teoria que considerava
científica. Daí seus estudos sobre uma arte
dramática não aristotélica, sem submissão ou
obediência às regras secularmente estabelecidas.
Brecht colocou-se à margem de todo o
esquematismo das escolas literárias: Aceitando a
concepção de Hegel de que há nos fenômenos
artísticos uma realidade superior a uma
existência mais verdadeira em comparação com a
realidade habitual, chegou a Marx com a
extraordinária independência de seu gênio
poético e teatral. Como Shakespeare, ele soube
usar, na época atual, o heróico e o lírico, o
dramático e o cômico, o grave e o ridículo,
dando à sua obra um sentido universal.
Brecht confessa que, embora a arte e a
ciência atuem de modos diferentes, não lhe era
possível subsistir como artista sem servir-se da
ciência. "Do que necessitamos de fato - escreve
Brecht - é de uma arte que domine a natureza,
necessitamos de uma realidade moldada pela arte
e de uma arte natural". Acrescenta: "Não nos
podemos esquecer de que somos filhos de uma era
científica". Insiste: "A ciência e a arte têm,
de comum, o fato de que ambas existem para
simplificar a vida do homem: uma, ocupada com
sua subsistência material e a outra, em
proporcionar-lhe uma agradável diversão". E
conclui: "Tal como a transformação da natureza,
a transformação da sociedade é um ato de
libertação. Cabe ao teatro de uma época
científica transmitir o júbilo desta
libertação".
Quando Brecht liga a arte à ciência procura
justificar o seu papel atuante nas letras
sociais e políticas do mundo atual. O teatro de
Brecht é eminentemente político. Não de forma
indireta, mas aberta e declaradamente. Pode-se
dizer: um teatro a serviço da causa operária, da
revolução social. Daí o seu caráter épico e
didático.
NAZISMO E EXÍLIO
Em 1933, quando Adolfo
Hitler, à frente do Terceiro Reich, estabeleceu
o nazismo na Alemanha, inaugurando uma nova
ordem que, segundo ele, deveria durar dez mil
anos, Bertolt Brecht, com trinta e cinco anos de
idade, abandonou o país, asilando-se em várias
cidades da Europa. Suas obras, em Berlim, foram
queimadas em praça pública com tantas outras dos
mais famosos escritores da época. No dia em que
a Alemanha invadiu a Dinamarca, Brecht, que se
encontrava neste país, fugiu para a Finlândia.
Dali partiu para Vladivostok, onde embarcou para
os Estados Unidos. No exílio, que durou até o
fim da Segunda Guerra Mundial, publicou vários
poemas que contribuem para sua glória literária
tanto como suas peças teatrais. Brecht não se
cansou de fustigar violentamente a figura de
Hitler, mostrando os crimes do nazismo. De volta
à Alemanha, depois do desmoronamento deste
regime, continuou a lutar, como marxista, pela
causa operária. Ao morrer, em 1956, o mundo
inteiro reconhecia a grandeza de sua obra.
O OBJETIVO DA
POESIA MODERNA
Brecht tem, sobre a poesia,
o mesmo pensamento que tem sobre a arte
dramática. Maneja-a da maneira mais sábia em
defesa da liberdade do homem. Há, em seus
poemas, o mesmo sentido épico e didático de suas
peças teatrais. Recusa-se a aceitar uma poesia
alheia aos acontecimentos sociais. Exige que ela
seja atuante sem perder, entretanto, o seu
sentido artístico. A poesia moderna deve estar
ao lado da revolução.
O êxito excepcional do teatro e da poesia de
Brecht confirma a justeza de seus pontos de
vista. Sua arte é duplamente revolucionária: no
fundo e na forma. Não só se opõe à estética de
Aristóteles como não se submete ao
convencionalismo e aos preconceitos sociais.
Escreve independentemente como acha que se deve
escrever.
Aqui se encontram reunidos alguns poemas de
Brecht. Contei, na versão e revisão da obra com
a colaboração de um profundo conhecedor do
idioma alemão. Mas não pretendo
responsabilizá-lo pelas adaptações que fui
levado a fazer. Toda a tradução em verso é uma
adaptação no sentido exato do termo. Não se pode
fugir a esta regra por mais que se permaneça
fiel ao pensamento do autor.
A obra poética de Bertolt Brecht, escrita contra
Hitler e o nazismo, não é só um protesto contra
as injustiças sociais, contra os atentados à
liberdade. É também uma corajosa mensagem de
confiança histórica na ação transformadora dos
homens que lutam por um destino melhor.
In: Antologia Poética de Bertolt Brecht, Edmundo
Moniz, Ed. Elo, 1982.
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ANTOLOGIA
POÉTICA
Nada é impossível
de mudar
Desconfiai do mais trivial, na aparência
singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é
de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.
Elogio da
Dialética
A injustiça passeia pelas ruas com passos
seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante. Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos
dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar!
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não. é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De nós.
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de
amanhã.
E o "hoje" nascerá do "jamais".
A Exceção e a
Regra
Estranhem o que não for estranho.
Tomem por inexplicável o habitual.
Sintam-se perplexos ante o cotidiano.
Tratem de achar um remédio para o abuso.
Mas não se esqueçam
de que o abuso é sempre a regra.
A Máscara do Mal
Colocada em minha parede tenho uma peça
japonesa,
máscara de um demônio maligno, pintada de ouro.
Compassivamente olho
as veias abauladas da fronte que revelam
o esforço que custa ser mau.
As Boas Ações
Esmagar sempre o próximo
não acaba por cansar?
Invejar provoca um esforço
que inchas as veias da fronte.
A mão que se estende naturalmente
dá e recebe com a mesma facilidade.
Mas a mão que agarra com avidez
rapidamente endurece.
Ah! que delicioso é dar!
Ser generoso que bela tentação!
Uma boa palavra brota suavemente
como um suspiro de felicidade!
A Troca da Roda
Estou sentado á beira da estrada,
o condutor muda a roda.
Não me agrada o lugar de onde venho.
Não me agrada o lugar para onde vou.
Por que olho a troca da roda
com impaciência?
Louvor ao Estudo
Estuda o elementar: para aqueles
cuja hora chegou
não é nunca demasiado tarde.
Estuda o abc. Não basta, mas
Estuda. Não te canses.
Começa. Tens de saber tudo.
Estás chamado a ser um dirigente.
Freqüente a escola, desamparado!
Persegue o saber, morto de frio!
Empunha o livro, faminto! É uma arma!
Estás chamado á ser um dirigente.
Não temas perguntar, companheiro!
Não te deixes convencer!
Compreende tudo por ti mesmo.
O que não sabes por ti, não o sabes.
Confere a conta. Tens de pagá-la.
Aponta com teu dedo a cada coisa
e pergunta: "Que é isto? e como é?"
Estás chamado a ser um dirigente.
Poesia do Exílio
Nos tempos sombrios
se cantará também?
Também se cantará
sobre os tempos sombrios.
Perguntas de um
operário que lê
Quem construiu a Tebas das Sete Portas?
Nos livros constam nomes de reis.
Foram eles que carregaram as rochas?
E a Babilônia destruída tantas vezes?
Quem a reconstruiu de novo, de novo e de novo?
Quais as casas de Lima dourada
abrigavam os pedreiros?
Na noite em que se terminou a muralha da China
para onde foram os operários da construção?
A eterna Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os construiu?
Sobre quem triunfavam os césares?
A tão decantada Bizâncio era feita só de
palácios?
Mesmo na legendária Atlântida
os moribundos chamavam pelos seus escravos
na noite em que o mar os engolia.
O jovem Alexandre conquistou a índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses.
Não tinha ao menos um cozinheiro consigo?
Quando a "Invencível Armada" naufragou,
dizem que Felipe da Espanha chorou
Só ele chorou?
Frederico II ganhou a guerra dos Sete Anos.
Quem mais ganhou a guerra?
Cada página uma vitória.
Quem preparava os banquetes da vitória?
De dez em dez anos um grande homem.
Quem paga as suas despesas?
Tantas histórias.
Tantas perguntas.
Caçado com boa
razão
Cresci como filho
de gente rica. Meus pais deram-me
uma gravata e me educaram
nos hábitos de ser servido.
Ensinaram-me também a arte de mandar.
Mas quando cresci e olhei em volta
não gostei da gente de minha classe,
nem de mandar nem de ser servido.
E deixei a minha classe,
indo viver com os deserdados.
Deste modo, criaram um traidor.
Ensinaram-lhe as suas artes,
e ele passou
para o lado dos inimigos.
Sim. Eu revelo segredos.
Estou no meio do povo e relato
como eles o enganam.
Prevejo o que virá,
pois estou a par de seus planos.
O latim dos padres venais
traduzo palavra por palavra
na linguagem comum.
Assim todos vêem os seus disparates.
Pego nas mãos a balança da justiça
e mostro os falsos pesos.
Os espiões me delatam,
revelando que estou ao lado das vítimas
quando se dispõem a atacá-las.
Eles me advertiram e me tomaram
o que tinha ganho com meu trabalho.
E como não melhorei,
começaram a caçar-me.
Mas em minha casa só encontraram escritos
que denunciavam seus atentados contra o povo.
Emitiram então contra mim um mandado de prisão,
acusando-me de idéias subversivas,
isto é, da subversão de ter idéias.
Aonde chego sou estigmatizado
pelos proprietários, mas os deserdados
sabem do mandado de prisão e me escondem.
Dizem:
A você eles estão caçando com boas razões.
Aos que virão
depois de nós
I
Eu vivo em tempos sombrios.
Uma linguagem sem malícia é sinal de
estupidez,
uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Aquele que ainda ri é porque ainda não
recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, quando
falar sobre flores é quase um crime.
Pois significa silenciar sobre tanta injustiça?
Aquele que cruza tranqüilamente a rua
já está então inacessível aos amigos
que se encontram necessitados?
É verdade: eu ainda ganho o bastante para viver.
Mas acreditem: é por acaso. Nado do que eu faço
Dá-me o direito de comer quando eu tenho fome.
Por acaso estou sendo poupado.
(Se a minha sorte me deixa estou perdido!)
Dizem-me: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que posso comer e beber,
se a comida que eu como, eu tiro de quem tem
fome?
se o copo de água que eu bebo, faz falta a
quem tem sede?
Mas apesar disso, eu continuo comendo e bebendo.
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a
sabedoria:
Manter-se afastado dos problemas do mundo
e sem medo passar o tempo que se tem para
viver na terra;
Seguir seu caminho sem violência,
pagar o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim.
É verdade, eu vivo em tempos sombrios!
II
Eu vim para a cidade no tempo da desordem,
quando a fome reinava.
Eu vim para o convívio dos homens no tempo
da revolta
e me revoltei ao lado deles.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas,
deitei-me entre os assassinos para dormir,
Fiz amor sem muita atenção
e não tive paciência com a natureza.
Assim se passou o tempo
que me foi dado viver sobre a terra.
III
Vocês, que vão emergir das ondas
em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas,
nos tempos sombrios
de que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através da luta de classes,
mudando mais seguidamente de países que de
sapatos, desesperados!
quando só havia injustiça e não havia revolta.
Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós,
que queríamos preparar o caminho para a
amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.
Bertolt Brechet
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Fonte: Quem é o Sr.Bertolt Brecht
www.multy.com/homem/bertolt.htm
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