|
Tributo à Poesia
Dayse Maria
Não importa que o tempo passe,
arrastando sonhos, que em vão flutuam.
Nem que pelo espaço, formem-se clareiras,
nesta imensidão de minha inquietude.
Não importa se o canto é longe,
nem se o meu cantar, é desafino,
se em tantos versos me desfiz palavras,
fosse em qualquer hora ou infinito.
Fui dona de meus pensamentos,
mais que dona de minhas atitudes...
Vi passar estradas, luas, sóis.
Vi nascer a rosa que plantei.
Pude alimentar envolto nos lençóis,
o amor que por tanto esperei.
Nos meus versos, nada pode me deter,
nem espada, nem clausura,
nem silêncio, nem tortura...
E por versos pude estender,
toda a existência do meu simples ser,
sem contar no tempo, antes ou depois,
para deixar marcar,
o que em mim perpetuou.
E por este tempo, vão das criaturas,
fui criança, anjo,
fui mulher, ternura.
Fui tudo que sonhei e não fiz.
Fui tudo que quis e não realizei.
Sim, eu fui...
Fui a rosa mais perfeita, e a pétala arrancada.
Fui o canto da sereia, e o silêncio da alvorada.
Sim, eu fui...
Fui o cume da montanha, e a raiz de uma árvore.
Fui estrela mais distante, e a imensidão dos mares...
Sim...
Fui tudo que imaginei, pelos versos que vivi.
E por eles nascerei, cada vez que o livro abrir.
Passarei por tempos e jornadas,
sem que minha luz se apague,
pois nos sonhos fiz minhas moradas,
e dos meus versos fiz um estandarte!
|