PATER RÉQUIEN


by Lalá de Paula

 

Caminhei em direção ao quarto, era madrugada.

Amedrontada pelo que iria ver no momento.

Seu corpo inerte sobre o leito, sem vida.

Difícil instante, você agora só em pensamento.


Duvidei, ponderei, mas era verdade.

Sentí o frio da morte em sua mão.

Entendi então a dor da saudade.

O momento doloroso da separação.


Agradeci a Deus por não ter padecido.

Passou para o outro lado, sem sofrimento.

Foi indo como se estivesse nascido,

para um corpo novo, um novo momento.




Providenciei então o sepultamento.

De onde veio essa força que sentia?

Apesar da dor, tudo eu definia.

Escolhi ataúde, jazigo e ornamento.


E assim foi, cumpri meu dever.

Ele era meu pai e merecia.

Foi difícil conseguir entender,

Que só eu,filha,tudo faria.


Tempos depois, mais um sofrimento.

Teria que fazer a exumação.

Fui certa de que era só um momento.

segui sozinha para a conclusão.


Seu corpo desfeito, nada ali restava.

Levei-o dali para onde queria.

Caminhava com que de você restava.

Levei-o para a cremação.


Joguei suas cinzas no mar.

Lugar que você sempre gostou.

Agora estava no ar.

Tudo se consumou.


Essa dor que sinto ainda,

um dia há de passar.

Sua missão já está cumprida.

A minha ainda vai demorar.


Um dia nos encontraremos na eternidade.

Tenho certeza que isso vai acontecer.

Vamos estar juntos na imortalidade.

Veremos um novo amanhecer.


 


 


 



 


 


 
 
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