AH... A POESIA...

1.
A poesia é um círio de eterna luz
que brota dos faróis nos périplos azuis
e guia-nos ao reino angelical das fábulas...
Ela vem com o sol-nascente das parábolas,
trazendo a ardentia de amores vesanos
e todos os alfanjes desses desenganos,
cortando a emergência das leis científicas.

2.
A poesia faz integrações pacíficas
em dobres transcendentes de mil clarinetes,
ostentando nas praças e nos minaretes
as flâmulas heróicas da grã liberdade.

3.
E a chama poética - taça de verdade -,
tecendo oferendas para plenilúnios,
suplanta os grilhões, quebra os infortúnios,
buscando, assim, fermata em alegorias...
No êxtase do verbo, grãos de poesias
alavancam o espírito (buscam o essencial
na commedia dell'arte sobrenatural)
e lançam seus jograis ao elan das noites...

4.
A poesia é o vento em sutis açoites,
polinizando nossos seres-flamboyants.
É a solidão das cercas de avelãs
nas madrugadas de geadas e outonos...
É o inflamável afã de sonhos/abandonos
guardados no silêncio dos desamanhãs.

5.
A poesia segue com as procissões,
levando seus archotes, semeando preces;
e vem com as pavanas em ditosas messes
ou com os ritornelos das melancolias...
Ela traz os enigmas das vãs travessias
e as epifanias dos anjos e mitos...
Seus soldados-clarins, reais-infinitos,
afastam basiliscos, faunos e dragões...

6.
Oh, a poesia é o cetro das sublimações
e a languidez do pranto que nos aterra...
Ante a expectação e o sinal de guerra,
é o Santo Graal dos nossos corações!



Autoria: RUBENIO MARCELO
(Membro e Secretário-Geral da Academia
Sul-Mato-Grossense de Letras)




 


 
 
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