Tempestade no deserto

Francisco Libânio

Quarenta e oito horas estão se passando na ampulheta
Um lado não cede pois se considera correto no seu erro
O outro é intransigente e quer em quarenta e oito horas
Tombe o que levou treze anos para edificar num terreno
Arado por milhões de anos e de vidas passadas e futuras

Quarenta e oito horas estão se passando na ampulheta
Contadas com a mesma areia do deserto e com sangue
De um povo que sofre, mas é orgulhoso de ser nativo,
De um povo que é pobre de ouro, mas é rico em sua fé,
De um povo que apanha do mais forte e não se ajoelha
De um povo que tem nessa areia o seu precioso chão
Onde estão seus ascendentes e onde viverão os filhos
Sobreviventes vitoriosos desta tempestade no deserto

Quarenta e oito horas estão se passando na ampulheta
E um imperador com devaneios de Julio César moderno
Ataca sem ser atacado e sem ser autorizado pela maioria
Afinal o mundo não é páreo para os seus quereres insanos
Ilude os ricos para dar dinheiro e os pobres com o paraíso
Que não existe. O mundo deve apenas obedecer e aceitar
Sem questionamentos, pois quem contraria é posto inimigo
E as mortes em seu chão não sensibilizam quem quer matar

Quarenta e oito horas estão se passando na ampulheta
Até cair o último grão de areia e a primeira bomba aliada
Em território inimigo de um e - pretensiosamente - de todos
São estilingues contra mísseis. Luta covarde e desumana
De dois lados que acreditam em sua convicção, mas iguais
Eles são apenas em ser almas humanas. Não há mais volta
Delenda est. Azar de quem se opor. A Deus o critério da vitória
E ao diabo quem ordena esta barbárie. Agora é a última hora!

 

Música: The lords prayer

 
 
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