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A riqueza
internacional, monetária e tecnológica encontra-se tão ilhada e de acesso tão
restrito que, em vez de tornar-se um bem conquistado historicamente por toda a
humanidade e a ela pertencente, acaba constituindo-se num entrave para o
progresso.
Em outras palavras, Martin & Schumann dizem que a economia global apenas coloca
seus baluartes econômicos em alguns pontos estratégicos dos países em
desenvolvimento.
Enquanto isso a maior parte do mundo vive o problema da exclusão social, uma
verdadeira sociedade de mendigos, tantos nas megalópoles, quanto nas bruscas
mudanças dos modos de produção na área rural. Isto inclui não apenas avanços
tecnológicos, mas uma nova forma de pensar onde exclui-se todo a preocupação com
a dignidade humana.
O Brasil, infelizmente encontra-se nesta estatística de exclusão e desigualdades
imensas. Retirando “as ilhas” de concentração de riquezas, no país grande parte
da população, apenas sobrevive em condições sub humanas.
O estado de bem estar social faliu, na maioria dos países, com as propostas de
trânsito monetário, onde o cassino das bolsas de valores e do anonimato do
capital, criou um valor ilusório para as moedas. Estas não representam mais seu
valor na equivalência em bens de produção e consumo, mas passam a representar o
poderio bélico acumulado, ou a idéia deste, que faz o controle de alguns povos
sobre outros.
Na Convenção de Estocolmo de 1980, se não me engano na data, mas foi por aí, o
mundo gastava na pesquisa da indústria bélica e na produção de armas, 30.000
dólares por cada habitante da terra. Imaginem isto investido na produção de
alimentos , educação, etc. Este belicismo está sendo revivido com todas as
forças pelo governo Bush, não por questões políticas ou ideológicas, na minha
opinião, mas por necessidade de sobrevivência econômica da estrutura
organizacional da sociedade americana.
A guerra contra o oriente médio é uma guerra de conveniência. Nenhum valor ético
está incluído nela. Nenhum modelo de melhoria de qualidade de vida para a
humanidade existe. Diferente da guerra fria onde dois modelos diferentes de
organização dos bens sociais de produção, lutavam por seus modelos e suposta
superioridade ética de cada um.
Esta guerra atual é amoral e cínica onde lutam ‘"gatos do mesmo saco” Eu não
disse em nenhum momento que há uma guerra moral...mas esta de hoje, inicío do
século XXI, sequer beira a imoralidade. Não é nada e tudo, pois é apavorante:
surge da paranóia de alguns governantes e sua equivocada noção de poder e novos
valores que estão surgindo e que ainda a sociedade não se propôs a avaliar
direito.
É a guerra pela manutenção do poder calcada nos princípios da ignorância
Enquanto isso, a população mundial cresce: um milhão de pessoas por semana. Pelo
menos 60% deste contigente entrará na área dos excluídos.
Tantas divagações para entrar na realidade da nossa região dos Vales do
Jequitinhonha e Mucuri, que é o retrato do que foi dito anteriormente. A nossa
região, tristemente, encontra-se no pico da estatística da pobreza,
constituindo-se numa das cinco mais pobres do mundo.
Com a falência do estado de bem estar social, o descontrole da produção de
extração mineral, a falta de planejamento econômico levando ao êxodo rural, ou
seja, tudo o que parece velho em termos acadêmicos, aqui continua sendo atual,
pois mudaram as palavras mas os Vales do Jequitinhonha e Mucuri continuam como
há trinta anos atrás ou pior.
O resultado é o que sabemos; miséria, promiscuidade, doenças do corpo e da
mente, aumento no consumo de drogas, prostituição infantil. Será que preciso
falar de violência?
Amigos, há uma Serra Leoa dentro este Brasil nosso, tão lindo de cada dia.
Eu moro nela.
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