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Carlos Assis
 



O poeta é o ser mais estranho por sobre a terra
Pois de repente
Não é mais carne, sangue e ossos
Se transforma na nossa frente
Em outras coisas

E feito um anjo flutua no ar
Ser inventado pela religião
Ou bate as asas como uma borboleta
Filha da fantasia da natureza
Pode ser a beleza ou mesmo algo impuro

O poeta constrói frases agudas
Levanta emoções sonoras
Recompõe as lembranças
Que alguém perdeu
E nem mais percebia

Faz os outros verem um lindo hipopótamo
Num rio barrento da Mãe África
Ou um golfinho macho
Pulando no oceano Atlântico
Quem tem o direito de impedir a imaginação

O poeta com apenas suas palavras
Imita o brilho do rei sol
E a doce alvidez da meia lua
Perdido na ventania das emoções
Se faz nuvem elétrica e tempestade

Com frases de eterno amor
Ilumina a linda face da sua amada
E com uma elegante flor
Demonstra que a verdadeira paixão
Pode derrubar muralhas, vencer revoluções

O poeta é o ser mais estranho do planeta
As vezes se esquece que é homem
Se faz de criança e brinca na rua
Deita num banco de parque
Sonhando que o impossível mora na esquina

 

Carlos Assis

 

Edição: Neli Neto
Música: L'Ultimo Romantico - Pino Donaggio (parte)

25.03.06

 
 
 


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