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De vez em quando
O poeta sai às ruas: é um dia qualquer
Com céu claro e ensolarado.
Caminha pelas pessoas (e com elas)
Escuta-as
Fala-as
Sofre-as.
Anda de ônibus
Como qualquer mortal:
Vê a vida passando
Pelo ar, pelo banco ao lado,
Pelas horas que vão costurando o dia,
Pelo guarda que atende ao parto na contra-mão,
Pela velhinha que passeia saudades!
E vai andando...
Por bares,
Por mal e bem-amados,
Por bem e mal-vividos,
Por edifícios humanos,
Por casais solitários,
Por acompanhados casais,
Por ruas e ruas sem motivos de serem (talvez
gostariam de serem um jardim),
Por tanto céu desfraldando
Tanta nuvem (as nuvens se desfraldam todo dia no
céu),
Por um engraxate,
Por um jornaleiro,
Por um pedaço de si próprio.
E desfila sua vida em tantas vidas,
Talvez poemas vivos
Que gostaria de escrever (mesmo vivos)!
De vez em quando
O poeta sai às ruas e vê tantas coisas!
Paulo Monti
Edição: Neli Neto
Música: L'Ultimo Romantico - Pino Donaggio (parte)
25.03.06 |