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Campo Grande-MS, 13 de março de 2006.
À Poesia! - Carta IX
Blem!... toca ao longe o sino... Blem! é um
chamado...
Blem! Toca o sino da igreja. Blem! Seis
horas. Blem! É o sinal para que a natureza
se troque.
O sol se esconde na mata dando lugar a noite
que chega com todos os seus matizes de
negro-dourado, resquício de um último raio
de sol.
Ao longe, ainda ouço os pássaros... Pardais,
pequenos e céleres pardais que correm em
busca de um último grão. Bem-te-vis -
charmosos envergando sua vistosa roupagem
amarela e contando a todos que viu... mas eu
tenho certeza de que nada viu, apenas
imagina!
O Sabiá... o seu canto de final de dia é
maravilhoso...suave, saudoso. E mais longe
grita o Urutau - chamando a lua, que por
causa das nuvens tarda o seu chegar. O calor
ainda é forte... e as cigarras confirmam que
este ano será ainda pior...
De minha varanda aguardo a noite... ela vem
de mansinho; mergulho em suas brumas; me
abraço em suas cortinas e, olhando através
das estrelas que brilham tímidas, recordo...
Pego a caneta e o papel e começo a carta.
Carta que não finda.
Antes - perfumo o papel com uma gota de
anais anais - na esperança que a brisa me
leve a ti...
Em tempos de e-mails- as cartas perderam a
razão de ser...mas como eu gosto,
escrevo-as!
Quantas coisas tenho a dizer... podia ligar,
podia sim! Mas não seria a mesma coisa -
pois tem coisas que só se diz numa carta.
Tem tanta coisa que queria contar - as
perdas, inúmeras...
Ganhos, também, foram muitos...!
Tenho conhecido pessoas - tantas - algumas
verdadeiras poeiras de beira-rio... outras
tão profundas que nem Cícero as descreveria
em seus memoráveis discursos, outros ainda,
- tão complexos seres...
Mas não perdi a mania e as idealizo, por
conta disso, tenho me quebrado além do
devido.
Quero falar com alguém, perguntar o que
acha, mas ao lado - quando olho - não estás!
Por isso o papel e a caneta me fazem tanta
falta pois com eles conto o que quero, dobro
e mando...
Na carta os meus sentimentos, as minhas
emoções fluem desavergonhadas, sem quaisquer
censuras...
E ainda que não tenha todo o tempo do mundo
sempre espero cartas...
Espero-as como espero, no findar do dia, os
versos do anoitecer...
Falando em versos, amanhã é o dia do poesia.
Poeta é um ser ambíguo... sofre, chora,
sorri na mesma hora, e, moldando as palavras
- nos faz, também, sonhar, sorrir e sofrer.
Poesia e mulher são iguais em se tratando de
dia. Todo dia e dia de poesia, e, é dia da
mulher.
E se é dia de poesia e da mulher - é também,
dia do homem, já que o masculino e o
feminino coexistem todo o tempo. Existimos!
Já se faz tarde e não vens....
Não demores a vir - poesia, não demores a
vir, os dias são longos e as noites eternas
sem a tua presença em mim.
No Dia Internacional da Poesia - o abraço
dos poetas do Luna&amigos a todos os
sonhadores do Planeta!
DELASNIEVE
Miranda DASPET de Souza (Luna)
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