A QUEDA DA BASTILHA
Nelson Vieira de Souza

 

E o que era a Bastilha? Bastilha, uma prisão torre onde ficavam os presos políticos, adversários dos dominantes: Clero e Nobreza, que constituíam o 1.°e 2.º Estados ou Poderes, na França. A burguesia e o povo formavam o 3.º Estado.

Era o ano de 1789 e lá se vão mais de dois séculos, o povão "penava" que dava dó, com dificuldades de toda forma. Só uma minoria tinha vez, mandavam e desmandavam. Minoria essa composta somente do Clero e Nobres.

Os dominantes (minoria) ocupavam cargos públicos, judiciários e detinham a posse de muitas terras. A burguesia e povo perfaziam cerca de 96% da população e subsidiavam os privilégios do Clero e Nobreza.

Os franceses cansaram das mazelas. Pagavam impostos e taxas descabíveis para deleite de poucos, os dominadores. A "Lei da Vantagem" conhecida por todos na França, era prática usual. Herança maldita. Ressalta-se que o Clero e a Nobreza não pagavam impostos.

O povo suportou tantas amarguras, a ponto de chegar o momento de não tolerar mais, eis que tudo tem limites. E, deu no que deu, a massa se rebelou, cabeças literalmente começaram a rolar, guilhotinadas. Isso teve início em julho de 1789.

E a Bastilha caiu aos 14 de Julho de 1789, começo da redenção dos franceses, menos favorecidos, era a maioria, que exclamava a todos os cantos: "LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE", sob o velário de organizações secretas integradas no movimento revolucionário, na perseguição de melhorias e justiça para o povo francês, à época. Trilogia conhecidíssima (entre os homens de bons costumes), inscrita no "ARCO DO TRIUNFO" e em vários pontos da França e do mundo. Um marco na história da humanidade.

Num exercício de analogia com o Brasil, de hoje, guardadas as proporções, assistimos perplexos, atônitos, o caos reinante. Estarrecidos, tomamos conhecimento de atos de lesa pátria, de anti patriotismo. Um descalabro. E, pasmem, atos praticados à luz do dia por aqueles (com exceções) que têm a obrigação de gerir os destinos da Nação (os ditos homens letrados), na busca constante de melhorias para o povo. Será que prevalece a máxima: "Cada povo tem o governo que merece". Enquanto isso: brasileiros morrem nas filas, na esperança de atendimento hospitalar, atendimento hospitalar precário, propriedades invadidas, estupros, assaltos, tráfico de substâncias tóxicas, tráfico de influência (onde "quem pode mais, chora menos"), falta de moradia, desemprego, corrupção, etc. e tal. E o poder aquisitivo do povo, ó!

O povo a todo instante é atingido e exigido. Nós temos leis, vamos aplicá-las, doa a quem doer. A impunidade, um câncer a atormentar tem que ser extirpada. A justiça tem que ser mais célere, eliminar a torpeza, e ser complementada por um sistema carcerário que realmente possibilite o condenado quitar sua dívida perante a sociedade, bem como torná-lo útil. O cerceamento da liberdade ao condenado não basta. Tem que produzir. Trabalhar sim, para a comunidade. Por quê a obrigação de sustentar um individuo com capacidade física e mental, que comprovadamente errou? Tem que pagar pela sua sobrevivência (alimentação nutricional, lazer, assistência médica/psicológica e etc.), além de minorar o tempo para pensamentos nocivos. E que ao retornar ao seio da sociedade, poderá refletir se compensa permanecer na criminalidade. Manter um preso é muito dispendioso. Quem paga a conta ? "Ofende os bons, quem poupa os maus" (Eleodoro Vasques Escobar).

Por outro lado, idosos (sabedoria), crianças (futuro), deficientes e os merecedores de ajuda, esses sim devem ser respeitados, orientados e mantidos sob o cuidado da população, pelo que representam. Aí, deixar somente ao Estado executar fica difícil. É preciso parceria.

O povo está carente de ações que impliquem em confiabilidade, credibilidade e tranqüilidade. Há descontentamento generalizado, no meio rural e nas cidades, com raras exceções.

Por sorte, os brasileiros são tranqüilos, sensatos. Há quem diga que: "No Brasil quem trabalha come e quem não trabalha também come". Graças a Deus. Embora, não devamos subestimar a tolerância do povo. Vejam o ocorrido na França em 1789.

Agora, o povo está ávido por uma política que estimule os empresários contratar. Para que isso ocorra, urge mudanças que diminuam os encargos sociais. Pois que emprego é vida, lazer e auto-estima. Os agricultores/pecuaristas clamam por preços mínimos na venda dos seus produtos, por insumos com custo compatível, por ambientes de estocagens e juros condizentes. Sem contar que dependem de condições climáticas para um resultado satisfatório. São eles que produzem o quê comemos, utilizam mão-de-obra e são responsáveis pela parcela de percentual de exportação considerável, numa notória contribuição à balança comercial. Que pode ser melhor.

É certo que todos podem errar, querendo acertar. Mas, persistir no erro não dá. Já foi dito que as leis estão aí, e é uma realidade, porque não pô-las em execução e reduzir a burocracia que é outro entrave.

O Brasil tem tudo para dar certo. Tudo mesmo. Tem extensa área agricultável (facilidade de mecanização), entrecortado por rios (fomentar a navegação fluvial), vasto litoral (dar ênfase a navegação de cabotagem e longo curso), uma Amazônia (cobiçada), um Pantanal, ambas com riquezas no subsolo e solo (fauna e flora) exuberantes, uma Itaipu, uma reserva aqüífera extraordinária (Reserva Guarani), um parque industrial num crescente. Não tem belicosidade com países vizinhos. Tem lindas cidades, um clima fenomenal, sem catástrofes constantes de origem natural. Com gente inteligente, querendo participar. O Brasil é um país abençoado por Deus.

O quê falta? Falta: respeito e seriedade no trato da coisa pública. Falta: termos representantes políticos voltados para o bem comum, corretos e probos. Falta: abolir o verbo "locupletar". Falta: por na cadeia os corruptos. Falta: atenção para a saúde, educação e segurança, para o povo produzir e se qualificar com tranqüilidade. Falta: ainda que tardio contestar as palavras que segundo dizem foram proferidas pelo General Charles de Gaulle: "O Brasil não é um país sério". Falta: vestir "a camisa verde e amarela da empresa" Brasil. Falta: patriotismo.

Podemos e devemos mudar, se quisermos o melhor para nós, "brasileiros e brasileiras". Querer é poder.

"BRASIL, AME-O OU DEIXE-O".

 


Música:  Che Gelida Manina

 

 
 
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