APARENTA SER FÁCIL...
Nelson Vieira de Souza

 

Diariamente nos deparamos com pessoas no exercício de atividades, as mais diferentes e estranhas que se possa imaginar, com desenvoltura. E nos leva a pensar o porque das pessoas darem conta do trabalho, assim naturalmente. Aparenta ser fácil...

Antes, é sabido que trabalhar é preciso no sentido de sobrevivência em primeiro lugar, sim. O povo diz: "O trabalho enobrece". O trabalho alavanca possibilita ganho a ser transformado em qualidade de vida, consumo, lazer, conhecimentos e etc. e tal. Aparenta ser fácil...

Observa-se, trabalhar naquilo que gosta é fundamental e o resultado é no mínimo satisfatório, a maioria fica acima da expectativa, de bom a ótimo. Os produtos e serviços realizados pela pessoa focada no que faz com gosto, automaticamente têm algo a mais em benefício do consumidor, seja na forma de elaborar os produtos e apresentá-los ou no aspecto do atendimento, expressando alegria contagiante a cativar a simpatia dos seus semelhantes, na área do trabalho e externa dele. E, a pessoa em si, contenta-se em ver estampado no semblante do próximo, o desejo de "quero mais". Uma realização sem preço, íntima. Aparenta ser fácil...

Pessoas, por força das circunstâncias ficam impedidas de trabalhar, tornam-se problemáticas, porquanto o trabalho é modo de terapia. Na labuta, as horas passam, voam (para os satisfeitos) dá até para esquecer um pouco das dificuldades, e onde passam mais horas do dia e conseqüente da vida. Os fatos são compreensivos e mais, nos locais de trabalho são criados vínculos, relações de amizades, familiares, comerciais, ao longo da jornada. Vira uma "cachaça". É impossível alguém esquecer "passagens" pitorescas, sentimentais (alegres e tristes) onde trabalhou ou trabalha. É marcante. Esquecer só em face de motivos condizentes e/ou subjetivos. Aparenta ser fácil...

Num outro enfoque, o quê conduz pessoas a irem a hospitais prestar solidariedade aos enfermos, pessoas que nem conhecem. Deixam seus afazeres, cidadãos de múltiplas formações. Lá, levam palavras de conforto, encorajamento, carinho e chegam a se transformar em palhaços para alegria das crianças, adolescentes e adultos/idosos. São agentes anônimos, desprendidos de materialidade e praticam atos de benevolência de fórum íntimo, de dar "inveja". Aparenta ser fácil...

Ninguém tem condições de tudo fazer e querer, por mais abastado que for. Para consecução de suas vontades, sempre necessitará contar com os préstimos de outrem. O quê seria se não houvesse, por exemplo: Os coveiros, coletores de lixo, carcereiros, camareiras, mordomos, acompanhantes de idosos, faxineiros, bombeiros, entre outras atividades, são inúmeras. Uma calamidade. Aparenta ser fácil...

De tudo que é prestimoso e aparenta facilidade na feitura, sempre terá a mão do homem na frente ou detrás. O valor é reconhecido no momento da precisão. Uma mão é capaz de apoiar e também de empurrar. O que aparenta ser fácil, requer disciplina, ordenamento e vontade. É o caso, por exemplo, dos colonos, levantam cedo e saboreado o "quebra torto" de imediato vão para a lida: tratar dos animais, ordenhar, cuidados com a horta, lavoura e mais isso e aquilo diuturnamente, entra ano e sai ano. Aparenta ser fácil...

Os avanços tecnológicos se sucedem a todo instante, uma realidade. A diminuir o emprego da mão do homem, em quantidade nas produções e serviços, a automação está aí. O homem alijando o homem, em troca de mais produção em menor tempo, a custo baixo e maior rentabilidade. Para transpor os obstáculos urge ao homem adquirir conhecimentos e manter-se atualizado. Aparenta ser fácil...

 


Música:  Sonata - Beethoven

 

 
 
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