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A Babá e a
Ampulheta!
Iracema Zanetti
Tristinha... eu ficava pensando
nas horas que de castigo passava.
Sozinha em casa, aos cuidados da babá,
queria mais era brincar...
Na minha idade estudar não fazia parte
das minhas brincadeiras.
Minha mãe ditava as regras
e saía pra trabalhar.
Meu pai deixava-me na porta do colégio, dava-me
um beijinho estalado e seguia para o trabalho.
Eu voltava a vê-lo só na manhã seguinte!
Na hora da saída do colégio,
a babá estava lá a me esperar!
Eu chegava em casa cansada, deitava no sofá
pra descansar alguns minutinhos...
Mas a ditadora lá vinha resmungando...
Vá pro seu quarto se trocar,
pendure o uniforme, guarde os sapatos
e a pasta no lugar, lave as mãos
e venha almoçar!
Terminado o almoço, a bandeira branca
agitava-se no ar, uma hora de trégua,
de pernas pro ar!
Obá!!!!!
Depois disso, a babá me trancava
no quarto, pra eu estudar...
Dizia que se não usasse a chave, talvez
eu até tentasse fugir e nunca mais voltar!
Não sei em que museu ela andou,
pra encontrar e comprar uma ampulheta gigante de
vidro azulado e areia ocre rosada...
Ela controlava o tempo que eu gastava
para fazer cada tarefa,
através da ampulheta pendurada na parede
do lado de fora do quarto.
Eu pressentia sua presença
e chegava a sentir seu corpo gordo, e flácido colado à porta!
Sabia que ela me espiava pelo buraco da fechadura...
Mas deixava estar!
Um dia, fiz uma bolinha de papel
e tapei o buraco pra ver sua reação.
Não demorou meio segundo
abriu a porta, retirou o obstáculo,
que por uma fração de segundos ocultou sua visão,
ao bisbilhotar-me , como sempre!
Calada, não me castigou e nada comentou!
Ás vezes, levantava-me da mesa de estudos,
muito emburrada e pensativa!
Imaginava a babá espiando-me
por um rasgo inexistente
na parede do meu quarto.
Minha imaginação voava de lá pra cá!
Eu arquitetava planos...
Sonhava ter uma tesoura nas mãos...
Ah, como essa idéia me perseguia e me tentava...
Meu desejo era cortar o cordel que sustentava
a ampulheta, e vê-la espatifar-se no chão!
Cada vez mais emburrada e séria,
meus pensamentos rapidamente
tomaram outra direção...
Vi a babá e a ampulheta voando pelos ares,
explodindo feito rojão!!!
Ai, que bom se não fosse só imaginação!
Edição: Olga
Fonseca
Música: Bibidibo
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