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"Penélope é outra dessas heroínas míticas, cuja
beleza é mais do caráter e da conduta que do
corpo. Era filha de Icário, um príncipe
espartano. Ulisses, Rei de Ítaca, pediu-a em
casamento e conquistou-a, entre todos os
competidores.
Chegado o momento em que a jovem esposa deveria
deixar a casa paterna, Icário, não tolerando a
idéia de separar-se da filha, tentou persuadi-la
a permanecer ao seu lado e não acompanhar o
marido a Ítaca. Ulisses deixou a Penélope o
critério da escolha e ela, em vez de responder,
baixou o véu sobre o rosto. Icário não insistiu,
mas, quando ela partiu, levantou uma estátua do
Pudor no lugar onde haviam se separado.
Ulisses e Penélope não haviam gozado sua união
por mais de um ano, quando tiveram de
interrompê-la, em virtude dos acontecimentos que
levaram Ulisses à Guerra de Tróia. Durante sua
longa ausência, e quando era duvidoso que ele
ainda vivesse, e muito improvável que ele
regressasse, Penélope foi importunada por
inúmeros pretendentes, dos quais parecia não
poder livrar-se senão escolhendo um deles para
esposo. Penélope, contudo, lançou mão de todos
os artifícios para ganhar tempo, ainda
esperançosa no regresso de Ulisses. Um desses
artifícios foi o de alegar que estava empenhada
em tecer uma tela para o dossel funerário de
Laertes, pai de seu marido, comprometendo-se em
fazer sua escolha entre os pretendentes quando a
obra estivesse pronta. Durante o dia, trabalhava
nela, mas, à noite, desfazia o trabalho feito. É
a famosa tela de Penélope, que passou a ser uma
expressão proverbial, para designar qualquer
coisa que está sempre sendo feita mas que não se
acaba de fazer. O resto da história está contado
nas narrativas das aventuras de seu marido.(*)"

(*) veja a história de Ulisses e Penélope, em:
Cap. 16
Cap. 29
Thomas Bulfinch em O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA,
Ediouro, 2000, cap. XXIII
adaptado por
Moacir Índio da Costa Júnior
2005
Música:
Brave Heart |