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"Quando tantas forças menos ativas da natureza
eram personificadas,
não é de se admirar que os ventos o fossem.
Eram: Bóreas ou Aquilão, o vento norte; Zéfiro
ou Favônio, o vento oeste; Nótus ou Áuster, o
vento sul, e Euro, o vento leste.
Os dois primeiros principalmente têm sido
celebrados pelos poetas, o Aquilão pela sua
rudeza e o Zéfiro pela sua doçura. Bóreas amava
a ninfa Orítia, mas não conseguiu grande êxito
como amante. Era-lhe difícil respirar
delicadamente e suspirar estava, para ele, fora
de cogitação. Cansado de tentativas inúteis,
mostrou seu verdadeiro caráter, raptando a
donzela. Foram seus filhos Zetes e Calais,
guerreiros alados, que acompanharam a expedição
dos Argonautas e prestaram bons serviços, no
encontro com as aves monstruosas, as
hárpias.
Zéfiro era amante de Flora (*Clóris em grego*).
Milton faz alusão aos dois no Paraíso Perdido,
quando descreve Adão, desperto, contemplando
Eva, ainda adormecida:
...Erguendo-se de lado,
Inclinando-se um pouco, contemplou-a:
Desperta ou adormecida, a companheira
Pela sua beleza o dominava.
E chamou-a, então, com voz suave,
Como a de Zéfiro, quando Flora chama.
Tocando-lhe de leve, diz: "Acorda,
Minha esposa gentil, do Paraíso
Dom precioso, cada vez mais belo."
Thomas
Bulfinch em O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA,
Ediouro, 2000.
Adaptado por
Moacir Índio da Costa Júnior
2003
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