"Leandro era um jovem de Ábidos, cidade situada
na margem
asiática do estreito que separa a Ásia da Europa.
Na margem
oposta do estreito, na cidade de Sestos, vivia a
donzela Hero,
sacerdotisa de Vênus. Leandro a amava e costuma
atravessar o
estreito a nado, todas as noites, para gozar a
companhia da
amante, guiado por uma tocha, que ela acendia na
torre, para
esse fim.
Mas, numa noite de tempestade, em que o mar se
achava muito
agitado, o jovem perdeu as forças, e afogou-se.
As ondas levaram
o corpo à margem européia, onde Hero tomou
conhecimento de sua
morte e, desesperada, atirou-se da torre ao mar
e pereceu.
A história de Leandro atravessando o Helesponto
a nado era tida
como lendária e considerada impossível, até Lord
Byron provar sua
possibilidade, realizando a façanha ele próprio.
Na "Noiva de
Ábidos",
diz ele:
Estes membros que as ondas carregaram
A distância na parte mais estreita do Helesponto
é de quase uma
milha
(1.609 m) e há uma corrente constante, no
sentido do Mar de Mármara
para o Arquipélago. Depois de Byron, a travessia
tem sido realizada
por outros. De qualquer maneira, porém, trata-se
de uma proeza
notável,
capaz de assegurar fama àquele que a consiga
realizar.
No começo do segundo canto do mesmo poema, Byron
assim alude à
lenda:
Sopram fortes os ventos no Helesponto,
Como naquela noite tempestuosa
Em que o próprio Amor que o enviara
De salvar descuidou-se o bravo jovem,
o belo jovem, única esperança
de Hero, filha de Sesto. Solitária,
na alta torre a fogueira crepitava,
Desafiando o furacão e as ondas.
As marítimas aves, crocitando,
Pareciam gritar-lhe que não fosse
E a cor escura das pesadas nuvens
Era outro núncio do perigo extremo.
Nada, porém, ele escutava ou via
Senão a luz do amor,a luz da estrela
Que, nas trevas, brilhava, solitária,
E a voz de Hero, a voz do amor, nas trevas,
Abafando o fragor da tempestade.
Thomas Bulfinch em O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA,
Ediouro, 2000.
adaptado por
Moacir Índio da Costa Júnior
2003