Clítia

"Clítia era uma ninfa aquática, apaixonada por
Apolo, que não lhe
correspondia, o que a fez definhar. Deixava-se
ficar durante todo
o dia sentada no frio chão, com as tranças
desatadas caídas sobre
os ombros. Durante nove dias assim ficou, sem
comer nem beber,
alimentando-se apenas com as próprias lágrimas e
com o gélido
orvalho. Contemplava o sol, desde que ele se
erguia no nascente,
até se esconder no poente, depois do seu curso
diário; não via
outra coisa, seu rosto voltava-se constantemente
para ele.
Afinal, conta-se, seus pés enraizaram-se no chão,
seu rosto
transformou-se numa flor (*) que se move
constantemente em seu
caule, de maneira a estar sempre voltada para o
sol, em seu curso
diário, conservando, assim, o sentimento da
ninfa que lhe deu
origem.
(*) girassol
Thomas Bulfinch em O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA,
Ediouro, 2000.
adaptado por
Moacir Índio da Costa Júnior
2003