PÁGINA DE MITOLOGIA

Deuses e Heróis

 

O Romance da Mitologia Grega

 

Editora Brasiliense São Paulo 1960

 

 

Primeira Parte

 

O Advento de Pélops

CAPITULO VI

 

 

AS AVENTURAS DOS DENTES DO DRAGÃO E AS MÁGOAS DAS FILHAS DE CADMO

 

parte I

 

O Rei de Tebas chamava-se Creonte, e fez a Pélops calorosa recepção. Sentados juntos no palácio de Tebas, comendo e bebendo, Pélops contou como viera ter à Grécia, e ouvira ao Rei Creonte contar a história da construção da sua cidade.

Muito tempo atrás vivia no país da Fenícia uma linda princesa chamada Europa, cujo pai, o Rei Agenor, era possuidor de riquíssimas manadas. Tal era a beleza de Europa que o grande e divino Zeus por ela se apaixonou. Como seu pai não permitia que nenhum homem dela se aproximasse, antes de lhe haver ele escolhido um marido, Zeus transformou-se num touro tão dócil e inofensivo que a Princesa Europa dele se aproximava sem o menor receio, quando ele se juntava às reses de seu pai. Às vezes fazia ela, guirlandas de flores que colocava em volta de seu pescoço, ou montava nele para passear pelos prados verdejantes.

Um dia, à beira-mar, Europa montou no touro de estimação. Eis que, subitamente, ele disparou para o mar e pôs-se a nadar levando-a para a Ilha de Creta. Ali, transformando-se num guapo mancebo, manifestou seu amor com tanta ternura a Europa, que veio ela a dar à luz a três filhos chamados Minos,

Radamanto e Sarpedonte. Minos tornou-se Rei de Creta; Radamanto, Rei de todas as ilhas do mar, ao passo que Sarpedonte partiu para a Cária onde fundou a cidade de Mileto.

Quando o Rei da Fenícia soube que sua filha havia sido raptada , chamou seu filho Cadmo, ordenando-lhe que partisse à procura da irmã, e que não voltasse sem ela , mesmo que tivesse de rebuscar toda a terra. Cadmo fez-se à vela deixando sua terra natal, indagando por toda parte do paradeiro de sua irmã. Mas nada ouviu a seu respeito até chegar à Grécia. Naquele país consultou o oráculo de Apolo, o qual lhe ordenou que fundasse uma cidade e nela reinasse. Deveria para tanto seguir os rastros de uma novilha desgarrada, e lançar os fundamentos da cidade no ponto em que ela estacasse.

Ao deixar o templo eis que Cadmo avistou justamente uma novilha, que o conduziu por planícies e vales até um prado virente, onde estacou. Desejoso de oferecer sacrifício de ação de graças a Apolo, mandou Cadmo seus companheiros à procura de água e eles acharam uma fonte cristalina, na qual encheram suas vasilhas. Ignoravam, todavia, que aquela fonte era consagrada a Ares, deus das batalhas. Ouviram de repente um rugido atroador.Olharam, e viam um enorme dragão ali postado na guarda da fonte sagrada.

Ficou Cadmo muito tempo à espera de que seus companheiros regressassem trazendo-lhe a água que foram buscar. Tornando-se por fim impaciente, partiu em sua busca. Grande foi o horror que sentiu quando, penetrando numa clareira onde corria um regato de água cristalina, deparou com enorme dragão, em meio dos cadáveres de seus amigos, que o monstro devorava, um após outro.

Cadmo mata o dragão com um grito de dor e de fúria, Cadmo lançou-se contra o monstro . Isto lhe teria sido fatal se não surgisse a deusa Atena, repentinamente, em seu auxílio. Ajudado por ela Cadmo venceu e matou o dragão, arrancando-lhe os dentes aguçados e cruéis, com os quais tinha matado os seus amigos, e jogou-os ao longe. Presenciou então uma coisa extraordinária. À medida que tocavam o solo se transformavam os dentes em guerreiros armados, que investiam contra Cadmo com gritos selvagens, brandindo suas armas. A deusa Atena, porém, conservava-se a seu lado.

- Apanhe um grande seixo, Cadmo, disse ela, e o arremesse no meio desses homens; verá que voltarão as armas uns contra os outros, e você estará salvo. Duvidando ainda do que ouvia, arremessou Cadmo uma grande pedra no meio do bando de atacantes.

No mesmo instante começaram eles a se agredir mutuamente até morrerem todos, salvo cinco deles que se curvaram ante Cadmo, jurando-lhe fidelidade e prometendo ajuda-lo na construção da cidade.

 

 

 

capítulo II

[transcrição e adaptação do texto original de George Baker, em DEUSES E HERÓIS editora Brasiliense, 1960.]

Moacir Índio da Costa Júnior

 

 
 
 


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