PÁGINA DE MITOLOGIA

GEORGE BAKER



Deuses e Heróis

O Romance da Mitologia Grega


 

Editora Brasiliense
São Paulo
1960

 

Segunda Parte

Filhos de Reis





CAPITULO XI

OS TRABALHOS DE HÉRACLES


 

Muito embora não tivesse ido com os Argonautas até à Cólquida, Héracles foi bem recebido por sua mulher Mégara e por seu pai, o Rei Creonte de Tebas, ao voltar para sua casa. Seus três filhos tornavam-se belos rapazes e, durante algum tempo, viveram todos felizes, até que subitamente um desastre abateu-se sobre sua casa.

Não se tinha a deusa Hera esquecido de sua velha inimizade por Héracles, filho de seu marido Zeus com a bela mortal Alcmena. Por outro lado, sua esposa Mégara descendia de Cadmo e de Hermíone, cujos filhos também a deusa odiava. Ela tinha, pois, dupla razão para perseguir a família de Héracles. Com essa intenção mandou um súbito ataque de loucura a Héracles. Tão grande e forte era este, e tão terrível em sua demência, que ninguém o podia deter. Sob os olhares da própria mãe matou seus três filhos, além dos dois filhos de seu irmão Íficles, convencido de que eram animais ferozes.

Quando passou o ataque de loucura, Héracles sentiu profundo desgosto pelo sucedido e foi consultar o oráculo de Apolo em Delfos, para humilhar-se perante os deuses e saber qual a penitência que lhe cabia pelo seu crime. Ordenou-lhe o oráculo que fosse a Micenas, e ficasse durante doze anos submetido às ordens de Euristeu, que deveria prescrever-lhe doze difíceis e perigosas tarefas.

Então Héracles deixou sua esposa e seu lar, na tranqüila Tebas, e foi ter com Euristeu, dizendo-lhe que era a vontade dos deuses que ele, Héracles, o servisse durante doze anos. Euristeu ficou radiante de ter sob suas ordens o homem cujas façanhas se tornaram famosas e que, desde a morte de Anfitrião, era Rei legítimo de Micenas. Sempre temera que Héracles, de volta da busca do Tosão de Ouro, o expulsasse do trono. Porém, agora, eis que Héracles estava a seus pés, obrigado pelos deuses a prestar-lhe homenagem. Seria um verdadeiro milagre, pensou Euristeu, se no espaço de doze anos não encontrasse para ele um trabalho acima de suas forças, no qual viesse a perder a vida. Em conseqüência, disse-lhe que esperasse em Micenas, enquanto meditava na melhor maneira, de empregar sua força e sua destreza. Pouco depois designou-lhe o primeiro trabalho que teria de efetuar.

- No país de Neméia, ao norte desta cidade, disse Euristeu, acha-se o povo grandemente molestado por um leão que mata, não somente suas reses, mas também os pastores. Mate esse leão e traga-me sua pele, como prova de que desempenhou sua incumbência.

Já tendo matado um leão na adolescência, Héracles estava confiante quando partiu para a sua missão. Em pouco tempo conseguiu descobrir o rastro da fera, seguindo-o até à toca da grande floresta, onde ela se escondia. Levou consigo arco e flechas e, para maior segurança, cortou o galho de uma árvore e fez com ele um cajado tão pesado que poucos homens o poderiam manejar. Assim armado esperou que o leão deixasse o seu antro. Mas, tão espessa era a pele do leão e tão hirsuta e felpuda a sua juba que as setas não o afetavam, conseguindo apenas enfurecê-lo. Quando Héracles o agrediu com a clava, refugiou-se em sua toca, rugindo com ferocidade. Irritado, alijou Héracles suas armas, arrojando-se para dentro do covil. O leão assaltou-o; porém ele, estendendo seus braços possantes, segurou-o pela gorja. Apesar dos esforços desesperados da fera, não soltou sua presa, pois tinha o corpo resguardado contra as garras da fera pela pele de leão de que sempre se revestia. Afinal, prostrou o leão morto a seus pés. Ergueu-o, colocando-o ao ombro e com ele marchou de volta para Micenas.

Euristeu ficou estupefato de ver Héracles voltar ileso e com tanta presteza de sua primeira missão, porque o leão que estrangulara com as próprias mãos era muito maior e mais feroz que aquele que ele matara perto de Tebas. Apressou-se então, em determinar nova tarefa para Héracles, para se ver livre dele.

No país de Lerna havia um estranho monstro chamado Hidra, que tinha a forma de uma grande serpente e possuía cem cabeças. Vivia num lago, do qual emergia de vez em quando, apavorando os habitantes das redondezas.

- Vá a Lerna, ordenou-lhe Euristeu, e destrua o monstro do lago.

Então Héracles, em companhia de seu sobrinho Iolau, filho de Íficles, partiu para Lerna onde ficou à espreita da terrível Hidra. Quando avistou as cem cabeças que surgiam da água, e o corpo monstruoso arrastando-se na margem do lago, retesou seu poderoso arco desfechando flecha após flecha contra o monstro. Em seguida, empunhando sua enorme clava, atirou-se contra ele, vibrando golpes sucessivos nas suas cabeças. Quando conseguia esmagar uma delas, entretanto, no mesmo instante cresciam duas outras em seu lugar, de maneira que Héracles, depois de tanto trabalho, verificava que o monstro tinha mais cabeças do que antes, todas elas sibilando, investindo contra ele e esguichando mortífero veneno.

- Acenda fogo, Iolau, disse ele, e nele aqueça ao rubro uma barra de ferro. Cada vez que eu esmagar uma cabeça, queime-lhe a raiz com o ferro em brasa. Desse modo não nascerão outras duas em lugar daquela que esmaguei com a minha clava.

Iolau fez o que lhe foi ordenado, permanecendo de prontidão enquanto, mais uma vez, Héracles atacava o monstro. Com a mesma rapidez que Heracles esmagava uma cabeça, Iolau lhe queimava a raiz com o ferro em brasa, até que, no final, só restava uma cabeça. Esta última era imortal e, quando mesmo Héraeles a decepou com a espada, continuou sibilando e esguichando veneno. Então fez Héracles um buraco na terra para enterrar aquela cabeça maldita colocando-lhe, em cima, enorme seixo, tão pesado que nenhum outro homem o poderia levantar. Mas, quando se aprestava para pisotear a terra em cima dela, a cabeça falou:

- Abra o corpo do qual você me decepou, disse ela, e mergulhe suas flechas no meu fel. Por mais leve que seja o ferimento feito pelas suas setas, a pessoa ferida morrerá inelutavelmente, pois não se conhece nenhum antídoto para este veneno.

Assim fez Héracles. Deixando a cabeça da Hidra debaixo do rochedo, voltou para Micenas e escondeu com cuidado sua aljava cheia de setas envenenadas. Nada contou, a esse respeito, a Euristeu. Durante a luta, um grande caranguejo, enviado por Hera, arrastara-se em sua direção para morder-lhe o pé, para que fosse, assim, dominado pela Hidra. Héracles, entretanto, avistara-o em tempo, esmagando-o de um só golpe de sua clava. Para imortalizá-lo criou Hera, no céu, uma constelação chamada Câncer, que quer dizer caranguejo.

Euristeu estava longe de se alegrar, por rever Héracles tão cedo, e enviou-o para Enói, na Ática, onde vivia uma famosa corça com cornos de ouro e cascos de bronze, que vencia na corrida o vento mais veloz.

- Você não matará essa corça, disse-lhe Euristeu, mas apanhe-a viva e traga-a ilesa à minha presença.

Era esta incumbência mais difícil que as duas precedentes, embora menos perigosa. Durante um ano todo andou Héracles à caça da corça, procurando prendê-la em armadilhas. Conseguiu-o, finalmente, por meio de uma cilada ardilosa. No momento, porém, em que lhe amarrava as pernas para levá-la às costas para Micenas, apareceu a deusa Ártemis que lhe embargou os passos.

- Não sabe você que esta corça com cornos de ouro e cascos de bronze, cuja velocidade ultrapassa a do vento, me é consagrada? disse-lhe ela.

- Eu o ignorava, bela deusa, respondeu Héracles. Passei um ano todo a estudar a maneira de capturá-la, conseguindo-o afinal.

- Você deve desamarrá-la e libertá-la.

- Isto, não poderei fazer. Recebi ordem de Euristeu para que a levasse incólume à sua presença.

- Que tenho eu a ver com as ordens de Euristeu? retrucou a deusa.

- É pela vontade do Grande Pai dos deuses e dos homens que obedeço às ordens de Euristeu, respondeu Héracles.

Ao ouvi-lo, permitiu Ártemis que Héracles levasse a corça para Micenas e a apresentasse a Euristeu. Depois disso a soltou Héracles para que retomasse ao seu retiro na região de Enói.

Durante todo aquele ano, Euristeu estivera a matutar sobre o próximo trabalho que iria impor a Héracles. Mandou-o a Erimanto, onde vivia um enorme e feroz javali. Também este animal Héracles deveria trazer vivo e incólume para Micenas. O antro do javali era numa montanha e Héracles, que já havia aprendido muito da arte venatória, o perseguiu na neve alta, até conseguir capturá-lo com auxílio de uma rede.

Mas o javali era, tão grande e tão compridas e afiadas eram suas presas que, apesar de bem amarrado em sólida rede, Euristeu, ao vê-lo, escondeu-se de medo dentro de uma cuba de bronze, donde ninguém conseguiu tirá-lo durante muitos dias. Como não esperasse Héracles de volta tão cedo, não sabia ainda para onde enviá-lo. Foi em conseqüência de súbita inspiração que lhe ordenou que fosse à Élida, para limpar as estrebarias do Rei Augias.

Não oferecia esta tarefa perigo algum, mas tão grande dificuldade que Euristeu não imaginava que Héracles fosse capaz de realizá-la.

Possuia o Rei Augias três mil cabeças de gado estabulado. Os estábulos não tinham sido limpos

nos últimos trinta anos. Limpá-los era, pois, uma empresa acima das forças de um só homem, porque muito antes de ele terminar a limpeza do último estábulo, o primeiro já estaria tão sujo como antes.

Héracles, contudo, não era tão tolo que tentasse uma tarefa impossível. Depois de refletir, concebeu um plano. Foi procurar o Rei Augias, oferecendo-se para limpar os seus estábulos em um dia, com a condição de receber, em recompensa, uma rês por cada dez ali existentes. Aceitou o Rei Augias a proposta, certo de que não teria de cumprir a promessa.

Afastou-se Héracles para abrir dois canais ligando os rios Peneu e Alfeu aos estábulos. Retirou dali as reses, dando passagem à água que, correndo pelos estábulos, em pouco tempo os limpou de toda a sujeira. Feito isto foi à presença do Rei Augias.

- Cumpri minha parte do ajuste, declarou ele, resta-lhe cumprir a sua.

- Quando você fez o acordo comigo, redargüiu o rei, não me disse que Euristeu de Micenas ordenara esta tarefa. Nessas condições não o recompensarei por tê-la efetuado.

O filho do Rei Augias, Fileu, ouvira seu pai prometer a recompensa e observara com interesse a maneira pela qual Héracles executou aquela tarefa. Ao ouvir as palavras do pai sentiu-se indignado e tomou o partido de Héracles, muito embora não conseguisse alterar a decisão paternal. Héracles, então, jurou vingar-se, como de fato veio a faze-lo mais tarde, quando, retomando à Élida, matou aquele rei desleal e seus filhos, poupando a vida apenas a Fileu, que fora banido por haver tomado sua defesa.

Outro empreendimento, todavia, já estava à sua espera quando regressou a Micenas, de maneira, que, durante algum tempo, esteve demasiadamente ocupado para poder exacerbar o seu ressentimento.

Na região aprazível da Arcádia havia um lago chamado Estinfale, às margens do qual se abrigava um bando de pássaros monstruosos. Tinham asas, bicos e garras de bronze, e penas tão longas e rijas que as usavam como setas para matar suas vítimas. Eram tão grandes e ferozes que atacavam até homens e animais, parecendo, mesmo ter preferência pela carne humana. Teve Héracles a incumbência de expulsá-los ou de os exterminar.

Como aqueles terríveis pássaros conhecessem a bravura e a astúcia de Héracles, se escondiam dele, por entre as árvores, não podendo ser encontrados por mais que se procurasse. Um dia, ao atravessar a floresta, avistou Héracles uma bela mulher, na qual reconheceu a deusa Atena. Entregou-lhe ela um grande chocalho de bronze.

- Vá até à beira do lago, Héracles, e toque este chocalho de bronze. Seu ruído espantará os pássaros, que se erguerão no ar, voando em círculos em cima da copa das árvores. Ser-lhe-á fácil, então, abatê-los com suas flechas.

Héracles agradeceu a deusa e fez como ela ordenara. Quando o som dos guizos vibrou na floresta, as grandes aves alçaram vôo batendo ruidosamente suas asas de bronze e crocitando furiosamente de medo. Héracles apontou suas flechas para uma depois da outra e, de uma em uma, elas foram caindo mortas no lago, até silenciar-se a última para sempre. Feito isto voltou Héracles para Micenas.

Euristeu esperava que Héracles encontrasse a morte nos bicos agressivos e nas garras daqueles terríveis pássaros. Quando lhe disseram que, mais uma, vez, Héracles se dirigia para o palácio, mandou seus guardas trancarem bem as portas com cadeados, enquanto se escondia na cuba de bronze. Enviou a Héracles uma mensagem designando-lhe sua próxima missão, para não ter de falar-lhe pessoalmente. Desta vez enviava-o, Euristeu, para alto mar.

Minos Segundo, Rei de Creta, possuía grandes rebanhos de gado grosso dos quais muito se orgulhava. Certa vez, à beira-mar, encontrou um admirável touro branco que tangeu para o interior da ilha, mais que depressa, incorporando-o ao seu rebanho. Ora, o touro fora-lhe enviado por Posseidon, deus marinho, para que o sacrificasse em sua intenção. Ficou o deus irritado por não lhe haver sido o belo touro restituído e, para punir o rei, fez com que o animal enlouquecesse e se tornasse furioso. Ele martelava, o solo com as patas, escorneava, marrava e matava as outras reses, assim como os pastores que tentavam apartá-lo da manada. Dentro de pouco tempo tinha espalhado o pânico entre os ilhéus. Foi esse o animal que Héracles teve a incumbência de laçar, subjugar e levar consigo para Micenas.

Depois do êxito de suas prévias aventuras, não parecia esta apresentar grandes dificuldades para Héracles, pois que ele tinha atingido estatura e vigor tão descomunais que um simples touro, por maior que fosse, não o poderia atemorizar. Assim sendo, velejou Héracles rumo a Creta , onde foi sem perda de tempo procurar o grande touro, que o temia tão pouco quanto ele próprio o receava.

Ao encontrarem-se, houve terrível luta, aos olhos da multidão que se aglomerava para contemplá-la. Héracles ficou de pé quedo, à espera de que o touro investisse contra ele; desviando-se então ligeiramente de lado, agarrou-o pelos chifres. Desenvolviam ambos tremendo esforço até que Héracles, conseguindo torcer o pescoço do touro, fê-lo perder o equilíbrio e estatelar-se no chão. Por fim, arrefeceu a agressividade do animal, e dissipou-se a sua fúria. Héracles conduziu-o, então, à sua nau e, sem perda de tempo, rumou para a Grécia. Durante a viagem, porém, afeiçoou-se grandemente àquela esplêndida criatura.

- Se o grande Rei de Creta não o conseguiu domar, pensou ele, ninguém dirá que um poltrão como Euristeu o submeteu à sua vontade. Dizendo isto, tirou-lhe o cabresto, e o touro, bufando, afastou-se a galope, até atingir a grande planície de Maratona, onde parou e permaneceu. Assim terminou o sétimo trabalho de Héracles.

Desesperava Euristeu de encontrar jamais uma empresa que superasse a força e a astúcia de seu vassalo, ou tão perigosa, que dela não voltasse com vida. Contudo, ao lembrar-se do Rei Diomedes da Trácia, voltou a alimentar alguma esperança. Acontecia que o Rei Diomedes, que reinava sobre a nação dos bistônios, possuía grande manada de éguas selvagens e ferozes que se alimentavam de carne humana.

- Traga-me a cavalhada de Diomedes, ordenou-lhe Euristeu; e Héracles, em companhia de poucos amigos, partiu para o país dos bistônios, na Trácia. Tão hábil era ele no laço que, em pouco tempo, cercou os terríveis animais e os tangeu para o litoral. Antes, porém, de conseguir embarcá-los, acorreram os bistônios em sua perseguição, originando-se acirrada batalha. Um companheiro de Héracles, que ficara cuidando das éguas durante a refrega, foi por elas atacado, reduzido a pedaços e devorado. Héracles ficou tão fora de si de cólera e rancor que arremessou o Rei Diomedes à sanha daquelas feras, que lhe pertenciam. Grande, porém, foi sua surpresa ao verificar que, após haverem devorado seu próprio dono, se tornaram subitamente mansas e dóceis, não comendo desde então outra coisa senão capim.

Euristeu, entretanto, ignorava este fato, de modo que quando ouviu dizer que Héracles regressava são e salvo, trazendo consigo as éguas de Diomedes, pulou para dentro da cuba de bronze e dela não quis sair enquanto os cavalos não foram levados para um planalto do Monte Olimpo, onde foram devorados pelos leões e os lobos. Engendrou a filha de Euristeu a idéia do próximo trabalho que deveria ser imposto a Héracles. Ouvira ela falar das aventuras dos Argonautas e da nação das Amazonas que eles vieram a conhecer em sua viagem.

- Acima de tudo neste mundo, declarou ela, gostaria de possuir o cinturão da Rainha das Amazonas.

- Você o possuirá, afirmou Euristeu.

E na mesma hora mandou recado a Héracles: - minha filha deseja possuir o cinturão da Rainha das Amazonas. Traga-lho.

Héracles reuniu um grupo de companheiros experimentados, levando consigo seu amigo Telamon, Rei de Salamina, que navegara com ele no Argo, como ajudante de ordens. Fizeram-se à vela rumo ao oriente, e durante algum tempo, ninguém teve notícias deles, de maneira que Euristeu se sentiu esperançoso de estar, afinal, livre do homem que tanto odiava e temia.

Ignorava Euristeu que o oráculo, que ordenara a Heracles de servi-lo durante doze anos, também lhe prometera que viveria para realizar todas as façanhas que lhe seriam impostas, tornando-se imortal ao deixar a Terra. Assim, em que pese mais de um ano se haver escoado sem notícias de Héracles, estava Euristeu longe de se ver livre dele, como constataremos adiante.

[transcrição e adaptação do texto original de George Baker,
em

DEUSES E HERÓIS, editora Brasiliense, 1960.]

Moacir Índio da Costa Júnior

 

 
 
 


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