Muito
embora não tivesse ido com os Argonautas até
à Cólquida, Héracles foi bem recebido por sua
mulher Mégara e por seu pai, o Rei Creonte de
Tebas, ao voltar para sua casa. Seus três
filhos tornavam-se belos rapazes e, durante
algum tempo, viveram todos felizes, até que
subitamente um desastre abateu-se sobre sua
casa.
Não
se tinha a deusa Hera esquecido de sua velha
inimizade por Héracles, filho de seu marido
Zeus com a bela mortal Alcmena. Por outro lado,
sua esposa Mégara descendia de Cadmo e de
Hermíone, cujos filhos também a deusa odiava.
Ela tinha, pois, dupla razão para perseguir a
família de Héracles. Com essa intenção
mandou um súbito ataque de loucura a Héracles.
Tão grande e forte era este, e tão terrível
em sua demência, que ninguém o podia deter.
Sob os olhares da própria mãe matou seus três
filhos, além dos dois filhos de seu irmão
Íficles, convencido de que eram animais
ferozes.
Quando
passou o ataque de loucura, Héracles sentiu
profundo desgosto pelo sucedido e foi consultar
o oráculo de Apolo em Delfos, para humilhar-se
perante os deuses e saber qual a penitência que
lhe cabia pelo seu crime. Ordenou-lhe o oráculo
que fosse a Micenas, e ficasse durante doze anos
submetido às ordens de Euristeu, que deveria
prescrever-lhe doze difíceis e perigosas
tarefas.
Então
Héracles deixou sua esposa e seu lar, na
tranqüila Tebas, e foi ter com Euristeu,
dizendo-lhe que era a vontade dos deuses que
ele, Héracles, o servisse durante doze anos.
Euristeu ficou radiante de ter sob suas ordens o
homem cujas façanhas se tornaram famosas e que,
desde a morte de Anfitrião, era Rei legítimo
de Micenas. Sempre temera que Héracles, de
volta da busca do Tosão de Ouro, o expulsasse
do trono. Porém, agora, eis que Héracles
estava a seus pés, obrigado pelos deuses a
prestar-lhe homenagem. Seria um verdadeiro
milagre, pensou Euristeu, se no espaço de doze
anos não encontrasse para ele um trabalho acima
de suas forças, no qual viesse a perder a vida.
Em conseqüência, disse-lhe que esperasse em
Micenas, enquanto meditava na melhor maneira, de
empregar sua força e sua destreza. Pouco depois
designou-lhe o primeiro trabalho que teria de
efetuar.
- No
país de Neméia, ao norte desta cidade, disse
Euristeu, acha-se o povo grandemente molestado
por um leão que mata, não somente suas reses,
mas também os pastores. Mate esse leão e
traga-me sua pele, como prova de que desempenhou
sua incumbência.
Já
tendo matado um leão na adolescência,
Héracles estava confiante quando partiu para a
sua missão. Em pouco tempo conseguiu descobrir
o rastro da fera, seguindo-o até à toca da
grande floresta, onde ela se escondia. Levou
consigo arco e flechas e, para maior segurança,
cortou o galho de uma árvore e fez com ele um
cajado tão pesado que poucos homens o poderiam
manejar. Assim armado esperou que o leão
deixasse o seu antro. Mas, tão espessa era a
pele do leão e tão hirsuta e felpuda a sua
juba que as setas não o afetavam, conseguindo
apenas enfurecê-lo. Quando Héracles o agrediu
com a clava, refugiou-se em sua toca, rugindo
com ferocidade. Irritado, alijou Héracles suas
armas, arrojando-se para dentro do covil. O
leão assaltou-o; porém ele, estendendo seus
braços possantes, segurou-o pela gorja. Apesar
dos esforços desesperados da fera, não soltou
sua presa, pois tinha o corpo resguardado contra
as garras da fera pela pele de leão de que
sempre se revestia. Afinal, prostrou o leão
morto a seus pés. Ergueu-o, colocando-o ao
ombro e com ele marchou de volta para Micenas.
Euristeu
ficou estupefato de ver Héracles voltar ileso e
com tanta presteza de sua primeira missão,
porque o leão que estrangulara com as próprias
mãos era muito maior e mais feroz que aquele
que ele matara perto de Tebas. Apressou-se
então, em determinar nova tarefa para
Héracles, para se ver livre dele.
No
país de Lerna havia um estranho monstro chamado
Hidra, que tinha a forma de uma grande serpente
e possuía cem cabeças. Vivia num lago, do qual
emergia de vez em quando, apavorando os
habitantes das redondezas.
- Vá
a Lerna, ordenou-lhe Euristeu, e destrua o
monstro do lago.
Então
Héracles, em companhia de seu sobrinho Iolau,
filho de Íficles, partiu para Lerna onde ficou
à espreita da terrível Hidra. Quando avistou
as cem cabeças que surgiam da água, e o corpo
monstruoso arrastando-se na margem do lago,
retesou seu poderoso arco desfechando flecha
após flecha contra o monstro. Em seguida,
empunhando sua enorme clava, atirou-se contra
ele, vibrando golpes sucessivos nas suas
cabeças. Quando conseguia esmagar uma delas,
entretanto, no mesmo instante cresciam duas
outras em seu lugar, de maneira que Héracles,
depois de tanto trabalho, verificava que o
monstro tinha mais cabeças do que antes, todas
elas sibilando, investindo contra ele e
esguichando mortífero veneno.
-
Acenda fogo, Iolau, disse ele, e nele aqueça ao
rubro uma barra de ferro. Cada vez que eu
esmagar uma cabeça, queime-lhe a raiz com o
ferro em brasa. Desse modo não nascerão outras
duas em lugar daquela que esmaguei com a minha
clava.
Iolau
fez o que lhe foi ordenado, permanecendo de
prontidão enquanto, mais uma vez, Héracles
atacava o monstro. Com a mesma rapidez que
Heracles esmagava uma cabeça, Iolau lhe
queimava a raiz com o ferro em brasa, até que,
no final, só restava uma cabeça. Esta última
era imortal e, quando mesmo Héraeles a decepou
com a espada, continuou sibilando e esguichando
veneno. Então fez Héracles um buraco na terra
para enterrar aquela cabeça maldita
colocando-lhe, em cima, enorme seixo, tão
pesado que nenhum outro homem o poderia
levantar. Mas, quando se aprestava para pisotear
a terra em cima dela, a cabeça falou:
- Abra
o corpo do qual você me decepou, disse ela, e
mergulhe suas flechas no meu fel. Por mais leve
que seja o ferimento feito pelas suas setas, a
pessoa ferida morrerá inelutavelmente, pois
não se conhece nenhum antídoto para este
veneno.
Assim
fez Héracles. Deixando a cabeça da Hidra
debaixo do rochedo, voltou para Micenas e
escondeu com cuidado sua aljava cheia de setas
envenenadas. Nada contou, a esse respeito, a
Euristeu. Durante a luta, um grande caranguejo,
enviado por Hera, arrastara-se em sua direção
para morder-lhe o pé, para que fosse, assim,
dominado pela Hidra. Héracles, entretanto,
avistara-o em tempo, esmagando-o de um só golpe
de sua clava. Para imortalizá-lo criou Hera, no
céu, uma constelação chamada Câncer, que
quer dizer caranguejo.
Euristeu
estava longe de se alegrar, por rever Héracles
tão cedo, e enviou-o para Enói, na Ática,
onde vivia uma famosa corça com cornos de ouro
e cascos de bronze, que vencia na corrida o
vento mais veloz.
-
Você não matará essa corça, disse-lhe
Euristeu, mas apanhe-a viva e traga-a ilesa à
minha presença.
Era
esta incumbência mais difícil que as duas
precedentes, embora menos perigosa. Durante um
ano todo andou Héracles à caça da corça,
procurando prendê-la em armadilhas.
Conseguiu-o, finalmente, por meio de uma cilada
ardilosa. No momento, porém, em que lhe
amarrava as pernas para levá-la às costas para
Micenas, apareceu a deusa Ártemis que lhe
embargou os passos.
- Não
sabe você que esta corça com cornos de ouro e
cascos de bronze, cuja velocidade ultrapassa a
do vento, me é consagrada? disse-lhe ela.
- Eu o
ignorava, bela deusa, respondeu Héracles.
Passei um ano todo a estudar a maneira de
capturá-la, conseguindo-o afinal.
-
Você deve desamarrá-la e libertá-la.
-
Isto, não poderei fazer. Recebi ordem de
Euristeu para que a levasse incólume à sua
presença.
- Que
tenho eu a ver com as ordens de Euristeu?
retrucou a deusa.
- É
pela vontade do Grande Pai dos deuses e dos
homens que obedeço às ordens de Euristeu,
respondeu Héracles.
Ao
ouvi-lo, permitiu Ártemis que Héracles levasse
a corça para Micenas e a apresentasse a
Euristeu. Depois disso a soltou Héracles para
que retomasse ao seu retiro na região de Enói.
Durante
todo aquele ano, Euristeu estivera a matutar
sobre o próximo trabalho que iria impor a
Héracles. Mandou-o a Erimanto, onde vivia um
enorme e feroz javali. Também este animal
Héracles deveria trazer vivo e incólume para
Micenas. O antro do javali era numa montanha e
Héracles, que já havia aprendido muito da arte
venatória, o perseguiu na neve alta, até
conseguir capturá-lo com auxílio de uma rede.
Mas o
javali era, tão grande e tão compridas e
afiadas eram suas presas que, apesar de bem
amarrado em sólida rede, Euristeu, ao vê-lo,
escondeu-se de medo dentro de uma cuba de
bronze, donde ninguém conseguiu tirá-lo
durante muitos dias. Como não esperasse
Héracles de volta tão cedo, não sabia ainda
para onde enviá-lo. Foi em conseqüência de
súbita inspiração que lhe ordenou que fosse
à Élida, para limpar as estrebarias do Rei
Augias.
Não
oferecia esta tarefa perigo algum, mas tão
grande dificuldade que Euristeu não imaginava
que Héracles fosse capaz de realizá-la.
Possuia
o Rei Augias três mil cabeças de gado
estabulado. Os estábulos não tinham sido
limpos
nos
últimos trinta anos. Limpá-los era, pois, uma
empresa acima das forças de um só homem,
porque muito antes de ele terminar a limpeza do
último estábulo, o primeiro já estaria tão
sujo como antes.
Héracles,
contudo, não era tão tolo que tentasse uma
tarefa impossível. Depois de refletir, concebeu
um plano. Foi procurar o Rei Augias,
oferecendo-se para limpar os seus estábulos em
um dia, com a condição de receber, em
recompensa, uma rês por cada dez ali
existentes. Aceitou o Rei Augias a proposta,
certo de que não teria de cumprir a promessa.
Afastou-se
Héracles para abrir dois canais ligando os rios
Peneu e Alfeu aos estábulos. Retirou dali as
reses, dando passagem à água que, correndo
pelos estábulos, em pouco tempo os limpou de
toda a sujeira. Feito isto foi à presença do
Rei Augias.
-
Cumpri minha parte do ajuste, declarou ele,
resta-lhe cumprir a sua.
-
Quando você fez o acordo comigo, redargüiu o
rei, não me disse que Euristeu de Micenas
ordenara esta tarefa. Nessas condições não o
recompensarei por tê-la efetuado.
O
filho do Rei Augias, Fileu, ouvira seu pai
prometer a recompensa e observara com interesse
a maneira pela qual Héracles executou aquela
tarefa. Ao ouvir as palavras do pai sentiu-se
indignado e tomou o partido de Héracles, muito
embora não conseguisse alterar a decisão
paternal. Héracles, então, jurou vingar-se,
como de fato veio a faze-lo mais tarde, quando,
retomando à Élida, matou aquele rei desleal e
seus filhos, poupando a vida apenas a Fileu, que
fora banido por haver tomado sua defesa.
Outro
empreendimento, todavia, já estava à sua
espera quando regressou a Micenas, de maneira,
que, durante algum tempo, esteve demasiadamente
ocupado para poder exacerbar o seu
ressentimento.
Na
região aprazível da Arcádia havia um lago
chamado Estinfale, às margens do qual se
abrigava um bando de pássaros monstruosos.
Tinham asas, bicos e garras de bronze, e penas
tão longas e rijas que as usavam como setas
para matar suas vítimas. Eram tão grandes e
ferozes que atacavam até homens e animais,
parecendo, mesmo ter preferência pela carne
humana. Teve Héracles a incumbência de
expulsá-los ou de os exterminar.
Como
aqueles terríveis pássaros conhecessem a
bravura e a astúcia de Héracles, se escondiam
dele, por entre as árvores, não podendo ser
encontrados por mais que se procurasse. Um dia,
ao atravessar a floresta, avistou Héracles uma
bela mulher, na qual reconheceu a deusa Atena.
Entregou-lhe ela um grande chocalho de bronze.
- Vá
até à beira do lago, Héracles, e toque este
chocalho de bronze. Seu ruído espantará os
pássaros, que se erguerão no ar, voando em
círculos em cima da copa das árvores.
Ser-lhe-á fácil, então, abatê-los com suas
flechas.
Héracles
agradeceu a deusa e fez como ela ordenara.
Quando o som dos guizos vibrou na floresta, as
grandes aves alçaram vôo batendo ruidosamente
suas asas de bronze e crocitando furiosamente de
medo. Héracles apontou suas flechas para uma
depois da outra e, de uma em uma, elas foram
caindo mortas no lago, até silenciar-se a
última para sempre. Feito isto voltou Héracles
para Micenas.
Euristeu
esperava que Héracles encontrasse a morte nos
bicos agressivos e nas garras daqueles
terríveis pássaros. Quando lhe disseram que,
mais uma, vez, Héracles se dirigia para o
palácio, mandou seus guardas trancarem bem as
portas com cadeados, enquanto se escondia na
cuba de bronze. Enviou a Héracles uma mensagem
designando-lhe sua próxima missão, para não
ter de falar-lhe pessoalmente. Desta vez
enviava-o, Euristeu, para alto mar.
Minos
Segundo, Rei de Creta, possuía grandes rebanhos
de gado grosso dos quais muito se orgulhava.
Certa vez, à beira-mar, encontrou um admirável
touro branco que tangeu para o interior da ilha,
mais que depressa, incorporando-o ao seu
rebanho. Ora, o touro fora-lhe enviado por
Posseidon, deus marinho, para que o sacrificasse
em sua intenção. Ficou o deus irritado por
não lhe haver sido o belo touro restituído e,
para punir o rei, fez com que o animal
enlouquecesse e se tornasse furioso. Ele
martelava, o solo com as patas, escorneava,
marrava e matava as outras reses, assim como os
pastores que tentavam apartá-lo da manada.
Dentro de pouco tempo tinha espalhado o pânico
entre os ilhéus. Foi esse o animal que
Héracles teve a incumbência de laçar,
subjugar e levar consigo para Micenas.
Depois
do êxito de suas prévias aventuras, não
parecia esta apresentar grandes dificuldades
para Héracles, pois que ele tinha atingido
estatura e vigor tão descomunais que um simples
touro, por maior que fosse, não o poderia
atemorizar. Assim sendo, velejou Héracles rumo
a Creta , onde foi sem perda de tempo procurar o
grande touro, que o temia tão pouco quanto ele
próprio o receava.
Ao
encontrarem-se, houve terrível luta, aos olhos
da multidão que se aglomerava para
contemplá-la. Héracles ficou de pé quedo, à
espera de que o touro investisse contra ele;
desviando-se então ligeiramente de lado,
agarrou-o pelos chifres. Desenvolviam ambos
tremendo esforço até que Héracles,
conseguindo torcer o pescoço do touro, fê-lo
perder o equilíbrio e estatelar-se no chão.
Por fim, arrefeceu a agressividade do animal, e
dissipou-se a sua fúria. Héracles conduziu-o,
então, à sua nau e, sem perda de tempo, rumou
para a Grécia. Durante a viagem, porém,
afeiçoou-se grandemente àquela esplêndida
criatura.
- Se o
grande Rei de Creta não o conseguiu domar,
pensou ele, ninguém dirá que um poltrão como
Euristeu o submeteu à sua vontade. Dizendo
isto, tirou-lhe o cabresto, e o touro, bufando,
afastou-se a galope, até atingir a grande
planície de Maratona, onde parou e permaneceu.
Assim terminou o sétimo trabalho de Héracles.
Desesperava
Euristeu de encontrar jamais uma empresa que
superasse a força e a astúcia de seu vassalo,
ou tão perigosa, que dela não voltasse com
vida. Contudo, ao lembrar-se do Rei Diomedes da
Trácia, voltou a alimentar alguma esperança.
Acontecia que o Rei Diomedes, que reinava sobre
a nação dos bistônios, possuía grande manada
de éguas selvagens e ferozes que se alimentavam
de carne humana.
-
Traga-me a cavalhada de Diomedes, ordenou-lhe
Euristeu; e Héracles, em companhia de poucos
amigos, partiu para o país dos bistônios, na
Trácia. Tão hábil era ele no laço que, em
pouco tempo, cercou os terríveis animais e os
tangeu para o litoral. Antes, porém, de
conseguir embarcá-los, acorreram os bistônios
em sua perseguição, originando-se acirrada
batalha. Um companheiro de Héracles, que ficara
cuidando das éguas durante a refrega, foi por
elas atacado, reduzido a pedaços e devorado.
Héracles ficou tão fora de si de cólera e
rancor que arremessou o Rei Diomedes à sanha
daquelas feras, que lhe pertenciam. Grande,
porém, foi sua surpresa ao verificar que, após
haverem devorado seu próprio dono, se tornaram
subitamente mansas e dóceis, não comendo desde
então outra coisa senão capim.
Euristeu,
entretanto, ignorava este fato, de modo que
quando ouviu dizer que Héracles regressava são
e salvo, trazendo consigo as éguas de Diomedes,
pulou para dentro da cuba de bronze e dela não
quis sair enquanto os cavalos não foram levados
para um planalto do Monte Olimpo, onde foram
devorados pelos leões e os lobos. Engendrou a
filha de Euristeu a idéia do próximo trabalho
que deveria ser imposto a Héracles. Ouvira ela
falar das aventuras dos Argonautas e da nação
das Amazonas que eles vieram a conhecer em sua
viagem.
-
Acima de tudo neste mundo, declarou ela,
gostaria de possuir o cinturão da Rainha das
Amazonas.
-
Você o possuirá, afirmou Euristeu.
E na
mesma hora mandou recado a Héracles: - minha
filha deseja possuir o cinturão da Rainha das
Amazonas. Traga-lho.
Héracles
reuniu um grupo de companheiros experimentados,
levando consigo seu amigo Telamon, Rei de
Salamina, que navegara com ele no Argo, como
ajudante de ordens. Fizeram-se à vela rumo ao
oriente, e durante algum tempo, ninguém teve
notícias deles, de maneira que Euristeu se
sentiu esperançoso de estar, afinal, livre do
homem que tanto odiava e temia.
Ignorava
Euristeu que o oráculo, que ordenara a Heracles
de servi-lo durante doze anos, também lhe
prometera que viveria para realizar todas as
façanhas que lhe seriam impostas, tornando-se
imortal ao deixar a Terra. Assim, em que pese
mais de um ano se haver escoado sem notícias de
Héracles, estava Euristeu longe de se ver livre
dele, como constataremos adiante.
[transcrição
e adaptação do texto original de George Baker,
em