PÁGINA DE MITOLOGIA

 

 

Zeus



"Zeus, como o indica seu nome derivado do sânscrito Dyaus, o "ar luminoso", era primitivamente o deus do céu e do dia; dessa concepção derivam seus atributos de ordem intelectual e moral.

Como deus do céu, ele dirige os fenômenos atmosféricos: reúne as nuvens, forma as tempestades, faz irromper o raio e ribombar o trovão, envia à terra as chuvas fertilizantes ou destruidoras, faz correr as brisas refrigerantes e os ventos impetuosos; numa palavra, é o deus todo poderoso do mundo físico.

No mundo moral possui a mesma autoridade, pois é o senhor inconteste, o chefe supremo de todos os deuses, nele residindo toda a sabedoria; no entanto, como os demais deuses, era Zeus sujeito às regras inflexíveis do inelutável Destino.

É Zeus que dispensa à humanidade o bem e o mal, constitui as sociedades, delegando aos reis uma parte do seu poder divino, institui o juramento e a hospitalidade, vela pela execução dos deveres de justiça e de caridade.

Zeus é de origem incontestavelmente ariana: é o antigo deus do céu indo-europeu.

nota:

Luiz A. P. Victoria em seu "Dicionário Básico de Mitologia", Ediouro,
2000, nos esclarece o seguinte:

Zeus (g)- nome grego de Júpiter(r), a maior divindade do Olimpo, filho de Saturno e Cibele. A forma latina Júpiter deriva do grego Zéus pateer que, por sua vez, se originou do sânscrito Diaus-pitar.

Mas esse deus acabou por tomar o lugar do grande número de deuses indígenas, o que explica seus múltiplos aspectos e também o fato de que, não obstante o caráter elevado da concepção de Zeus, grande número de mitos se tenha formado em torno de seu nome, representando-o como provido de todas as fraquezas e de todos os vícios da humanidade.


Segundo Hesíodo, teve Zeus, sucessivamente, sete esposas.

Primeiramente tomou para esposa Métis, a mais sábia das deusas, a própria representação da sabedoria, mas receoso de ter ela um filho mais forte do que ele, encerrou-a em seu ventre, a fim de que ela lhe desse a ciência do bem e do mal: devido a essa estranha absorção, um dia surgiu, toda armada, do cérebro de Zeus a deusa Atena  (Athené).


nota:

Segundo Alexandre A. Mattiuzzi, em seu livro "Mitologia ao alcance de todos " , Nova Alexandria, 2000, foi Métis (Prudência) a primeira amante de Zeus, tendo dado a este uma poção miraculosa para que Cronos vomitasse inteiros seus irmãos devorados. Desposando em seguida Têmis, deusa da justiça, fê-la mãe das Horas e das Parcas. Da oceânide Eurinome teve Zeus três filhas, chamadas as Graças, companheiras de Afrodite, deusa da beleza. Depois uniu-se Zeus à sua irmã Deméter, deusa da terra a da agricultura, dando origem à Perséfone, mais tarde desposada por Hades, deus dos infernos.

Da união de Zeus com a titânide Mnemosine, deusa da memória, nasceram as Musas, em número de nove, divindades protetoras das artes.

Unindo-se a Leto, filha de Koios e Phebé, Zeus deu origem aos mais belos dos imortais, Apolo, deus do sol, e Ártemis, deusa da lua.

Finalmente, Zeus desposou sua irmã Hera, outra divindade representativa do ar; desse consórcio nasceram Ares, deus da guerra; Hebe, deusa da mocidade; Hefestos, deus do fogo e Hythia, divindade protetora dos nascimentos.

Além dessas deusas, teve Zeus relações sexuais com grande número de semi-deusas e mesmo de simples mortais; sob este aspecto afrodisíaco deus algum possui lenda mais rica.

Assim Maia, uma das Plêiades, filhas do titã Atlas, concebeu de Zeus o ágil e irrequieto Hermes, mensageiro dos deuses, deus ele próprio do comércio.

De Semelê, uma mortal, houve Zeus Dionísio, deus do vinho e da alegria.

Uma das causas dessa célebre poligamia do senhor do Olimpo é a multiplicidade, entre os arianos, de deusas ligadas à terra, todas esposas do deus do céu, no rito do casamento sagrado. Assim, Deméter, cujo nome de origem dialectal, significa terra-mãe. Da mesma forma, Maia, a mãe de Hermes, significa simplesmente "a mãe"; Semelê, de origem trácia, possui o mesmo significado de terra.

Para obter acesso a várias mulheres, usava Zeus de várias transmutações ou metamorfoses.

Assim, sob a forma de um touro, ele rapta a bela fenícia Europa, da qual nascem Minos e Radamanto, mais tarde juízes dos infernos; toma o aspecto de Anfitrião, príncipe tebano, para, penetrando em seu palácio, seduzir sua esposa Alcmena e fazê-la mãe do grande herói Héracles; muda-se em chuva de ouro para chegar junto a Danae, que dá à luz Perseu.

Não era somente para satisfazer suas inclinações amorosas que Zeus, disfarçado, descia à terra e se punha em contacto com a humanidade, mas para fiscalizar a conduta dos homens, punindo ou recompensando, conforme as ações.

De todas as lendas deste gênero, a mais graciosa é a seguinte:

Um dia viajava Zeus através da Frígia e o povo desta região, rude e inospitaleiro, o repelia, não permitindo que ele se abrigasse em nenhuma das casas. Um humilde casal de velhos,  Filemon e Baucis, o acolhe prazenteiramente e , dentro de sua pobreza, a ele procura servir e obsequiar. Dando-se a conhecer, pergunta Zeus aos hospedeiros qual a recompensa que desejavam. Já velhinhos, sentindo próximo o momento da grande separação, o desejo deles é de evitar esse acontecimento. Zeus, para satisfazer tão ternos desejos, transforma Filemon em carvalho e Baucis em tília.

Deus universal da Grécia, era Zeus adorado em todos os lugares, mas o seu principal santuário estava na Élida, na cidade de Olímpia, onde os gregos de todas as regiões se reuniam de quatro em quatro anos a fim de celebrarem, em sua honra, os jogos olímpicos. Era no templo de Olímpia que estava colocada a sua colossal estátua, de ouro e marfim, obra do grande Fídias, escultor ateniense. Esta estátua representava Zeus, sentado magestosamente, sustendo na mão esquerda o cetro encimado por uma águia e na direita uma vitória (Nike) coroada; era uma obra prima pela serena nobreza e pela dignidade profunda do deus que ela representava.

Sacrificavam-se, geralmente, a Zeus, cabras, ovelhas e touros brancos de cornos dourados; ofereciam-lhe farinha, sal e incenso. Seu animal favorito era a águia e dos vegetais era-lhe consagrado o carvalho, sendo crença de que era pela voz dos carvalhos, na floresta de Dodona, no Épiro, que ele profetizava."

 
Trecho extraído da obra de Mario Guedes Naylor, "Pequena Mythologia" F. Briguiet e cia. editores, Rio de Janeiro, 1933.



[adaptado por MOACIR ÍNDIO DA COSTA JÚNIOR, POA,RS, 25 de junho de 2002]
[PMIX]

 
 
 


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