"Receioso de ser
espoliado do supremo poder por
um filho seu, Chronos os ia devorando logo após
o seu nascimento.
Posteriormente, Rhéa deu à luz ZEUS e HERA.
Esta última foi devorada pelo pai, mas Rhéa
conseguiu salvar Zeus, apresentando em lugar
dele uma pedra que o seu esposo devorou.
Levado para a ilha de Creta, ali foi Zeus
acalentado
pelas ninfas (1) e amamentado com o leite da
cabra
AMALTÉIA (2).
Para distrair e evitar que seus vagidos
chegassem
aos ouvidos do pai, os sacerdotes de Rhéa, que
era
objeto de um culto misterioso, executavam em
torno
do infante suas danças sacras, ritmadas por
golpes
de lança vibrados nos escudos.
O vigor do jovem deus cresceu rapidamente e
graças
a ele pode Zeus vencer e destronar seu pai, o
velho
Chronos.
Compelido por Zeus,
restituiu Chronos à luz os filhos
que havia devorado, e Zeus realizou então com
seusirmãos Hades e Poseidon a partilha do mundo,
cabendo
ao último o domínio das águas e ao primeiro o
mundo
infernal, enquanto Zeus se reservava o ar e o
céu e
o governo supremo dos imortais.
A alegoria do personagem mitológico de Chronos
torna-se
transparente, devido à significação de seu
nome, que quer
dizer o tempo; assim esse deus devorador de seus
filhos
representa o tempo que, na sua marcha
incessante, destrói
todas as coisas por ele produzidas. A vitória
de Zeus
sobre ele indica a imortalidade dos deuses.
Esse mito é de
origem indo-européia, conhecido na Grécia
pré-histórica e na Ásia Menor.
Rhéa, mulher de
Chronos e mãe dos deuses, é muitas vezes
confundida e mesmo identificada com a deusa
frígia
CIBELE, sendo que este último nome era o mais
geralmente
invocado nas crenças religiosas e nas
cerimônias do culto.
Ao nome de Cibele se
acha ligada a lenda de Atys, um jovem
e belo pastor frígio, por quem a deusa sentia
grande paixão,
e a quem encarregou de dirigir o seu culto, sob
a condição
de prestar voto de castidade.
Apaixonado pela ninfa Sangaride, violou Atys o
seu juramento.
Cibele, para o punir, fez perecer a ninfa. Atis,
desesperado,
se mutilou num acesso de frenesi e estava
prestes a por termo
à vida, quando Cibele, compadecida, o
transformou em pinheiro.
Essa lenda, de
caráter etiológico, procura explicar o fatocurioso de serem eunucos os sacerdotes da grande
deusa."
Trecho extraído da
obra de Mario Guedes Naylor, "Pequena
Mythologia"
F. Briguiet e cia. editores, Rio de Janeiro,
1933.
nota: Alexandre A.
Mattiuzzi, em seu livro MITOLOGIA AO ALCANCE DE
TODOS,
Nova alexandria, 2000, nos apresenta uma razão
para esse tal de destronar o
rei dos
deuses pelo filho. Eis um trecho:
"Como
novo senhor do universo, Cronos
(Chronos)
iniciou um reinado exageradamente déspota e
acabou atraindo para si o
desgosto
irado da mãe. Amaldiçoando Cronos, Géia
previu-lhe o mesmo fim que havia
imposto
ao pai (*Urano*) dele: no futuro seria derrotado
e destronado por um dos
seus
próprios filhos."
PERFIS
(1) NINFAS -
Fonte de inspiração
da arte greco-romana, as ninfas emprestaram
suas características a seres mitológicos de
culturas posteriores,
como elfos, fadas e gnomos.
Na mitologia grega, ninfas eram as divindades
femininas secundárias
associadas à fertilidade e identificadas de
acordo com os elementos
naturais em que habitavam, cuja fecundidade
encarnavam. Asoceânides
e as nereidas eram ninfas marinhas; as náiades,
crenéias, pegéias e
limneidas moravam em fontes, rios ou lagos; as
hamadríades (ou dríades)
eram protetoras das árvores; as napéias, dos
vales e selvas; e as
oréades, das montanhas. Diferenciavam-se ainda
muitos outros grupos.
Embora não fossem imortais, as ninfas tinham
vida muito longa e não
envelheciam. Benfazejas, tudo propiciavam aos
homens e à natureza.
Tinham ainda o dom de profetizar, curar e
nutrir. Em geral, não se
destacavam individualmente, embora algumas das
mais citadas na
literatura apresentassem genealogia definida. As
nereidas, por
exemplo, eram filhas do deus marinho Nereu e
entre elas destacava-se
Tétis, mãe do herói Aquiles. As náiades
haviam sido geradas pelo deus
do rio em que viviam e com elas foram mais tarde
identificadas as
ninfas da mitologia romana. Um tipo muito
especial de ninfas eram
as melíades, nascidas do freixo -- árvore que
simboliza a durabilidade
e firmeza -- que eram belicosas.
Belas, graciosas e sempre jovens, as ninfas
foram amadas por muitos
deuses, como Zeus, Apolo, Dioniso e Hermes.
Quando uma ninfa se
apaixonava por um mortal, podia tanto raptá-lo,
como aconteceu com
Hilas; fundir-se com ele, como Salmácis com
Hermafrodito; ou se
autodestruir, como fez Eco por amor a Narciso.
Ninfa, ou mais
canonicamente a cabra que amamentou Zeus,
este que cresceu sob o Monte Ida.
Amaltéia, segundo os mitos mais antigos é a
cabra que aleitou Zeus.
Outros, no entanto consideram-na como uma Ninfa,
que, para esconder
o menino de Cronos, o suspendeu a uma árvore
para que o pai não o
encontrasse, nem no céu, nem na terra, nem no
mar.
De qualquer forma, Ninfa ou cabra, Amaltéia era
de aspecto tão medonho,
que os Titãs, temendo-a, pediram à Géia que a
escondesse em uma caverna
de Creta.
Mais tarde, Amaltéia
foi colocada no Zodíaco como Signo de
Capricórnio.
De um dos seus chifres, foi feita a Cornucópia;
símbolo de abundância.
Entre os gregos, a cabra simboliza o raio.
A estrela da cabra na
constelação do Cocheiro anuncia a tempestade
e a chuva, bem como a cabra Amaltéia.
fonte de consulta: http://mitosemagia.vilabol.uol.com.br/Grecia/amalteia.htm
... outra versão
A cabra que amamentou
o pequeno Zeus no período em que ficou
escondido
de Cronos, seu tirânico pai. Em gratidão por
ter-lhe salvo a vida, Zeus,
ao tornar-se rei dos deuses, colocou-a no céu
como a constelação de
Capricórnio, e transformou um de seus cornos na
Cornucópia ou Corno
da Abundância.
A cabra simbolicamente pode ser considerada uma
representação da mãe,
e é interessante se observar, que a casa dez na
astrologia, ou seja
o setor do mapa natal associada ao signo de
Capricórnio, possui uma
associação com a mãe, ou com o arquétipo
materno sendo ainda que
Saturno (Crono) é o planeta que rege o signo de
Capricórnio.
fonte de consulta:
http://www.webspace.com.br/meiodoceu/mitologia_deusas_1.html
... outra versão
Décima constelação
do Zodíaco, o Capricórnio está ligado a lenda
do
deus Pã (ou Pan), descrito como um ser meio
homem, meio animal, com
torso humano, coberto de pêlos e com cabeça e
pés de bode. Habitava
os bosques e divertia-se assustando os que
passavam com suas bruscas
aparições (daí a origem do termo pânico).
Júpiter o transformou em
constelação por ter ajudado a combater o
terrível monstro Tifão.
Numa outra versão, o Capricórnio é a cabra
Amaltéia, nutriz de Júpiter.
A constelação do
Cocheiro é representada por um homem que tem na
mão
direita um chicote, enquanto a mão esquerda
sustenta uma cabra em suas
costas, Capella (cabrita), a principal estrela
dessa constelação.
Na mitologia greco-romana, o Cocheiro seria
Eritônio, rei de Atenas,
o inventor da quadriga, um carro de combate
puxado por quatro cavalos.
Capella é Amaltéia, a ninfa filha de Melisso,
rei de Creta, que cuidou
de Júpiter junto aos pastores do monte Ida,
quando Cibele o poupou da
voracidade de Saturno, alimentando-o com o leite
da cabra Aix.
Numa outra versão, Amaltéia é a própria
cabra que amamentou Júpiter.
fonte de consulta:
http://www.zenite.nu/index.htm
[adaptado por MOACIR
ÍNDIO DA COSTA JÚNIOR, POA,RS, 20 de maio de
2002]
[PMV]