A história de Tristão e Isolda é um dos
contos mais populares da Idade Média. Como a
maioria dos contos arturianos, ele caiu na
obscuridade durante a Renascença e foi
ressuscitado com vigor durante o século 19.
Para muita gente esta é uma história de amor
absoluto e perfeito; a combinação de tragédia
e destino apenas serve para torná-la mais
fascinante.
O rei Rivalin de Lyonesse casa-se com
Blanchefleur, irmã do Rei Mark de Cornwall numa
justa de amor. Blanchefleur morre no parto e o
nome Tristão representa essa perda (vem do
francês triste). Ele é educado por um tutor
que se torna seu melhor amigo e, juntos, eles
viajam para a corte do tio de Tristão, o rei
Mark de Cornwall (ou Cornualha). Tristão disfarça
sua identidade e tenta distinguir-se através da
luta, tocando harpa e na caça. Ele aceita o
desafio de lutar contra Morholt que chegara
exigindo tributo do rei Mark para o rei da
Irlanda, Anguish, pai de Isolda.
Após uma longa batalha, Tristão derrota
Morholt. Mas por causa das armas deste estarem
envenenadas, as feridas de Tristão não
cicatrizam. Ele viaja para a Irlanda, procurando
uma cura para o veneno. Se disfarça sob o nome
de Tantris e recupera-se lentamente sob os
cuidados de Isolda. Ele então retorna à
Cornwall - exaltando a linda Isolda que o
trouxera novamente à saúde. O rei Mark deseja
que Isolda seja trazida para ele para ser sua
esposa baseado na exuberante narrativa de Tristão.
Entrementes, um dragão assola o reino de
Anguish. Ele oferece a mão de Isolda em
casamento ao cavaleiro que matar o dragão.
Tristão viaja à Irlanda para matar o dragão e
ganhar a mão de Isolda para o rei Mark. Ele
realmente acaba com a besta mas é dominado
pelas fumaças venenosas expelidas por ela. O
camareiro do rei Anguish apresenta então a cabeça
do dragão, proclamando que ele havia derrotado
o monstro. Isolda sabe que isto não é
verdade e despreza o camareiro, indo assim à
procura do verdadeiro matador. Ela encontra
Tristão e novamente lhe devolve a saúde.
É durante este tempo que Isolda percebe que está
faltando um pedaço da espada de Tristão. Ela
tem um pedaço da espada que matou Morholt - seu
tio - e que fora removida de sua cabeça
quebrada. Ela encaixa esse pedaço no espaço da
espada de Tristão e deduz que ele é o
assassino de Morholt. Embora ela fique furiosa
com Tristão pela morte de seu tio, ela precisa
deixá-lo viver para refutar a reivindicação
do camareiro à sua mão.
Tristão cura-se e reclama a mão de Isolda para
Mark. Ela ainda está furiosa mas precisa viajar
com ele para Cornwall. Durante a viagem, ela
pede à sua aia, Brangwain, que faça uma poção
para envenenar Tristão. A aia ainda deduz que
Isolda pretende beber a poção também de modo
a acabar o iminente casamento com Mark. Além
disso, Brangwain está apaixonada por Tristão e
não o quer morto. Portanto, ela prepara uma poção
de amor ao invés de uma poção fatal.
O casal, Tristão e Isolda, bebe a poção e
apaixona-se para sempre. Eles consumam seu amor
no barco, naquela noite. Uma vez em Cornwall,
Isolda deve passar pelo casamento e então
precisa disfarçar a perda de sua virgindade.
Ela persuade Brangwain a dormir com Mark -
sacrificando portanto a própria virgindade.
Isto marca o primeiro dos logros que os amantes
usarão para enganar Mark.
Mas a corte de Mark está repleta de cortesãos
traiçoeiros e invejosos. Eles tentam e tentam
apanhar Isolda e Tristão em situações
comprometedoras. Eventualmente eles conseguem e
os amantes são condenados à morte. Tristão se
empenha em fugir. Ele resgata Isolda de um grupo
de leprosos ao qual ela havia sido entregue como
punição. Ela então jura em falso num
tribunal probatório mas é banida com Tristão.
Ambos fogem para a floresta para viver em exílio.
A vida na floresta é muito difícil e
eventualmente os dois decidem se separar. Isolda
retorna à corte de Mark e Tristão parte pro exílio.
Durante as suas perambulações ele chega à
bretã corte do rei Howell. Tristão presta a
este grandes serviços, acabando por ganhar a mão
de sua filha. Ele concorda em casar com ela
porque seu nome também é Isolda, Isolda das
Brancas Mãos. Todavia ele não consuma o
casamento porque seu amor à verdadeira Isolda
é muito forte.
Tristão ajuda seu cunhado, Kaherdin, numa
batalha e é envenenado - de novo! Ele roga à
verdadeira Isolda que o cure, sabendo que apenas
ela tem o poder para fazer isso. Mas quando o
navio fica à vista, Tristão está muito doente
para deixar o leito e pede à Isolda das Brancas
Mãos para informá-lo da cor das velas. Sabendo
que as velas brancas anunciam a presença a
bordo de Isolda da Irlanda, sua rival, Isolda
das Brancas Mãos informa que as velas são
pretas, significando que Isolda não está no
navio. Tristão morre em desespero.
Quando Isolda da Irlanda chega ao quarto e
depara-se com seu amante morto, ela também
morre de tristeza. Ambos são enterrados lado a
lado. Na cova de Tristão nasce uma videira e na
de Isolda, uma rosa. As duas plantas se entrelaçam
e crescem juntas como um símbolo do seu ardente
amor.
mais informações em:
http://marged.vilabol.uol.com.br/tristao_e_isolda.html
http://usuarios.cultura.com.br/walterb/bibtrist.htm
http://www.cav-templarios.hpg.ig.com.br/tristao_e_isolda.htm
deste último lê-se a transcrição abaixo:
"O amor cortês trata da relação entre um
homem e uma mulher: onde a mulher é uma dama,
que também significa que ela é casada e, o
homem é um celibatário, que se interessa por
ela.
Tudo começa por um olhar lançado, "é uma
flecha que penetra pelos olhos, e crava-se no
coração, incendeio-o, traz-lhe o fogo do
desejo". Este homem, então, ferido de amor
( no sentido carnal), sonha apoderar-se desta
mulher. Essa mulher é muitas vezes esposa de
seu próprio senhor, portanto é dona da casa
que este freqüenta, ou seja, ela está
hierarquicamente acima dele, é seu vassalo. Por
ela, deixa de ser livre.
O amor cortês é um jogo, cujo mestre é o
homem. A dama é uma peça fundamental, porém
é mulher e não dispõe livremente do seu
corpo, que pertenceu, primeiramente a seu pai,
agora é de seu esposo. Carrega nele a honra
deste esposo, Por esse motivo ela é altamente
vigiada. Sem privacidade nos castelos, ao menor
deslize, esta mulher é acusada, por ser frágil
e fraca. É passível dos piores castigos, os
quais seu cúmplice corre o risco de recebe-los.
Neste jogo, o mais excitante eram os perigos, o
amor cortês era uma aventura, permeado por códigos
secretos, discrição, olhares furtivos e pela
ânsia de estarem junto com esta dama "num
jardim secreto".
Os homens esperam pelos favores que essas damas
podem lhe conceder, e tais favores eram
concedidos em etapas: primeiro um abraço,
depois ela deixava beijar-se... A espera, que é
muito descrita pelos trovadores era uma prova
decisiva para se chegar a proximidade carnal.
Mas estes homens continham seus ímpetos, pois
deveriam manter o controle sobre seu corpo,
fazendo com que esta situação se arrastasse
indefinidamente. Então, o homem deseja a
espera, o seu prazer atinge o clímax neste
desejo, tornando o amor cortês onírico, ou
seja, um sonho."
[adaptado(*) por MOACIR ÍNDIO DA COSTA JÚNIOR,
POA,RS, 15 de julho de 2002]
[PMXII]