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Em seu processo de
evolução o ser humano sempre utilizou se dos
recursos que o meio ambiente oferece, sem se
preocupar com sua escassez e
vulnerabilidade.
Com o fim de alguns recursos e a evidente
diminuição de outros, o homem começou a se
preocupar em como resolver esta situação.
Para solucioná-la é necessário que haja
mudanças profundas, fazendo com que o
planeta adote um desenvolvimento do tipo
sustentável, visando satisfazer as
necessidades não só da comunidade no
presente, mas também de gerações futuras, ao
mesmo tempo respeitando o meio ambiente.
Nesse contexto, 180 Chefes de Estado
presentes a Conferências das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento,
realizada no Rio de Janeiro em junho de
1992, aprovaram um conjunto de documentos de
suma importância em matéria ambiental, entre
os quais a Agenda 21.
A Agenda 21 funda-se no reconhecimento de
que ao mundo desenvolvido corresponde
responsabilidade maior e diferenciada na
busca de soluções aos problemas ambientais.
Nesse sentido, a Agenda 21 constitui
verdadeiro plano de ação mundial para
orientar a transformação de nossas
sociedades, pois identifica em, 40
capítulos, 115 áreas prioritárias.
A Agenda considera, dentre outras, questões
estratégicas ligadas à geração de empregos e
renda; à diminuição das disparidades
regionais e interpessoais de renda; às
mudanças nos padrões de produção; à
construção de cidades sustentáveis, etc.
Neste trabalho trataremos, dentro de
"Cidades Sustentáveis", dos assuntos
referentes à Transporte e Trânsito e
Emprego.
TRANSPORTE E TRÂNSITO
"Quanto a
transporte, trânsito e sistema viário, cabe
ressaltar diversas carências: a) o
adensamento tem sido permitido e, por vezes,
estimulado, sem suficiente análise do seu
impacto sobre as vias da região, sendo
recentes e raras as medidas de controle do
impacto provocado por edifícios e por
atividades geradoras de tráfego; b) as
restrições impostas à circulação de
automóvel são tardias e insuficientes; c)
são raros os sistemas de transporte movidos
à energia elétrica ou não-motorizados
(trolebus, pré-metrô); d) deixam a desejar o
planejamento e a articulação intermodal
urbanos.
Além disso, tem sido progressivamente
reduzida a possibilidade de o setor público
conseguir financiamento com os órgãos de
fomento, dificultando os investimentos em
transportes de massa (metrô, trens, barcas).
Essa escassez de recursos para o
financiamento do transporte urbano é
agravada pelo uso indiscriminado dos
recursos (tanto orçamentários como
alternativos) com a infra-estrutura física,
especialmente com o sistema viário, sem que
seja precedido de avaliação do seu impacto
efetivo sobre o meio urbano, com o risco de
degradação do ambiente.
Deve-se frisar que parte significativa do
sistema viário da maioria das cidades está
ociosa, na maior parte do dia, sob o ponto
de vista da relação volume/capacidade de
tráfego. Essa ociosidade resulta da
construção em excesso de vias – com os
conseqüentes custos de manutenção – e é
tanto maior quanto maior for a extensão dos
trechos ociosos e maior o tempo que decorreu
desde a sua construção. A ocorrência de
ociosidade constitui uma forma de
deseconomia, na medida em que mantém
recursos públicos mal aproveitados.
Uma das formas de reduzir as deseconomias
urbanas geradas pela ociosidade acima
descrita é rever os critérios de
investimento no sistema viário, de forma a
otimizar a sua utilização pela maioria da
população, mediante a priorização das vias
para o uso dos transportes públicos,
revertendo a tendência atual de diminuição
do uso de ônibus e o aumento da taxa de
motorização por veículo privado.
Com efeito, a taxa de motorização passou de
72 hab./automóvel em 1960 para pouco mais de
cinco em 1998, devendo chegar a 4,3 em 2005.
A quantidade média diária de viagens por
habitante deve subir dos 1,5 em 1995 para
1,7 em 2005. O reconhecimento de que para
transportar setenta pessoas são necessários
cinqüenta automóveis ou apenas um ônibus não
tem, até a presente data, resultado em
alterações sensíveis de padrão (Transporte:
1997).
Contudo, deve-se assinalar algumas melhoras
no controle de emissão de gases e poluição
do ar por veículos, graças à elaboração
(1985) e à lenta implantação do Programa de
Controle de Veículos e Emissões - PROCONVE:
a eliminação do chumbo da gasolina, a
redução do teor de enxofre no diesel, a
fixação percentual da mistura do álcool à
gasolina, o uso de álcool combustível, a
melhoria da carburação e da ignição
eletrônica e a tentativa feita em São Paulo,
em 1990, de substituição de diesel por gás
natural em toda a frota de ônibus. Diversos
municípios têm implantado sistemas de
restrições ao uso do automóvel e
diversificação da fonte energética de suas
frotas, objetivando diminuir a poluição do
ar, sem contar, até aqui, com o apoio
sinérgico dos níveis superiores de governo."
A poluição do ar nos grandes centros urbanos
constituem um dos grandes problemas
ambientais da atualidade, com conseqüências
dramáticas sobre a saúde da população.
Os veículos auto motores são um dos grandes
responsáveis pela emissão de gases, pois a
frota de veículos no pais cresce cada vez
mais. A frota paulistana, por exemplo, se
fosse enfileirada formaria uma fila com
15.000 km de comprimento, o suficiente para
ir e voltar do Oiapoque ao Chuí em linha
reta.
No intuito de controlar essa poluição estão
sendo feitas algumas tentativas como:
POLUIÇÃO VEICULAR
Foi criado o
PROCONVE - Programa de Controle da Poluição
do Ar por Veículos Auto motores, por uma
resolução do CONAMA a partir de uma proposta
da CETESB, que foi credenciada pelo IBAMA
para sua implementação. O programa,
implantado em 1988 e atingiu sua ultima
etapa em 1998, impõem limites para emissão
de poluentes veiculares e a obrigatoriedade
de certificação de motores, resultando na
adoção de melhorias tecnológicas, como os
catalisadores e injeção eletrônica, para
reduzir as emissões nos veículos novos. Foi
feita, também , a adição de 22% de álcool à
gasolina o que reduziu em 50% a emissão de
monóxido de carbono no ar.
Existe a previsão de que até 2011 seja
definido um outro cronograma para uma nova
fase do programa.
OPERAÇÃO CAÇA FUMAÇA
Os veículos pesados
movidos a diesel, quando desregulados os
motores são serias fontes poluidoras. Com
este programa pode se desenvolver campanhas
de educação, orientação e conscientização
dos frotistas para reduzir a emissão de
fumaça preta, no inicio deste trabalho 45%
da frota encontrava se desregulada.
OPERAÇÃO
RODÍZIO
Em São Paulo, por
causa da responsabilidade dos veículos por
90% em media da poluição, foi desenvolvido o
rodízio de veículos.
Muitas pessoas, com isso, passaram a usar
ônibus, táxis, metro e trem urbano; em
quanto outras começaram a fazer um sistema
de carona com seus vizinhos para poderem
levar seus filhos as escolas ou irem ao
trabalho.
Houve uma diminuição de 20% do monóxido de
carbono lançado pelos carros, e apesar de
96,7% dos motoristas respeitarem a lei andar
em São Paulo é complicado, mesmo nas rotas
alternativas. Além disso, os índices de
poluição não mudaram muito.
CARROS MOVIDOS A GÁS
O gás natural
veicular, ou energia verde, por não ser
poluente pode substituir o óleo combustível,
por não conter, entre outros, enxofre e
sódio, não provoca corrosão, aumentando a
vida útil dos veículos; representa uma
economia de 60% com o combustível; uma outra
vantagem é que o carro torna se
bi-combustível.
Mas o desempenho do motor diminui;e além da
conversão ser cara , na faixa de R$ 2000
mil, 50% do porta malas fica comprometido.
Depois de convertido o carro perde garantia
de fábrica; com poucos postos pode existir
fila na hora do abastecimento. Afora que
para a conversão, a documentação precisa ser
alterada no DETRAN, e este procedimento tem
custo.
REDE
AUTOMÁTICA
DE MONITORAMENTO DE AR
Esta rede automática
entrou em operação em 1981 em São Paulo e
Cubatão. Em 1996 ela foi renovada e, em 2000
foi ampliada para as cidades de Campinas,
São Jose dos Campos, Sorocaba e Paulinea,
totalizando 29 estações.
Essas estações são ligadas a uma central
denominada telemétrica, que recebe os dados
coletados por meio de linha telefônica. Cada
poluente tem um analisador, que suga o ar e
processa as informações.
Uma outra tentativa é se fazer um trabalho
junto a comunidade para que se utilize mais
os transportes coletivos.
Mas, para que isso ocorra, é preciso que
seja feito um planejamento mais serio,
inteligente e principalmente interessado por
parte do poder publico juntamente com o
privado, para que não resulte em construções
de vias em excesso como medidas paliativas;
e que não sejam feitas concorrências entre
empresas onde as que ganham, normalmente, já
existe um acordo pré definido com o poder
publico, como é o caso de algumas empresas
de transporte coletivo que atualmente visam
mais o lucro e nem tanto o usuário.
A rede de transporte coletivo esta sempre
atrasada em relação as necessidades impostas
pelas constates transformações da estrutura
urbana, além de ser organizada de forma
pouco racional, apresentando ociosidade em
alguns trechos, super lotação em outros e
itinerários sinuosos e repletos de "voltas".
Os usuários que não se deslocam no sentido
centro-bairro, são obrigados a tomar pelo
menos dois ônibus, ou até três nas cidades
de maior porte. Com isso, gastam mais
dinheiro e mais tempo.
As soluções mais utilizadas para facilitar
os deslocamentos inter-bairros e reduzir as
irracionalidades presentes nos sistemas de
transportes coletivos utilizam o principio
da integração.
A integração é praticamente inevitável nas
cidades de porte grande e médio. O
equipamento mais utilizado é o terminal de
passageiros, que concentra diversas linhas
que atendem a uma região ou o centro da
cidade.
Com a utilização desse serviço o usuário
paga apenas o valor de uma passagem e pode
se locomover para diversos pontos da cidade
através dos terminais dos sistemas
integrados de transporte.
EMPREGO
"Finalmente, para
que o desenvolvimento urbano seja
sustentável, é preciso que o trabalho e o
emprego dos cidadãos urbanos sejam
acessíveis e protegidos. As transformações
na estrutura de emprego decorrentes de
avanços tecnológicos, o período recessivo da
década de 1980 e as conjunturas de crises
sistêmicas mundiais que atingem no momento
fortemente o Brasil resultaram em desemprego
e, de modo menos perceptível, em
precarização do emprego. Essa situação tem
forte impacto urbano, mormente nas
metrópoles, frustrando a expectativa que
identifica tais aglomerações como o lócus
das oportunidades de trabalho. Ela gera
efeitos psicológicos e sociais deletérios
(desespero, rompimentos familiares,
insegurança, violência), podendo resultar em
graves problemas de governabilidade,
atingindo a sustentação do processo contínuo
de democratização política. Na região
metropolitana de São Paulo, suficientemente
representativa para o sucinto diagnóstico
desse aspecto, o patamar de desemprego de
15,2% da PEA, atingido em 1992 (Ribeiro e
Júnior: 1994), está alcançando 19,9% em
março de 1999 (Fundação Seade e DIEESE:
1999).
Em 1989, havia na metrópole de São Paulo 1,5
trabalhador formal para cada precário; em
1996, essa relação passava para 0,9
trabalhador formal para cada informal ou
precário (autônomo, assalariado do setor
privado sem carteira de trabalho, empregado
doméstico, etc.), ou seja, mais da metade
dos trabalhadores metropolitanos não gozava
dos direitos da legislação trabalhista, e
isso não pode deixar de ter reflexos sobre a
sustentabilidade das grandes cidades.
Assim como a estabilidade da moeda (o
controle da inflação) foi, e continua sendo,
essencial para a sustentabilidade do
desenvolvimento, é hoje crucial maximizar a
geração de postos e minimizar a precarização
das relações de trabalho. Caso contrário,
aumentará a pressão sobre os serviços
públicos sociais (educação, saúde)."
Como advento da globalização para que o
desenvolvimento social e econômico de um
pais seja sustentável, necessário se torna a
revisão das leis trabalhistas para que o
emprego dos cidadãos seja segurado.
Com as sucessivas transformações ocorridas
na estrutura de empregos, como a
automatização das industrias, o que faz com
que cada vez mais menos empregos sejam
gerados nesta área; e as sucessivas crises
econômicas por que passaram não só o Brasil
mas também vários outros paises, fizeram com
que surgissem um numero cada vez maior de
desempregados.
Essa situação gera não só uma crise pessoal
já que a recolocação no mercado de trabalho,
além de mais difícil, esta exigindo uma
qualificação técnica mais aprimorada, como
também geram conflitos como rompimentos
familiares, insegurança e violência.
Uma saída viável é a alteração das leis que
regem as relações trabalhistas. Embora ainda
encontrem resistência por parte de certas
facções anacrônicas, tais mudanças, em
circunstancias econômicas adversas como a
que se vive no presente momento, permitiriam
o aumento da produtividade e da oferta de
empregos.
Um exemplo pratico da proposta foi o acordo
selado entre o Sindicato dos Trabalhadores e
a Volkswagen do Brasil no fim de 2001, com o
escopo de se preservar o emprego de mais de
3000 mil funcionários. Decidiram pela
redução da carga horária de trabalho e, por
conseqüência , dos salários reduzidos em 15%
e em troca foram preservados os empregos.
Observa se que somente com a flexibilização
das leis trabalhistas ao lado de uma melhor
capacitação técnica e política de
desenvolvimento econômico é que se poderão
criar novos postos de empregos e reduzir a
precarização das relações de trabalho, tendo
como objetivo a obtenção de um pais melhor,
não só economicamente, mas socialmente
falando.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
www.cetesb.sp.gov.br |