TELA DA ALMA
Pecadora sou e pecando temo a todo aquele que me condena... A este receio me algemo, ocultando-me a face às feras, na arena... mas meu olhar assustado, qual garoto travesso e ousado, salta por sobre a cerca de meu véu e percorre a multidão ao léu... Um frenesi perpassa-me o corpo... sinal de que ainda está vivo,não morto! Sinto calafrios, tremores, desejos de grandes amores!... Meu pecado, porém, é franzino, pequeno... mas corrói-me as entranhas, como autor de maquiavélicas façanhas, como se fora fortíssimo veneno; ele, simplesmente, consiste em ser eu, nada mais nada menos, que uma pobre mulher triste, faltando-lhe, dos bons fados, os acenos... Tremores de superfície!... Se formos, de meu eu, mais fundo, encontraremos verde planície, lugar onde reside a esperança, onde brinca minha eterna criança... origem, fonte de um novo mundo! Teremos, pois, transposto o liame, o Portal, atravessado seu arco triunfal... a tela da entrada de minha alma... sem receio, sem conflito, sem trauma!... Essa é a zona do equilíbrio, por mais que se esteja, de ilusões, ébrio, seu magnetismo nos torna sóbrio, desaparece o eu, o individual... prevalece o eterno divinal! E tudo que vejo é o reflexo de minha efígie, que se espelha no mais belo, brilhante e puro cristal... Bela tela!...Sendo alma, sou centelha e, como tal, sou ígnea, sou sexo, personificação do Amor Universal!... Carvalho Branco Música: Etude
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